Cinco sinais de que alguém é um zelote

December 5th, 2007 § 7 comments § permalink

Ninguém gosta de zelotes. Zelotes não acrescentam à discussão; antes, eles escondem a discussão atrás de justificativas suaves que parecem dar abertura à posição contrária mas sem realmente permitir qualquer diferença de opiniões. Em tecnologia isso é tão comum que as pessoas consideram normal–e até visto como um sinal de paixão em muitos casos–mas qualquer excesso é detrimental.

Cinco sinais de que alguém é um zelote:

A pessoa tem um foco único

Ela não consegue se afastar do único tópico que aprova. Pode até citar outros, mas as comparações são sempre desfavoráveis, para provar como sua posição é a melhor, como é possível fazer tudo o que o outro faz com o que você possui. Zelotes não entendem que existem múltiplas soluções e sentem medo de que seu domínio do problema fique obsoleto.

A pessoa faz afirmações abrangentes sem qualificação

Zelotes adoram dizer que algo é bom porque é bom e pronto acabou. Não existem comparações e qualquer um que uso a outra opção é porque ainda não viu a única e verdadeira religião. Se alguém afirma o contrário, montanhas de informação são recuperadas para provar que o outro lado está intoleravelmente errado, mas a informação é sempre voltada para provar um único lado sem considerar qualquer outra posição.

A pessoa cita textos fora do contexto

Zelotes adoram pegar partes de algo que foi escrito e citar fora de contexto para dizer que seu ponto está sendo provado. Não importa se o resto da informação contradiz o que estão falando. Para isso, há sempre um jeito de não citar a fonte original deixando a informação mais difícil de categorizar.

A pessoa adota um ar de humildade ao falar do outro

“Eu também usei, recomendo, aliás recomendo todos. Não é que o meu seja melhor”, é uma frase comum de um zelote. Só que na verdade, o outro lado nunca é visto. O zelote sempre vai arranjar uma desculpa para “provar” que o seu é melhor.

A pessoa só se engaja em discussões para defender suas posições

Um zelote nunca contribui para uma discussão acrescentando características positivas do lado contrário. Sempre que ele está em um discussão é para afirmar mais um ponto do que ele acredita mesmo que ele não esteja sendo atacado em qualquer forma. Na verdade, ele vê qualquer discussão como um ataque já que não tem confiança. Uma desculpa freqüente é dizer que é um evangelista do objeto em questão

E um bônus:

A pessoal começa a falar na terceira pessoa do singular

Zelotes adoram dar um ar majestoso às suas declarações. E nada mais “belo” e “importante” do que falar na terceira pessoa como se você fosse mais do que uma pessoa. Eu não sei dos outros, mas qualquer declaração me terceira pessoal já tira qualquer possibilidade que eu escute a pessoa com seriedade. E quem gosta de terceira pessoal geralmente gosta também de títulos esdrúxulos.

Eu realmente não tenho muita tolerância com zelotes e não quero me tornar um. Se um leitor perceber algo assim, pode puxar a orelha. Paixão é bem-vinda, necessária, mas não sob a desculpa de que o resto é ruim por definição. Se é, prove. Eu também.

The Tipping Point

July 18th, 2007 § 5 comments § permalink

Acabei de ler The Tipping Point, de Malcom Gladwell. Malcolm Gladwell ganhou notoriedade com livros que exploram implicações novas e contra-intuitivas vindas de sociologia e psicologia, e que, por se aplicarem muito bem em contextos de negócios, estão ganhando bastante seguidores.

O título do livro é um termo da sociologia, e faz alusão ao ponto em que um sistema então estável se torna desequilibrado como resultado de pequenas mudanças. Poderia ser traduzido como “ponto de ruptura” ou “ponto de desequilíbrio” e, embora Gladwell não menciona, é também conhecido como “ângulo de repouso”, espelhando-se no fato físico de que um pouco de peso em objeto até então equilibrado pode levá-lo à queda.

Gladwell postula que mudanças sociais ocorrem sempre como resultado de tais pontos de ruptura, sendo iniciados por pequenas mudanças que pesam a balança até que ela se incline em uma direção determinada. Para ele, isso se aplica tanto a epidemias de doenças quanto a epidemiais socias como a adoção de determinados modismos, o sucesso de uma determinada marca ou mesmo aumento e queda de criminalidade dentro da sociedade. O objetivo principal do livro, então, é criar um modo de identificar e eventualmente causar tais epidemias sociais.

