Balanço cultural de junho

July 30th, 2009 § 0 comments § permalink

Julho está quase terminando e somente agora consegui escrever o balanço cultural de junho. Este ano está se provando bem fraco em tempo para leitura, infelizmente. O resultado do mês ficou no seguinte:

  • 4 livros
  • 2 filmes

Nos livros, comecei o mês com os dois primeiros livros da série A Time Odissey, escritas conjuntamente por Stephen Baxter e Arthur C. Clarke. Os livros começam com a Terra sendo fraturada em dezenas de zonas temporais espalhadas por milhões de anos desde o surgimentos dos primeiros primatas inteligentes até um evento específico no ano de 2027. Grupos distintos de sobreviventes do evento (entre os quais se incluem partes dos exércitos de Genghis Khan e Alexandre, o Grande e soldados da ONU) se juntam para procurar explicações e se vêem às voltas com um conflito que abrange todo o Universo conhecido e que está acontecendo já há bilhões de anos.

Embora a premissa seja interessante, os livros não se sustentam. Há um terceiro livro que aparentemente conclui a série (os dois primeiros livros são bem independentes, entretanto) mas duvido que eu me anime a lê-lo. Não é a primeira vez que eu fico desapontado com a narrativa de Baxter que sempre promete mais do que entrega. Embora os temas sempre seja enormes (em alguns de seus livros ele trata sobre alguns dos maiores mistérios cosmológicos como o Grande Atrator e o próprio fim do Universo), as idéias acabam sempre servindo somente de fundo para algo bem insosso e mal concluído. Ao contrário de Iain M. Banks, por exemplo, que consegue tratar civilizações galácticas de maneiras extremamente interessante e localizada, Baxter consegue colocar os temas mas raramente consegue dar um bom destino ao mesmos. Não recomendo muito.

O terceiro livro que li no mês foi Brain Rules, por John Medina. Medina é um pesquisador e consultor em biologia molecular e nesse livro ele apresenta 12 regras sobre o cérebro que explicam como o mesmo funciona e como aproveitar melhor a capacidade inata que cada um possui. Não é, de longe, um livro de auto-ajuda ou um desses livros com conselhos mirabolantes mas uma apresentação dos mistérios e pesquisa mais recente sobre esse que é o mais interessante e desconhecido órgão do corpo humano. Algumas das regras são bem óbvias–por exemplo, a regra sobre a relação entre o cérebro e descanso–mas algumas provêem insights interessantes sobre como tratar o cérebro de maneira melhor. Leitura light e recomendada.

Para fechar o mês, li Six Degrees, por Duncan J. Watts. O livro é muito interessante e me serviu como um bom complemento a Linked do Albert-László Barabási. Enquanto este último se foca mais em redes de livre escala e uma visão mais alta da história sobre a pesquisa de redes, o primeiro é uma visão mais profunda do campo como um todo e com bem mais detalhes não só sobre outro tipo famoso de redes–small-world networks–mas dos vários tipos de redes e tópicos que têm interessado os pesquisadores atualmente. Para quem se interessa pelo assunto e por detalhes sobre como pessoas, infecções, epidemias, empresas, colapsos econômicos e dezenas de outros sistemas estão conectados dentro da teoria de redes, vale a leitura.

Nos filmes, vi Terminator Salvation, o quarto filme da conhecida franquia. O filme mal se sustenta como estória e é bem inferior até mesmo ao terceiro, o mais fraco até então. Nem a famosa cena de CGI com um modelo virtual do Arnold Schwarzenegger anima o filme, embora seja divertida. O problema maior é que o filme força o espectador a aceitar que John Connor é um idiota iluminado que pode fazer qualquer coisa e agüenta qualquer coisa também. O final é um desperdício de tempo e ridiculamente anti-ético. Só se salva mesmo Sam Worthington, que faz o interessante Marcus Wright.

Para fechar o mês, vi Knowing com Nicolas Cage e Rose Byrne. Alex Proyas é um diretor muito bom e seu Dark City é um dos melhores filmes de SF já feitos. Mas depois de Eu, Robô, ele caiu no meu conceito e esse novo filme é bem meia-boca também. O final até compensou o tempo de filme, mas a estória em geral é bem fraca. Não muito recomendado também.

E foi isso em junho. No próximo mês, poucas leituras também. :(

Balanço cultural de maio

June 26th, 2009 § 0 comments § permalink

Junho quase terminando e só agora deu tempo de fazer o balanço cultural de maio. O mês foi ainda mais corrido do que maio, mas deu tempo de ler um pouco mais às custas de algumas noites mal dormidas. O resultado do mês foi o seguinte:

  • 5 livros
  • 2 filmes

Começando o mês, li Leading Geeks, do Paul Glen. Para quem está começando a carreira gerencial, o livro é absolutamente imprescindível. Paul Glen é um geek escrevendo para geeks. Seu livro não é interessante somente para gerentes mas também para aqueles que tem gerentes na área pelo fato de focar não só nos detalhes do dia-a-dia gerencial mas também em procurar entender como funciona a mente geek. Dividido em dois temas, o contexto da liderança e o conteúdo da liderança, Leading Geeks fornece um bom framework para equipes que precisam trabalhar melhor em áreas de conhecimento e tecnologia.

