Balanço cultural de março

April 26th, 2009 § 2 comments § permalink

Novamente atrasado, chega a vez do balanço cultural de março que, em relação à minha média normal, foi um mês bem fraco. O resultado do mês ficou assim:

  • 3 livros;
  • 2 estórias em quadrinhos;
  • 7 filmes.

Nas estórias em quadrinhos, terminei os volumes três e quatro de Sandman, do Neil Gaiman. Dream Contry, o terceiro volume, é um belo interlúdio centrado no Senhor dos Sonhos de maneiras bem sutis e tipicamente Gaimanianas. Especialmente digna de nota é a última estória do livro, A Dream of a Thousand Cats, que consegue é fantástica e amendrontadora em sua simplicidade lírica. Já o quarto volume, Season of Mists é uma descida na vida íntima dos Perpétuos, mostrando o seu relacionamento–em especial com a história não resolvido da primeiro amor do Senhor dos Sonhos–e contendo uma seqüência absolutamente estonteante em volta de uma épica decisão por parte de Lúcifer em relação ao inferno.

Nos livros, comecei o mês fechando a série Twilight com a leitura do último livro. Como mencionei no balanço cultural anterior, Meyer consegue contar uma boa estória e o quarto livro está à altura do primeiro–depois dos dois intermediários não tão interessantes. O livro finaliza a estória dos personagens chave e fornece um final satisfatório à trama. Meyer realmente tem um bom universo em suas mãos, mas a simplicidade de sua narrativa tira um pouco do glamour que vampiros normalmente possuem na literatura.

O livro seguinte foi The Music of Primes, por Marcus Du Satoy. O livro é a estória da Hipótese Riemann, um dos maiores problemas não solucionados na matemática e sua relação com os números primos e os segredos que se escondem por trás dos mesmos, juntando vários ramos distintos dessa bela ciência. Du Satoy faz um belo trabalho em ilustrar a importância e os mistérios dos primeiros e discorrer eloqüentemente sobre a cadeia de descobertas que levou Riemann à sua hipótese. Finalmente, ele fornece os detalhes das tentativas de elucidar o mistério até os dias atuais, finalizando com os caminhos que poderão ser seguidos frente a uma solução para o problema.

Fechei o mês lendo Camouflage, do Joe Haldeman. Vencedor do Nebula de 2005, o livro conta a estória de dois seres imortais, presente na Terra a milhões de anos, cuja memória do próprio passado é quase inexistente e a busca dos mesmos para descobrir suas origens através de um misterioso artefato encontrado em uma fossa submarina. O livro é rápido e primoroso em seu desenvolvimento dos personagens e da apresentação de inteligências estranhas à Terra fazendo o seu caminho entre humanos insuspeitos rumos ao seu destino. Se passando em um futuro próximo, com breves incursões ao passado para explicar detalhes da trajetória dos dois seres, o livro conseguiu me manter preso do começo ao fim. Leitura bem recomendada.

Nos filmes, o mês começou com Outlander, uma mistura de ficção científica com lendas vikings que, surpreendentemente, consegue funcionar bem. Com exceção da atuação usualmente fraca de Jim Cavieziel, o filme consegue entreter e apresentar uma trama plausível na maior parte do tempo, refazendo o mito de Beowulf com toques alienígenas.

Um outro bom filme do mês foi Taken que apresenta Liam Neeson na pele de um ex-agente da CIA cuja filha é raptada em uma viagem para a Europa começando uma maratona de 96 horas para tentar recuperá-la antes que ela desapareça para sempre. Neeson faz um espião pragmático e inescrupuloso que me lembra muito Jason Bourne dos livros e não dos filmes. O filme vale muito a pena.

You Don’t Mess with the Zohan foi divertido como a maioria dos filmes de Adam Sandler mas sem maiores surpresas. Meet Dave, por sua vez, mostra um Eddie Murphy um pouco mais passável do que seus grotescos filmes dos últimos anos e rende algumas risadas. Swing Vote mostra um Kevin Costner divertido ao lado de igualmente engraçados Dennis Hopper e Kelsey Grammer e consegue passar bem o tempo. Fechei o mês com Death Race, o remake do filme de mesmo nome de 1973, estrelado agora por Jason Statham. Suficientemente divertido para valer o tempo gasto.