O livro apresenta um caso bem persuasivo para essa possibilidade de manipular epidemias, causa um ponto de ruptura. Para isso, o autor se foca em três principais argumentos (traduções livres):

  • A Lei do Poucos: poucas pessoas são necessárias para virar a balança; essas pessoas são denominadas conectores, vendedores e especialistas e possuem características especiais que influenciam fortemente as pessoas com as quais tem contato.

  • O Fator de Aderência: a mensagem por trás da epidemia social precisa ter algo que causa aderência, que a faça permanecer na mente das pessoas;

  • O Poder do Contexto: a mensagem é extremamente suscetível ao contexto, e, em geral, é possível manipular o contexto para acelerar o desequilíbrio.

O livro apresenta os fatores acima em dezenas de exemplos–o que, por sinal, é ao mesmo tempo uma vantagem e uma desvantagens de alguns livros sobre assuntos similares atualmente: os exemplos preenchem muito espaço quando os pontos básicos e necessários podem ser feitos em bem menos páginas. Mesmo assim, a maioria dos exemplos são fascinantes, com destaque especial para os que envolvem ritmos de interação, ou seja, aqueles padrões que adotamos inconscientemente quando estamos conversando com outras pessoas.

Aliás, um dos exemplos que mais me fascinou foi justamente sobre isso: um pesquisador que dividiu um filme de quatro segundos de uma conversa à mesa em suas partes mínimas (as frames de 1/45 de segundo) e passou um ano o meio analisando cada parte até determinar movimentos mínimos coordenados entre as partes da conversa–movimentos que sugeriam uma espécie de dança inconsciente entre as pessoas envolvidas e que explica muito sobre como persuasão e relacionamentos funcionam, entre outros detalhes psicológicos

Tudo isso torna a leitura do livro bem tranqüila e rápida–nunca cansativa–e as idéias apresentadas são suficientemente interessantes para merecer consideração posteriores e eventual aplicação em estratégias. Não que o livro deva ser tomado como uma bíblia; ainda assim, os argumentos são bem elaborados e embasados, fazendo sentido principalmente nos contextos mostrados. E se Gladwell exagera em alguns momentos para forçar o seu ponto–como no final do livro onde ele fala sobre o problema do fumo entre adolescentes–o resultado geral é muito bom.

Como de costume nas resenhas aqui, recomendo a leitura–preferencialmente se você for ler sem considerar o livro um manual. Idéias com certeza vão aparecer, mas ler sem o hype certamente ajuda.

Contrabando e magia

April 26th, 2007 § 9 comments § permalink

Eu mestro RPG uma vez por semana. Eu sempre gostei mais de mestrar do que de simplesmente jogar. Primeiro, porque sempre tive uma atração por elaborar uma estória, procurar surpreender os jogadores, arrumar situações complicadas–enfim, fazer o mesmo trabalho que um escritor. Segundo, porque gosto de mudar de personagens, passar de um papel para o outro sem ter que me preocupar com uma representação fixa.

Atualmente, estamos jogando uma campanha nova, envolvendo o contrabando de objetos mágicos em uma ambiente que não difere muito do milieu fantástico estabelecido por Tolkien e seus herdeiros literários. A diferença maior é que existe um comércio muito bem estabelecido de artefatos, legal e ilegal, com uma polícia não muito simpática para quebrar o pau sobre os jogadores quando necessário, já que eles estão sempre um pouco do lado de lá da lei. Sendo assim, a estória é baseada nas relações de um grupo de contrabandistas cujo único motivo para ficarem juntos é o dinheiro, o que gera uma série de situações interessantes de intrigas, jogos duplos, traições e outras amenidades. Nesse aspecto, o ambiente lembra mais o que os mundos criados para jogos virtuais recentes, como Word of Warcraft.

O mais interessante do jogo atual é que, apesar de ser jogado pela regras do GURPS, estamos usando muito menos os dados do que imaginamos inicialmente. O jogo está muito mais intimista, baseado em conversas, como um bom jogo de RPG deveria ser. Provavelmente, isso é mais resultado da familiaridade que o grupo tem agora do que da estória em si, mas não deixa de ser algo interessante de ser observar. E as gargalhadas continuam, é claro, a rolar soltas.

Contrabando e magia, uma combinação interessante. :-)

Tão verdadeiro

April 12th, 2007 § 5 comments § permalink

Sabe, há dias em que isto é tão verdadeiro: Trapped in an Infinite Loop.