Os dois próximos livros foram The Knight e The Wizard, os componentes da duologia The Wizard Knight de Gene Wolfe. Não preciso me estender aqui porque já fiz uma resenha bem detalhada do livro anteriormente. Basta dizer que recomendo muito, especialmente para quem gosta de literatura fantástica de natureza mais inusitada.

Seguindo o mês, li The Buried Pyramid, por Jane Lindskold. Esse é o primeiro livro da autora que eu leio e confesso que não gostei muito. O livro começa interessante, com uma estória envolvendo um faráo desaparecido nas areias do tempo e um soldado tornado arqueólogo que quer ser o primeiro a descobrir onde jaz o túmulo do mesmo. Em paralelo, um grupo misterioso pretende impedir a descoberta. Poderia ter sido um livro interessante mas descamba para uma enorme seqüência sem sentido no terço final culminando em um final deus ex machina que, embora responda as questões levantadas tira qualquer possibilidade de sentido do livro. Infelizmente, passo os próximos livros da autora a menos que alguém tenha uma recomendação muito boa.

Terminei o mês lendo Eternity’s End, por Jeffrey A. Carver. O livro, uma space opera, conta a estória de um rigger chamado Renwald Legroeder que se vê envolvido em uma conspiração para esconder o mistério que cerca uma nave espacial fantasmagórica perdida durante uma viagem espacial. Os riggers são pessoas com a habilidade de conduzir naves espaciais em segurança através de uma dimensão espaço-temporal chamada de Flux que permite viagens em velocidades acima da luz. Legroeder, que foi aprisionado por piratas durante uma viagem, tem que se aliar a uma advogada e uma raça alienígena quando é preso por ter supostamente ajudado a captura de sua nave. Em uma corrida para provar sua inocência e descobrir o mistério do Holandês Voador espacial, Legroeder precisa ir além de seus conhecimentos e formação para achar a verdade. O livro é interessante e embora não tenha tanta força literária, consegue sustentar bem a leitura até um final convincente.

Nos filmes, comecei o mês com Body of Lies, um thriller de espionagem com Leonardo DiCaprio e Russell Crowe, envolvendo conspirações e a caçada a um terrorista na Síria. Chega a ser interessante em alguns pontos, mas falha pelo final meia-boca.

Logo também no início do mês, fui ver a nova versão de Star Trek. Com fã absoluto de todas as manifestações da série, não preciso dizer que o filme marcou o fim de sete anos ansiosa de espera por algum material novo na franquia. Obviamente, como se tratava de um reboot da série, fiquei bem preocupado com a possibilidade de que o resultado final fosse completamente avesso ao que Star Trek representa.

Felizmente, embora o filme tenha suas falhas, para mim representou um boa retorno de Star Trek às telas–e pelo sucesso, possivelmente à televisão também. O filme já sofreu análises extensivas por partes dos milhões de fãs e não vou me estender nos detalhes do cânon. O filme é de ação, sim, algo que a série precisava, e, sim, peca em não forçar tanto os temas que tornaram a série icônica. Mas é um bom começo para uma exploração futura e revista desses temas. Não acho que essa bola vá cair com a competência que todos produtores sempre tiveram. Não é a Star Trek que nos acostumamos a ver em alguns aspectos e é em outros aspectos igualmente válidos. Vi três vezes o filme e vou comprar quando sair. Mas, fazer o quê, sou fã. :)

No próximo mês, mais livros e filmes.

Balanço cultural de abril

June 2nd, 2009 § 7 comments § permalink

Abril foi um mês de mudanças e correrias e, de acordo com meus registros dos últimos três anos, o mês em que menos consegui ler. Em compensação, vi mais filmes do que o normal. O resultado pífio ficou no seguinte:

  • 1 livro
  • 16 filmes

O único livro que li no mês foi Flashforward, do sempre interessante Robert J. Saywer. O livro é de 1999 e conta sobre eventos passados em 2009, o que, ironicamente, o torna ao mesmo tempo datado e atual. Datado porque alguns eventos, é claro, não se passaram como o livro mostra. E atual por causa da coincidência de alguns temas que estavam na mídia justamente no tempo que Saywer os descreve nos livros.

O livro conta a estória de um evento acontecido em 2009 quando o LHC é ligado em uma tentativa de provar a existência do bóson de Higgs. Ao invés da prova, a tentativa faz com que todos habitantes do planeta experimente durante dois minutos e alguns segundos as suas vidas de cerca de vinte um anos no futuro. O resultado–além da imediata perda de vidas e semi-colapso econômico–é um mundo inteiramente mudado pelas visões que alguns acreditam imutáveis e outros não. Sawyer lida com maestria com essas questões, inclusive tecendo um pequeno mistério detetivesco de um homem que descobre ter sido assassinado no futuro e que quer prevenir o acontecimento. Muito bom e leitura recomendada. O livro está agora sendo desenvolvimento em uma série para a TV pela ABC.