Em breve, volto com Abril que, pelo visto, vai render um resumo bem curto.

Balanço cultural de fevereiro

April 6th, 2009 § 0 comments § permalink

Alguém brincou comigo recentemente que eu só escrevo balanços culturais no blogs. Verdade, tirando o texto de ontem. Mas, para continuar a tradução, vamos lá com o balanço atrasado de fevereiro.

O resultado do mês foi o seguinte:

  • 11 livros
  • 1 estória em quadrinhos
  • 9 filmes

Nas estórias em quadrinhos, continuei lendo o segundo volume combinado de Sandman, do Neil Gaiman. Como sempre, Gaiman excede as expectativas e em The Doll’s House é que vemos pela primeira vez uma das suas personagens mais icônicas, a Morte. Ainda mais do que no primeiro volume, fiquei encantando com a mistura que Gaiman faz de mitologia, história e pura imaginação para criar um mundo único onde tudo é possível e onde cada pequena detalhe esconde mais estórias por trás.

Já nos livros, comecei o mês finalizando a minha releitura dos primeiros três volumes da série The Sword of Truth, do Terry Goodkind, com o terceiro volume da mesma: Blood of the Fold. Esse é um dos volumes mais lentos da série e talvez seja por isso que não continuei até o sexto volume, como era minha intenção original. Ainda é uma boa estória, mas bem inferior aos volumes que considero os melhores–o primeiro, o quarto e o sexto.

Na seqüência, li de uma vez os cinco volumes da série The Belgariad de David Eddings. O Eddings me fora mencionado como um bom autor de fantasia e como esse é um dos seus trabalhos mais famosos, acabei decidindo começar por aí. Os cinco livros, na verdade, são um mero artefato de publicação já que forma uma única estória e, com a óbvia exceção do último, sempre terminam em cliffhangers.

Os cinco livros–Pawn of Prophecy, Queen of Sorcery, Magician’s Gambit, Castle of Wizardry, Enchanters’ End Game–referenciam termos do jogo de xadrez e a idéia de uma disputa entre duas forças é uma constante nos livros. A estória segue as linhas gerais de fantasia com um herói predestinado a resolver um conflito pendente no livro–no caso, restaurar o balanço entre dois cenários de profecia que ameaça o universo–e também não mostra nada mais aventuresco em termos literários com um sistema de magia simples, personagens caricatos e especialmente, uma visão patética do interesse romântico/sexual entre dois personagens chave. No geral, fique bem decepcionado com a primeira experiência e é improvável que eu me aventure tão cedo com outra coisa que Eddings tenha escrito. Ele parece ser um autor bem famoso e que vende bem, mas essa estória inicial não conseguiu me dar a sensação profunda e histórica de um Jordan, quando mais de um Donaldson.

O livro seguinte foi Qual é a Tua Obra, do Mário Sérgio Cortella. Ganhei o livro em um de seus seminários–que são muitos bons, por sinal–e o livro é essencialmente um resumo da visão que ele tem sobre liderança. O livro é dividido em grandes sessões temáticas sobre ética da liderança com capítulos pequenos auto-contidos sobre um assunto em particular. Para quem assistiu as palestras que ele dá, é um bom resumo do material e para quem não assistiu, vale a pena a leitura por uma visão honesta e sincera da liderança corporativa nos tempos relativos atuais.

Continuando, li os três primeiros livros da série Twilight, da Stephenie Meyer. Os livros são suficientemente famosos para dispensar apresentações e, apesar dos comentários, não são tão horrendos quanto parecem. Eu gosto de estórias de vampiros e Meyer apresenta algumas variações interessantes para valer uma leitura rápida–os livros são tão simples que podem ser lidos de uma sentada só rapidamente–e, inclusive, usaria os comentários de Stephen King sobre eles para descrever a idéia geral: Meyer escreve mal mas conta uma boa estória. Um pouco mais de cuidado literário teria tornado os livros realmente interessantes. Como eu já disse em várias ocasiões aqui, valorizo qualquer literatura que leve outros a lerem mais. Meyer, pelo visto, conseguiu isso e já merece meu respeito.