Código de Conduta para Blogueiros

April 9th, 2007 § 9 comments § permalink

O assunto de hoje na blogosfera foi sem dúvida o Código de Conduta para Blogueiros proposto por Tim O’Reilly. O código vem na esteira dos problemas que aconteceram com Kathy Sierra, do conhecido Creating Passionate Users, que parou de blogar depois de ter recebido ameaças pessoais tanto em seu blog quanto em blogs criados com o intuito de permitir uma expressão livre de opiniões controversas mas que, aparentemente, escaparam do controle de seus criadores.

A confusão continua rendendo até o momento, e Tim O’Reilly fez uma proposta bem intencionada de um código de conduta que seria assumido por blogueiros interessados como uma fora de coibir tais excessos (que em alguns casos realmente são ilegais) e, de uma maneira geral, favorecer um ambiente mais “civilizado” entre os blogs.

A proposta do código de conduta, desnecessário dizer, rendeu milhões (tudo bem, milhares) de comentários durante o dia, e, ironicamente, uniu a blogosfera de uma maneira que raramente se vê: praticamente ninguém concordou, e os poucos que concordaram, o fizeram com objeções. Uma análise bem interessante foi a de Tristan Louis, que dissecou o texto, apontando problemas e contradições.

O assunto de comportamento civilizado na Web, por assim dizer, é algo perene. Não começou com os blogs e seguramente não vai terminar com eles. A reação é interessante e, como não poderia deixar de ser, bem cunhada na cultura americana, que, para bem ou para mal, possui uma considerável influência no que os blogs em outros idiomas publicam. Antes que alguém me dê um tiro por causa dessa declaração, repito que isso não é algo bom ou ruim, apenas similar à produção americana de filmes: não é única, mas numericamente mais expressiva. Também, em termos concretos, o conceito de liberdade de expressão dificilmente tem uma representação jurídica como no sistema legal americano. Sendo assim, vai ser bem interessante ver como os outros ecossistemas reagem ao código.

Em termos gerais, eu acho que a proposta é realmente bem intencionada, mas como o velho ditado diz, o caminho para o inferno está pavimentado por boas intenções. O código reflete, mesmo que inconscientemente, uma indicação de igualdade na Web que, sinceramente, não existe. Um código não vai corrigir o problema enquanto a causa do mesmo não for corrigida. Junto com isso, há a outra questão de que as imagens mentais definidas pelo modo como a Web funciona não são tão tratáveis em termos de códigos comuns. O modo com a Web redefine os relacionamentos e composições sociais efetivamente impede que um código assim funciona mesmo com a máxima boa vontade dos envolvidos.

Com isso, é claro, eu não estou dizendo que comportamentos abusivos sejam tolerados. Nem que possuo alguma chave mágica para resolver a questão. Mas acho que o código representa uma espécie de choque futuro. A cena mudou, e as pessoas acreditam que as coisas podem ser resolvidas da maneira usual. Se isso fosse verdade, não teríamos spam.

O fato é que tecnologia define necessariamente um plano de resposta diferente. Esse plano de resposta jamais será coberto por um código que envolva a expressão “We ignore the trolls” como um conceito chave. Talvez a reposta negativa seja uma chave em si, uma possibilidade de refletir porque a resposta foi negativa–além do “limita a liberdade de expressão”–e realmente entender um pouco mais do que está na base das mudanças que vão redefinir os nossos relacionamentos.

Motivação e segurança de dados

March 22nd, 2007 § 5 comments § permalink

Cheguei a conclusão que morro de pavor de aplicações hospedadas em servidores sobre os quais não tenho controle. Para alguém que acha que o futuro está em SOA/ASP, isso é bastante irônico.

O engraçado é que não tem muito a ver com a confiança na “honestidade” dos provedores de tais aplicações. Obviamente, sempre existem possibilidades de vazamentos de informação, mas de uma forma geral, a maioria dos provedores de aplicações distribuídas não tem muito interesse ou capacidade em vasculhar informações pessoais de uma maneira que sirva para prejudicar o usuário diretamente. A maior parte dos problemas nessa área, pelo que eu tenho observado, tem mais a ver com a interferência governamental (vide Google vs Polícia Federal, por exemplo, ou os [processos contra o YouTube]).