Nos filmes, o mês foi bem interessante.

Comecei vendo Watchmen. Ainda não li a série em quadrinhos que deu origem ao filme, mas gostei muito da representação visual criada para o mesmo em relação ao que já folheei. Watchmen é uma versão gráfica de temas que são constantes na literatura de ficção científica, e tem o mérito de trazer isso para as massas. Se conseguiu ou não, é uma discussão para outra hora.

Segui o mês vendo Pulp Fiction, que era um que me faltava dos clássicos do gênero. Como eu provavelmente sou a última pessoa no planeta a ver o filme, não preciso também comentar muito sobre o mesmo. Basta dizer que achei bem melhor que a obra posterior de Tarantino. Em Pulp Fiction, o exagero a que ele recorre normalmente parece bem mais refinado e elaborado do que em seus outros filmes. O que é uma pena.

Na seqüência, vi o esquecível Max Payne. Péssima direção, péssima atuação e só terminei de ver porque sou teimoso. Pareceu uma tentativa bem descarada de copiar o clima e surrealidade de Constantine perdendo todo o background desde último no processo.

Continuando, foi a vez de Vicky Cristina Barcelona. Minha experiência com Woody Allen é sempre meio confusa. Alguns de seus filmes me impressionaram muito pela sensibilidade e profundidade enquanto outros me deixaram com a sensação de que ele estava simplesmente vomitando idéias sem conseguir uma boa união entre as mesmas. Vicky Cristina Barcelona está no meio do caminho com isso. Tem uma riqueza de situações, uma atuação conjunta muito boa dos atores principais e uma veia mórbida que me atraiu. O final é desencontrado mas acaba não falhando. No geral, foi melhor do que minha experiência usual com os filmes do diretor.

Milk, o filme seguinte, me impressionou muito. Eu sempre gostei da atuação de Sean Penn e acho que ele mereceu o Oscar que ganhou nesse filme. O assunto continua sendo delicado mesmo na época atual e a direção conseguiu passar a ambigüidade na história de Harvey Milk com tranqüilidade. Tendo saído de duas visitas recentes a São Francisco, ver a cidade e seu desenvolvimento no filme foi um bom complemento para os passeios que fiz.

Os dois filmes seguintes, Yes Man e Bedtime Stories foram suficientemente divertidos para merecer uma menção aqui mas pouco mais do que isso. Jim Carrey já cansou com suas carretas e o filme só se salva por conta da adorável Zooey Deschanel e Adam Sandler entrou em uma fase exagerada que não adiciona nada a seus filmes.

Slumdog Millionaire é interessante e bem trabalhado mas sem surpresas. Eu gosto do trabalho de Danny Boyle e esse filme tem o seu toque específico mas muitas das seqüências parecem ser feitas para criar pena no espectador sem acrescentar muito à estória. Funciona em um certo nível mas deixa uma sensação um pouco desagradável ao fim do filme

Bolt, o filme que vi em seguida, é mais uma divertida e bem-feita animação com bons personagens e uma estória engraçada e bem trabalhada. Gostei especialmente da gata Mittens, mas Travolta se sai muito bem também dando voz ao personagem título. Não chega é claro, aos pés de um The Incredibles, mas vale o tempo gasto.

Transporter 3, infelizmente, não se salva nem com a sempre divertida atuação de Jason Statham. O filme repete a fórmula dos anteriores, mas exagera justamente no que não deveria e no que deixou o primeiro filme tão interessante (para valores de interessante centrados em diversão inútil mas inteira e completamente aceitável para mim) e transforma o filme inteiro em uma sucessão de buracos de roteiro que não podem ser corrigidos nem por boas cenas de ação.

Na seqüência, City of Ember é um pequeno conto de ficção científica sobre uma cidade salva de destruição do mundo cuja intenção era durar apenas duzentos anos mas, quando o conhecimento sobre suas origens e futuro é perdido, se vê as beiras de destruição. Quando os adultos da cidade falham em enxergar o perigo e, ao contrário, se refugiam no passado, um par de adolescentes toma a questão em suas mãos. O filme tem uma fotografia bem agradável e adequado e consegue contar uma boa estória. Vale como um filme sem grandes exageros e que por isso mesmo conta uma boa estória.

Continuando, Frost/Nixon é intenso, muito bem elaborado e conta a impressionante história das entrevistas que Frost fez com Nixon. O misto de tentativa de redenção e admissão de erros torna o enredo bem interessante e as atuação são muito boas. Vale cada minuto.

Burn After Reading é uma comédia surreal e engraçada que deu uma par de horas de diversão. Vantage Point, X-Files 2 e Bangkok Dangerous não merecem mais do que uma breve menção. Dá para assistir mas eu teria lido outro livro com o tempo perdido com eles.

Maio vem em breve com mais livros e menos filmes.