Fechei o mês lendo The Way of the Peaceful Warrior, de Dan Millman. Eu tinha visto o filme algum tempo atrás e, dispensando o tratamento Holywoodiano de filmes, achei o assunto suficientemente interessante para procurar o livro. Um colega me emprestou e, infelizmente, é o mesmo tipo de material que Paulo Coelho produz: distorções pseudo-filosóficas de conceitos budistas e de outras religiões orientais. Chega a ser interessante em alguns pontos mas morre pelo excesso de misticismo.

No resumo, literariamente, um mês que eu gostaria de esquecer. :-)

Nos filmes, a coisa não foi muito diferente. Com exceção de dois filmes, o resto não valeu a pena.

O primeiro interessante foi Seven Pounds, com o Will Smith. Smith repete uma performance similar à vista em The Pursuit of Happyness (sic) em uma estória interessante de um homem perturbado por acontecimentos em sua vida que decide procurar a redenção ajudando sete estranhos. Embora convoluto e procurando um excesso de emoções em alguns pontos, conta bem a estória proposta e apresenta uma dinâmica muito boa entre Will Smith e Rosario Dawson.

O segundo bom foi Being There, o último filme de Peter Sellers. Indicação de um amigo, o filme mostra a surreal estória de um jardineiro autista que, com a morte de seu empregador e protetor, se vê atirado em um mundo hostil. Ao sofrer um acidente pequeno, é recebido na casa de um industrial influencial e moribundo que toma suas declarações simples e banais como verdades profundas. Uma deliciosa sátira filosófica em múltiplos níveis sobre o poder da inocência, o significado de humanidade e a indecência da crença, o filme mostra Sellers em seu melhor com um elenco estelar de apoio: Shirley MacLaine, no papel da esposa do industrial, e Melvyn Douglas, que ganhou um Oscar por sua atuação brilhante como um homem poderoso em busca de significado para seus atos e redenção por sua vida.

Babylon AD acabei vendo somente por minha admiração por Vin Diesel, um ator que poderia ser brilhante e ainda assim insiste em escolher participar em filmes medíocres. Ele é divertido o suficiente para fazer alguns filmes funcionar, mas Babylon AD é tão mal contado que nada poderia salvá-lo. Aparentemente o filme acabou em uma briga entre o diretor e o estúdio, tornando-o quase impossível de assistir pelos cortes abruptos e sem sentido na estória.

No mais, Get Smart é um bobo remake da estória do Agente 86; Rambo 4 é uma desculpa para mostrar tripas explodindo e o físico horrendamente bombado de Stallone, Madagascar 2 só se salva nos momentos em que os pingüins aparecem e The Chronicles of Narnia: Prince Caspian é uma versão piorada do primeiro que não se salva nem nos momentos em que o leão gigantesco da estória original está presente–que um leão seja o personagem mais expressivo do filme mostra o quão bom ele foi.

Próximo mês, algumas leituras mais decentes eu espero.

Balanço cultural de janeiro

February 6th, 2009 § 2 comments § permalink

Em janeiro retomei meu ritmo usual de leitura e filmes com o seguinte resultado:

  • 8 livros
  • 4 filmes
  • 10 episódios de série

Os três primeiros livros do mês foram The Fall of Hyperion, Endymion e The Rise of Endymion, todos por Dan Simmons e que juntos com Hyperion, lido do mês anterior, compõem a tetralogia Hyperion Cantos.

Enquanto o primeiro desses três livros termina a estória começado em Hyperion, os dois seguintes pulam quase que 300 anos para o futuro para explicar o panorama mais abrangente que permeia o Cantos. Os livros mostram um clara progressão no domínio do tema por Simmons, mas confesso que não achei a segunda parte do Cantos tão interessante quanto a primeira. Simmons explora bem a mitologia por trás do que está contando mas algumas coisas–com a longa peregrinação feita pelos personagens principais–se arrastam sem oferecer uma conclusão satisfatória sobre a necessidade de algumas passagens. O final é bem resolvido e amarra a maioria das pontas soltas mas carece do impacto da conclusão da primeira parte.