O meu maior problema mesmo é com o desaparecimento dos dados. Um artigo recente considerava o fato de que a maioria dos provedores de serviços de backups online não possui qualquer garantia de responsabilidade pelos dados. Se nem serviços cujos propósito é justamente garantir a existência de dados o fazem, como eu posso garantir que meus gigas de fotos, vídeos, livros, documentos, código, etc, etc, serão preservados em caso de falhas catastróficas?

Se eu controle meus dados, pelo menos só tenho uma pessoa a culpar se perder os dados. Poderia ser argumentado que individualmente eu possuo muito menos capacidade de preservar meus dados do que deixar que uma empresa muito maior faça isso. De certa forma, isso é correto. O problema é que, na hora que você realmente precisa, esses recursos geralmente não valem nada–pelo simples motivo de que a motivação não existe no caso dessas empresas. Falhas são esporádicas e um ou outro usuário com problemas não fazem diferença no grande esquema das coisas. Individualmente, minha motivação é muito maior para garantir a integridade dos meus dados.

Podem me considerar um desconfiado, mas eu ainda prefiro meus próprios serviços. Até existir uma forma descentralizada e automática de garantia de dados–algo que eu acredito piamente que vai existir, e em relativamente pouco tempo–eu aposto minhas fichas nos meus backups redundantes. E de quebra, com um segurança relativa maior, já que eu posso guardar meus dados criptografados também.

Peopleware

March 3rd, 2007 § 4 comments § permalink

Terminei de ler ontem Peopleware, por Tom DeMarco e Timothy Lister. O livro é considerado um dos clássicos na área de tecnologia de informação, discorrendo, como seu sub-título diz, sobre equipes e projetos produtivos. O livro é de 1987, mas eu comprei a segunda edição, publicada em 1999, que contém alguns capítulos novos detalhando o que os autores aprenderem na década entre as duas versões do livro.

O livro é excelente, mas a leitura não deixa de ser quase um exercício em desespero considerando a situação na qual muitas empresas se encontram comparada com o ideal que o livro descreve, o tipo de organização que é condutiva em relação a um processo produtivo de desenvolvimento. O leitor, principalmente aquele que trabalha em organizações com as descritas pelo livro se sente como Dante diante da Porta do Inferno: “Abandonai toda esperança, vós que aqui entrais”. Equipicídio, mudanças de contexto freqüentes, insegurança gerencial, ambientes não-produtivos e dezenas de outros tópicos são tratados em detalhe.

Um exemplo citado pelo livro é o de uma empresa em que um memorando é passado para os desenvolvedores dizendo que os mesmos deveriam atender qualquer ligação até no máximo a terceira chamada para que a ligação não voltasse paras as secretárias; caso contrário, elas não fariam nada durante todo o dia. Situações como essa dão até vontade de chorar, principalmente pelo fato de que qualquer desenvolvedor já passou ou já viu alguma situação similar em sua carreira.

Embora eu tenha a minha própria empresa e possa, de certa forma, evitar os problemas que o livro apresenta, eu ainda trabalho em muitos projetos cuja realidade é a pior possível descrita no livro. Enquanto eu lia o livro, eu me peguei pensando na situação em geral da área de tecnologia de informação do Brasil e, pelo que o livro descreve, a média brasileira é muito pior do que a média apresentada pelo livro–as organizações e projetos no Brasil ultrapassam, em geral, as piores situações descritas no livro.

Existem é claro, organizações e projetos–e eu trabalhei em vários assim–que estão, conscientemente ou não, seguindo muitas das boas práticas apresentadas pelo livro. Mas a realidade é desumana, com um desenvolvedor recentemente comentou comigo, ao descrever as condições e prazos sobre os quais tinha que trabalhar.

O livro é um tanto ou quanto irônico no sentido de que os autores dizem como as coisas devem ser feitas, mas sempre com uma sub-corrente de certeza–ditada pela experiência e conhecimento do mercado–que as empresas falhando vão continuar falhando.

Depois desse comentário, pode parecer que eu considero o livro inútil. Pelo contrário, eu acho que deveria ser uma leitura obrigatória para todo e qualquer gerente trabalhando em uma empresa de tecnologia. Implementar qualquer uma das mudanças especificadas no livro pode melhorar consideravelmente o ambiente de qualquer área de desenvolvimento. Acho, inclusive, que os programadores deveriam comprar o livro e dar de presente para seus gerentes. O livro é bastante focado na área gerencial mas é uma boa leitura até mesmo para aqueles que somente programam para comparar a sua situação com o ideal do livro.