The Wizard Knight

June 1st, 2009 § 0 comments § permalink

Como um leitor antigo de fantasia, o nome de Gene Wolfe sempre figurou na lista dos autores que eu queria ler quando mais jovem. Wolfe, hoje com setenta e oito anos, é considerado um dos melhores autores de fantasia de todos os tempos–inclusive por outros autores do gênero–e existe uma certa ironia do fato de que, até esse ano, eu ainda não conseguira ler nenhuma de suas obras. Eu me lembro de ter visto várias vezes um ou outro livro de suas multi-voluminosas e épicas obras na biblioteca pública que eu costumava usar mas, por uma razão ou outra, suas obras foram ficando para leituras mais tardias.

Fast-forward para duas décadas no futuro e, navegando pela Internet, encontro menções a uma obra mais recente de Wolfe, a duologia chamada The Wizard Knight. O que mais me chamou a atenção nos livros, além do fato de que eram mais rápidos e que eu poderia usá-los para começar a conhecer um pouco de Wolfe, foi a recomendação de Neil Gaiman na capa, que considerava a série “importante e maravilhosa”. Novamente, por ironias do momento, acabei não levando nenhum dos livros. Volta e meia eu via um dos volumes em uma livraria, mas deixava passar. Até, que em uma viagem recente aos EUA, passeando pela Borders, topei com os dois livros de uma só vez e comprei.

Dizer que o estilo de Wolfe é estranho é uma declaração que não expressa o quão diferente é o modo como ele escreve. Obviamente, sendo esses os primeiros livros de Wolfe que eu leio, não sei a que ponto o estilo se estende aos outros livros, mas, pelas resenhas que li, é algo mais ou menos constante em sua obra.

Em The Wizard Knight, Wolfe conta a estória de Able of High Heart, originalmente um adolescente americano que, ao escolher um caminho errado por uma floresta, é transportado a um reino mágico e transformado quase que instantaneamente em um homem adulto de proporções épicas. Able–que é o nome dado a ele por aqueles que o transformaram–torna-se um Cavaleiro e recebe a missão de trazer balanço ao mundo em que ele se vê lançado. Esse mundo, composto de sete camadas, cada uma deles visível da inferior como se fosse o seu próprio firmamento e tendo os habitantes da camada superior como deuses, é uma versão convoluta e espetacular de Faerie recriada por Wolfe para servir seus propósitos. Dragões, aelfs, reis, rainhas, cavaleiros, deuses e deusas, feiticeiros e magos, ogros e gigantes aparecem em igual medida na estória. No meio disso, se encontra também a estória de amor de Able por Disiri, uma rainha Aelf que ajudou em sua transformação por motivos que são vagamente vistos ao longo dos livros.

Contada largamente em primeira pessoa por Able, na forma de cartas, a narrativa é completamente duvidosa e inconstante. Able, que embora tornado adulto, é no fundo um adolescente, conta sua estória da maneira como ela lhe vêm na cabeça, misturando locais, tempos e fatos. Embora a narrativa seja na maioria do seu ponto de vista, algumas vezes Able narra fatos a que não teve acesso a não ser por terceiros e as pessoas e visões da estória se tornam ainda mais estranhas. Em alguns pontos, a própria construção das frases apresenta falhas como se Able estivesse tentando encontrar as palavras apropriadas e se distraísse, criando um efeito vívido e impressionante de estranheza. Mais curiosas ainda são as menções que ele faz de eventos que aconteceram ou vão acontecer, para simplesmente abadoná-los na narrativa–algumas vezes não sendo mais mencionados ou resolvidos em qualquer ponto do livro.

Essa forma de narrativa não tira, de forma alguma, o brilho de estilo de Wolfe. Pelo contrário, por ser tão diferente da norma, dá ao leitor uma sensação de frescor e vivacidade pouco encontradas em outras obras do gênero. Able, embora um narrador pouco confiável, traduz ao mesmo tempo a segurança de um cavaleiro experimentado e a incerteza adolescente de alguém que sabe que foi tirado de seu mundo e é um joguete de forcas maiores que sua própria compreensão. O resultado dessa mistura improvável é uma estória nostálgica e belíssima.

Agora que conheço Wolfe de fato, seus livros estão seguramente na minha fila de aquisições futuras. Recomendo para qualquer amante de fantasia pouco usual e que se desvia dos clichès gastos e sem brilho da maioria de fantasia atuais.

Balanço cultural de março

April 26th, 2009 § 2 comments § permalink

Novamente atrasado, chega a vez do balanço cultural de março que, em relação à minha média normal, foi um mês bem fraco. O resultado do mês ficou assim:

  • 3 livros;
  • 2 estórias em quadrinhos;
  • 7 filmes.

Nas estórias em quadrinhos, terminei os volumes três e quatro de Sandman, do Neil Gaiman. Dream Contry, o terceiro volume, é um belo interlúdio centrado no Senhor dos Sonhos de maneiras bem sutis e tipicamente Gaimanianas. Especialmente digna de nota é a última estória do livro, A Dream of a Thousand Cats, que consegue é fantástica e amendrontadora em sua simplicidade lírica. Já o quarto volume, Season of Mists é uma descida na vida íntima dos Perpétuos, mostrando o seu relacionamento–em especial com a história não resolvido da primeiro amor do Senhor dos Sonhos–e contendo uma seqüência absolutamente estonteante em volta de uma épica decisão por parte de Lúcifer em relação ao inferno.