Nas próximas semanas, eu vou tentar comentar um pouco mais sobre algumas lições do livro aqui, mas fica a recomendação de leitura.

Traduções e etiqueta

February 13th, 2007 § 4 comments § permalink

Freqüentemente, eu vejo entradas em blogs brasileiros que são traduções de artigos postados em blogs escritos em outros idiomas. Considerando o fato de que nem todo mundo pode ler um outro idioma, é bem óbvia a vantagem dessas traduções: disseminação de informação, mais visitas, praticidade, etc, etc.

Infelizmente, o que eu não estou vendo são duas coisas fundamentais nesse processo: atribuição e permissão. Raríssimas são as traduções que identificam a fonte de maneira apropriada e que mostram prova de que conseguiram permissão para a republicação do material. Blogs, por sua natureza dinâmica e velocidade de publicação, são os locais onde esses problemas mais se manifestam.

Por atribuição, eu não quero dizer um mero link para o texto original, perdido no meio da tradução. Tradução que muitas vezes começa com um comentário do tradutor, escondendo ainda mais a proveniência do texto–mesmo sem intenção. A atribuição deve ser extremamente clara, na minha opinião. Para o leitor da tradução, não deve haver dúvida alguma de que o texto não é originário daquele site e que ele está lendo algo que outra pessoa teve o trabalho de escrever.

O mesmo se aplica à permissão. Ainda que o texto original não exiba qualquer menção de copyright, as regras internacionais que se aplicam nesse caso garantem o mesmo automaticamente. Traduzir algum texto e postá-lo sem atribuição é uma violação clara do copyright detido pelo autor original e, quer haja intenção ou não, uma completa falta de ética. Não há necessidade de exibir um e-mail comprovando a permissão ou algo similar, mas a permissão tem que ser obtida e especificada. Mesmo nos casos em que o texto está sob uma licença que permite disseminação e tradução é necessário consultar as provisões feitas na licença para a situação. Pode ser necessário, por exemplo, atribuir e replicar toda a licença.

Eu sou um grande partidário do copyleft e essa crítica não é um repúdio ao mesmo, principalmente considerando que a maioria do material que tornei público na Web foi sob alguma licença embasada nesse princípio. Mas, como um autor e usuário, entendo que deve haver um respeito à originalidade e o trabalho envolvido na produção de um texto, vídeo, áudio ou qualquer outra obra qualquer. E sei que muitos dos que publicam essas traduções sem atribuição e permissão gritariam ao primeiro sinal de violação de seus próprios textos, como, inclusive, já vi acontecer.

Para não me sentir um hipócrita, decidi adotar uma atitude básica: sempre que vir algo que não estiver claro em nos termos acima, mandarei um e-mail discreto para a pessoa que fez a tradução. Se ela acatará ou não a sugestão, não é meu problema. Mas acho que com isso, terei feito a minha parte.

Atualização: Exemplo perfeito de como atribuir e mostrar que obteve permissão no blog do César Cardoso.

Orkut do Rails

November 17th, 2006 § 3 comments § permalink

Working with Rails é um site para registrar profissionais que trabalham com Rails, com um pequeno detalhe: recomendações que contam em relação à popularidade da pessoal. Orkut para Rails. E o Brasil já estava em terceiro na lista de profissionais cadastrados. :-)

Second Life

October 25th, 2006 § 1 comment § permalink

Eu andei brincando um tempo com a versão grátis do Second Life, mas por falta de tempo, deixei de lado. Hoje vi a notícia de que a Reuters, uma das mais conceituadas agências de notícias do mundo está abrindo uma filial dentro do Second Life. Na notícia, ainda descobri que várias outras empresas, incluindo Toyota, Sony, Adidas, Sun e IBM estão fazendo a mesma coisa.

Isso é extremamente interessante porque o Second Life é algo bem mais genérico que um World of Warcraft e provavelmente o primeiro verdadeiro ambiente virtual que funciona, mesmo que ainda não seja imersivo (como disse Charles Stross: The definition of a real Virtual Reality environment is one where somebody can hold a coup d’etat in it and make it stick in the real world). Ao contrário dos ambientes de fantasia e/ou ficção científica, o apelo é mais aberto e esse fluxo de empresas é uma mostra disso.

Future shock, indeed.

Where Am I?

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