Nos livros, comecei o mês fechando a série Twilight com a leitura do último livro. Como mencionei no balanço cultural anterior, Meyer consegue contar uma boa estória e o quarto livro está à altura do primeiro–depois dos dois intermediários não tão interessantes. O livro finaliza a estória dos personagens chave e fornece um final satisfatório à trama. Meyer realmente tem um bom universo em suas mãos, mas a simplicidade de sua narrativa tira um pouco do glamour que vampiros normalmente possuem na literatura.

O livro seguinte foi The Music of Primes, por Marcus Du Satoy. O livro é a estória da Hipótese Riemann, um dos maiores problemas não solucionados na matemática e sua relação com os números primos e os segredos que se escondem por trás dos mesmos, juntando vários ramos distintos dessa bela ciência. Du Satoy faz um belo trabalho em ilustrar a importância e os mistérios dos primeiros e discorrer eloqüentemente sobre a cadeia de descobertas que levou Riemann à sua hipótese. Finalmente, ele fornece os detalhes das tentativas de elucidar o mistério até os dias atuais, finalizando com os caminhos que poderão ser seguidos frente a uma solução para o problema.

Fechei o mês lendo Camouflage, do Joe Haldeman. Vencedor do Nebula de 2005, o livro conta a estória de dois seres imortais, presente na Terra a milhões de anos, cuja memória do próprio passado é quase inexistente e a busca dos mesmos para descobrir suas origens através de um misterioso artefato encontrado em uma fossa submarina. O livro é rápido e primoroso em seu desenvolvimento dos personagens e da apresentação de inteligências estranhas à Terra fazendo o seu caminho entre humanos insuspeitos rumos ao seu destino. Se passando em um futuro próximo, com breves incursões ao passado para explicar detalhes da trajetória dos dois seres, o livro conseguiu me manter preso do começo ao fim. Leitura bem recomendada.

Nos filmes, o mês começou com Outlander, uma mistura de ficção científica com lendas vikings que, surpreendentemente, consegue funcionar bem. Com exceção da atuação usualmente fraca de Jim Cavieziel, o filme consegue entreter e apresentar uma trama plausível na maior parte do tempo, refazendo o mito de Beowulf com toques alienígenas.

Um outro bom filme do mês foi Taken que apresenta Liam Neeson na pele de um ex-agente da CIA cuja filha é raptada em uma viagem para a Europa começando uma maratona de 96 horas para tentar recuperá-la antes que ela desapareça para sempre. Neeson faz um espião pragmático e inescrupuloso que me lembra muito Jason Bourne dos livros e não dos filmes. O filme vale muito a pena.

You Don’t Mess with the Zohan foi divertido como a maioria dos filmes de Adam Sandler mas sem maiores surpresas. Meet Dave, por sua vez, mostra um Eddie Murphy um pouco mais passável do que seus grotescos filmes dos últimos anos e rende algumas risadas. Swing Vote mostra um Kevin Costner divertido ao lado de igualmente engraçados Dennis Hopper e Kelsey Grammer e consegue passar bem o tempo. Fechei o mês com Death Race, o remake do filme de mesmo nome de 1973, estrelado agora por Jason Statham. Suficientemente divertido para valer o tempo gasto.

Em breve, volto com Abril que, pelo visto, vai render um resumo bem curto.

Balanço cultural de fevereiro

April 6th, 2009 § 0 comments § permalink

Alguém brincou comigo recentemente que eu só escrevo balanços culturais no blogs. Verdade, tirando o texto de ontem. Mas, para continuar a tradução, vamos lá com o balanço atrasado de fevereiro.

O resultado do mês foi o seguinte:

  • 11 livros
  • 1 estória em quadrinhos
  • 9 filmes

Nas estórias em quadrinhos, continuei lendo o segundo volume combinado de Sandman, do Neil Gaiman. Como sempre, Gaiman excede as expectativas e em The Doll’s House é que vemos pela primeira vez uma das suas personagens mais icônicas, a Morte. Ainda mais do que no primeiro volume, fiquei encantando com a mistura que Gaiman faz de mitologia, história e pura imaginação para criar um mundo único onde tudo é possível e onde cada pequena detalhe esconde mais estórias por trás.

Já nos livros, comecei o mês finalizando a minha releitura dos primeiros três volumes da série The Sword of Truth, do Terry Goodkind, com o terceiro volume da mesma: Blood of the Fold. Esse é um dos volumes mais lentos da série e talvez seja por isso que não continuei até o sexto volume, como era minha intenção original. Ainda é uma boa estória, mas bem inferior aos volumes que considero os melhores–o primeiro, o quarto e o sexto.

Na seqüência, li de uma vez os cinco volumes da série The Belgariad de David Eddings. O Eddings me fora mencionado como um bom autor de fantasia e como esse é um dos seus trabalhos mais famosos, acabei decidindo começar por aí. Os cinco livros, na verdade, são um mero artefato de publicação já que forma uma única estória e, com a óbvia exceção do último, sempre terminam em cliffhangers.

Os cinco livros–Pawn of Prophecy, Queen of Sorcery, Magician’s Gambit, Castle of Wizardry, Enchanters’ End Game–referenciam termos do jogo de xadrez e a idéia de uma disputa entre duas forças é uma constante nos livros. A estória segue as linhas gerais de fantasia com um herói predestinado a resolver um conflito pendente no livro–no caso, restaurar o balanço entre dois cenários de profecia que ameaça o universo–e também não mostra nada mais aventuresco em termos literários com um sistema de magia simples, personagens caricatos e especialmente, uma visão patética do interesse romântico/sexual entre dois personagens chave. No geral, fique bem decepcionado com a primeira experiência e é improvável que eu me aventure tão cedo com outra coisa que Eddings tenha escrito. Ele parece ser um autor bem famoso e que vende bem, mas essa estória inicial não conseguiu me dar a sensação profunda e histórica de um Jordan, quando mais de um Donaldson.

O livro seguinte foi Qual é a Tua Obra, do Mário Sérgio Cortella. Ganhei o livro em um de seus seminários–que são muitos bons, por sinal–e o livro é essencialmente um resumo da visão que ele tem sobre liderança. O livro é dividido em grandes sessões temáticas sobre ética da liderança com capítulos pequenos auto-contidos sobre um assunto em particular. Para quem assistiu as palestras que ele dá, é um bom resumo do material e para quem não assistiu, vale a pena a leitura por uma visão honesta e sincera da liderança corporativa nos tempos relativos atuais.

Continuando, li os três primeiros livros da série Twilight, da Stephenie Meyer. Os livros são suficientemente famosos para dispensar apresentações e, apesar dos comentários, não são tão horrendos quanto parecem. Eu gosto de estórias de vampiros e Meyer apresenta algumas variações interessantes para valer uma leitura rápida–os livros são tão simples que podem ser lidos de uma sentada só rapidamente–e, inclusive, usaria os comentários de Stephen King sobre eles para descrever a idéia geral: Meyer escreve mal mas conta uma boa estória. Um pouco mais de cuidado literário teria tornado os livros realmente interessantes. Como eu já disse em várias ocasiões aqui, valorizo qualquer literatura que leve outros a lerem mais. Meyer, pelo visto, conseguiu isso e já merece meu respeito.

Fechei o mês lendo The Way of the Peaceful Warrior, de Dan Millman. Eu tinha visto o filme algum tempo atrás e, dispensando o tratamento Holywoodiano de filmes, achei o assunto suficientemente interessante para procurar o livro. Um colega me emprestou e, infelizmente, é o mesmo tipo de material que Paulo Coelho produz: distorções pseudo-filosóficas de conceitos budistas e de outras religiões orientais. Chega a ser interessante em alguns pontos mas morre pelo excesso de misticismo.

No resumo, literariamente, um mês que eu gostaria de esquecer. :-)

Nos filmes, a coisa não foi muito diferente. Com exceção de dois filmes, o resto não valeu a pena.

O primeiro interessante foi Seven Pounds, com o Will Smith. Smith repete uma performance similar à vista em The Pursuit of Happyness (sic) em uma estória interessante de um homem perturbado por acontecimentos em sua vida que decide procurar a redenção ajudando sete estranhos. Embora convoluto e procurando um excesso de emoções em alguns pontos, conta bem a estória proposta e apresenta uma dinâmica muito boa entre Will Smith e Rosario Dawson.

O segundo bom foi Being There, o último filme de Peter Sellers. Indicação de um amigo, o filme mostra a surreal estória de um jardineiro autista que, com a morte de seu empregador e protetor, se vê atirado em um mundo hostil. Ao sofrer um acidente pequeno, é recebido na casa de um industrial influencial e moribundo que toma suas declarações simples e banais como verdades profundas. Uma deliciosa sátira filosófica em múltiplos níveis sobre o poder da inocência, o significado de humanidade e a indecência da crença, o filme mostra Sellers em seu melhor com um elenco estelar de apoio: Shirley MacLaine, no papel da esposa do industrial, e Melvyn Douglas, que ganhou um Oscar por sua atuação brilhante como um homem poderoso em busca de significado para seus atos e redenção por sua vida.

Babylon AD acabei vendo somente por minha admiração por Vin Diesel, um ator que poderia ser brilhante e ainda assim insiste em escolher participar em filmes medíocres. Ele é divertido o suficiente para fazer alguns filmes funcionar, mas Babylon AD é tão mal contado que nada poderia salvá-lo. Aparentemente o filme acabou em uma briga entre o diretor e o estúdio, tornando-o quase impossível de assistir pelos cortes abruptos e sem sentido na estória.

No mais, Get Smart é um bobo remake da estória do Agente 86; Rambo 4 é uma desculpa para mostrar tripas explodindo e o físico horrendamente bombado de Stallone, Madagascar 2 só se salva nos momentos em que os pingüins aparecem e The Chronicles of Narnia: Prince Caspian é uma versão piorada do primeiro que não se salva nem nos momentos em que o leão gigantesco da estória original está presente–que um leão seja o personagem mais expressivo do filme mostra o quão bom ele foi.

Próximo mês, algumas leituras mais decentes eu espero.

Frustração

February 18th, 2009 § 0 comments § permalink

Incômodo, um balanço arriado,
uma lasca na mão, um caco de vidro no pé.
Subindo pela garganta,
o sangue quente, a alma talhada.

Um grito contido,
a voz que reluta em sair.
Não me enxerga?
Não me vê?

Vou berrar pelos cantos da terra,
aquilo que só eu posso perceber.
Se ninguém mais entender,
a culpa é de quem?

Balanço cultural de janeiro

February 6th, 2009 § 2 comments § permalink

Em janeiro retomei meu ritmo usual de leitura e filmes com o seguinte resultado:

  • 8 livros
  • 4 filmes
  • 10 episódios de série

Os três primeiros livros do mês foram The Fall of Hyperion, Endymion e The Rise of Endymion, todos por Dan Simmons e que juntos com Hyperion, lido do mês anterior, compõem a tetralogia Hyperion Cantos.

Enquanto o primeiro desses três livros termina a estória começado em Hyperion, os dois seguintes pulam quase que 300 anos para o futuro para explicar o panorama mais abrangente que permeia o Cantos. Os livros mostram um clara progressão no domínio do tema por Simmons, mas confesso que não achei a segunda parte do Cantos tão interessante quanto a primeira. Simmons explora bem a mitologia por trás do que está contando mas algumas coisas–com a longa peregrinação feita pelos personagens principais–se arrastam sem oferecer uma conclusão satisfatória sobre a necessidade de algumas passagens. O final é bem resolvido e amarra a maioria das pontas soltas mas carece do impacto da conclusão da primeira parte.

Seguindo o mês, li The Productive Programmer, por Neal Ford. O livro é uma compilação de dicas e técnicas para aumentar a produtividade que vão desde conceitos mais gerais como TDD, passando por itens de interesse a longo prazo como escolher o editor correto até dicas do dia-a-dia sobre como gerenciar atalhos e comandos no shell. Algumas das dicas são genéricas, outras se aplicam a somente um sistema operacional, mas todas podem acrescentar algum valor à vida do programador. Não é um livro para ler uma vez só mas para rever periodicamente implementando gradualmente as técnicas demonstradas.

Continuando, foi a vez de reler Peopleware, o clássico de Tom DeMarco e Timothy Lister. A primeira vez que li o livro foi na perspectiva de um programador, aproveitando determinados aspectos do livro. Lendo agora no papel de um Agile Manager, a perspectiva diferente é bem interessante. Esse é um livro que eu vivo citando e a segunda leitura não foi menos interessante do que a primeira, embora agora a capacidade específica de atuar tenha uma atração adicional.

Os dois livros seguintes também foram uma releitura. Embora eu realmente não bata com o estilo pregacional que Terry Goodkind adota em seus livros–ele força a barra várias vezes para mostrar seu ponto de vista–continuo achanado que ele é um excelente contador de estórias. Acabei relendo Wizard’s First Rule e Stone of Tears, os dois primeiros livros da série The Sword of Truth. A releitura foi inspirada pelos primeiros episódios da adaptação da mesma para TV, na recente série The Legend of the Seeker e foi interessante ver as diferenças do livro para a representação na tela.

Fechei o mês lendo The Diamond Age, outro clássico de Neal Stephenson que eu ainda não tinha lido. Dessa vez Stephenson mistura nanotecnologia com um mundo onde o modo de vida vitoriano ganhou ascendência e filos similares aos grupos mostrados em Snow Crash competem entre si. No meio disso, um projeto implementando por um cientista cai em mãos erradas e começa a transformar o mundo conhecido envolvendo várias facções em uma disputa por tecnologia e mentes. Como sempre, a visão de Stephenson é gigantesca e ele consegue criar um mundo completamente diferente do nosso e ainda assim realista e consistente. Mais um que não desaponta.

Nos filmes, comecei o mês vendo o remake de The Day the Earth Stood Still. Estória simplória, atores que não dão nem um esforço mínimo para convencer e propaganda descarada são contínuos dentro do filme. Esse dá para esquecer antes mesmo que você termine de sair do cinema.

Tropic Thunder é divertido no modo usual de Ben Stiller e Jack Black e conta com a participação hilária de Robert Downey Jr., mas também não convence. Dá para rir bastante com algumas partes mas a estória já cansou.

Righteous Kill, com os pesos pesado Al Pacino e Robert De Niro é uma tentativa de refazer o sucesso que Heat (Fogo contra Fogo) teve. Os dois dão um show como seria de esperar, mas o filme possui um enredo um tanto ou quanto pobre e previsível que nem a atuação e química entre eles consegue tornar algo grandioso. Algumas falas e cortes são tão inspirados que seria de esperar que o filme todo produzisse algo melhor, mas mesmo aproveitando a precisão e combinação de Pacino e De Niro, o filme não tem peso para ser um clássico.

Finalmente, fechei o mês em filmes com Layer Cake, uma divertida comédia com Daniel Craig no papel de um traficante que quer deixar a vida de crime e descobre que as coisas não são tão fáceis como parece.

Nas séries, o retorno de Lost foi forte, mostrando que a quarta temporada não foi uma coincidência e que os fãs podem esperar uma boa conclusão. Battlestar Galactica, ao contrário, parece perdida e dá a impressão de que uma quinta temporada pode ser empurrada goela abaixo dos fãs. Ou isso, ou um final cataclísmico vem por aí.

Balanço cultural de 2008

January 6th, 2009 § 4 comments § permalink

Mesmo sendo um ano agitado, deu para ler e ver bastante coisa em 2008. Não vou fazer uma lista de destaques como fiz no ano passado, mas só comparar rapidamente os números:

  • Livros: 68 (68 no ano anterior)
  • Filmes: 73 (106 no ano anterior)
  • Séries: 94 (200 no ano anterior)
  • Contos: 12 (nenhum no ano anterior)
  • Quadrinhos: 2 (nenhum no ano anterior)
  • Teatro: 1 (não lembro no ano anterior)

Consegui ler o mesmo tanto de livros, o que é bom. Reduzi o número de filmes e séries, o que também é bom, considerando que a safra do ano passado não foi lá essas coisas.

Estou começando a ler alguns quadrinhos novamente, aproveitando que o pessoal da WebCo possui vários dos clássicos que fizeram época. Confesso que sou um péssimo conhecedor do assunto e nesse final de ano comecei a seguir algumas recomendações. Vamos ver o que dá no próximo ano.

Finalmente, vergonha completa em qualquer coisa que exija sair de casa. 😉 Nesse ano agora, espero conseguir ir mais ao teatro, ouvir mais orquestras e, em geral, fazer mais coisas do tipo.

Balanço cultural de dezembro

January 6th, 2009 § 0 comments § permalink

Dezembro foi um mês bem atípico para mim nas leituras. Depois dos primeiros quinze dias agitados, resolvi tirar férias pela primeira vez em quatro anos. O resultado foi o seguinte:

  • 3 livros
  • 35 episódios de séries

Comecei o mês com Halting State, de Charles Stross. Stross é um dos poucos autores que consegue escrever sobre futuros próximos de uma forma plausível. Seus livros são cheios de especulações tecnológicas e sociais que poderiam muito bem ser as notícias de amanhã e Halting State não é uma exceção.

Nesse livro, o ponto focal é o roubo de um banco–com o detalhe de que o banco é localizado em um jogo que é essencialmente uma versão futura do World of Warcraft. A partir disso, Stross pinta uma novela detetivesca em um mundo onde a convergência já aconteceu e realidade consensual é algo do dia-a-dia, explorando as implicações disso tanto para os relacionamentos entre as pessoas como para a diplomacia internacional.

Seguindo no mês, completei mais uma passo da minha educação cyberpunk lendo Snow Crash, de Neal Stephenson. Eu sei que é uma vergonha confessar, mas eu ainda não li muitos dos romances originais do movimento. Estou recuperando agora.

Snow Crash é um Stephenson clássico, com o mesmo humor, verve e capacidade de extrapolação exibida nos livros mais recentes do mestre do cyberpunk. Só mesmo Stephenson para chamar o seu personagem principal de Hiro Protagonist e torná-lo um samurai, hacker e entregador de pizza. Além disso, é impressionante como um livro de 1992 pode parecer completamente atual. Nada do que ele escreve sente datado.

A estória segue Hiro e seus vários associados enquanto ele tenta descobrir o mistério por trás de uma droga virtual chamada Snow Crash cujo alvo específico são os hackers e os mistérios por trás dos seus criadores e distribuidores. Leitura perfeita para geeks.

Finalmente, terminei o mês lendo Hyperion, por Dan Simmons. Do Simmons eu havia lido anteriormente Ilium e Olympus, sua duologia pós-humana reconstruindo a guerra de Tróia em um futuro distante e fiquei impressionado com sua mistura de pós-tecnologia e literatura (baseada primariamente em Shakespeare, Homero, Proust e Nabokov). Hyperion estava na fila há tempo por ter ganho o Hugo e segue o mesmo padrão, desta vez misturando The Cantebury Tales e John Keats.

Obviamente, por ser mais antigo, o livro demonstra um domínio menor das técnicas que tornaram o trabalho de Simmons famoso e o fato de que eu li os trabalhos posteriores primeiro implicou em notar algumas falhas que eu não teria notado de outra forma. Mesmo assim, gostei do livro o suficiente para prosseguir pelos outros três que seguem Hyperion e estou quase terminando o quarto e final.

Nas séries, só mesmo completando o que ainda não tinha visto das que eu acompanho nos corridos meses anteriores. Com a exceção de uma menção desonrosa para Heroes, que permanece uma porcaria completa, estou esperando somente os retornos do próximo ano.

Agora é só seguir para a fila do próximo ano. :)

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