Seguindo o mês, li The Productive Programmer, por Neal Ford. O livro é uma compilação de dicas e técnicas para aumentar a produtividade que vão desde conceitos mais gerais como TDD, passando por itens de interesse a longo prazo como escolher o editor correto até dicas do dia-a-dia sobre como gerenciar atalhos e comandos no shell. Algumas das dicas são genéricas, outras se aplicam a somente um sistema operacional, mas todas podem acrescentar algum valor à vida do programador. Não é um livro para ler uma vez só mas para rever periodicamente implementando gradualmente as técnicas demonstradas.

Continuando, foi a vez de reler Peopleware, o clássico de Tom DeMarco e Timothy Lister. A primeira vez que li o livro foi na perspectiva de um programador, aproveitando determinados aspectos do livro. Lendo agora no papel de um Agile Manager, a perspectiva diferente é bem interessante. Esse é um livro que eu vivo citando e a segunda leitura não foi menos interessante do que a primeira, embora agora a capacidade específica de atuar tenha uma atração adicional.

Os dois livros seguintes também foram uma releitura. Embora eu realmente não bata com o estilo pregacional que Terry Goodkind adota em seus livros–ele força a barra várias vezes para mostrar seu ponto de vista–continuo achanado que ele é um excelente contador de estórias. Acabei relendo Wizard’s First Rule e Stone of Tears, os dois primeiros livros da série The Sword of Truth. A releitura foi inspirada pelos primeiros episódios da adaptação da mesma para TV, na recente série The Legend of the Seeker e foi interessante ver as diferenças do livro para a representação na tela.

Fechei o mês lendo The Diamond Age, outro clássico de Neal Stephenson que eu ainda não tinha lido. Dessa vez Stephenson mistura nanotecnologia com um mundo onde o modo de vida vitoriano ganhou ascendência e filos similares aos grupos mostrados em Snow Crash competem entre si. No meio disso, um projeto implementando por um cientista cai em mãos erradas e começa a transformar o mundo conhecido envolvendo várias facções em uma disputa por tecnologia e mentes. Como sempre, a visão de Stephenson é gigantesca e ele consegue criar um mundo completamente diferente do nosso e ainda assim realista e consistente. Mais um que não desaponta.

Nos filmes, comecei o mês vendo o remake de The Day the Earth Stood Still. Estória simplória, atores que não dão nem um esforço mínimo para convencer e propaganda descarada são contínuos dentro do filme. Esse dá para esquecer antes mesmo que você termine de sair do cinema.

Tropic Thunder é divertido no modo usual de Ben Stiller e Jack Black e conta com a participação hilária de Robert Downey Jr., mas também não convence. Dá para rir bastante com algumas partes mas a estória já cansou.

Righteous Kill, com os pesos pesado Al Pacino e Robert De Niro é uma tentativa de refazer o sucesso que Heat (Fogo contra Fogo) teve. Os dois dão um show como seria de esperar, mas o filme possui um enredo um tanto ou quanto pobre e previsível que nem a atuação e química entre eles consegue tornar algo grandioso. Algumas falas e cortes são tão inspirados que seria de esperar que o filme todo produzisse algo melhor, mas mesmo aproveitando a precisão e combinação de Pacino e De Niro, o filme não tem peso para ser um clássico.

Finalmente, fechei o mês em filmes com Layer Cake, uma divertida comédia com Daniel Craig no papel de um traficante que quer deixar a vida de crime e descobre que as coisas não são tão fáceis como parece.

Nas séries, o retorno de Lost foi forte, mostrando que a quarta temporada não foi uma coincidência e que os fãs podem esperar uma boa conclusão. Battlestar Galactica, ao contrário, parece perdida e dá a impressão de que uma quinta temporada pode ser empurrada goela abaixo dos fãs. Ou isso, ou um final cataclísmico vem por aí.

Balanço cultural de 2008

January 6th, 2009 § 4 comments § permalink

Mesmo sendo um ano agitado, deu para ler e ver bastante coisa em 2008. Não vou fazer uma lista de destaques como fiz no ano passado, mas só comparar rapidamente os números:

  • Livros: 68 (68 no ano anterior)
  • Filmes: 73 (106 no ano anterior)
  • Séries: 94 (200 no ano anterior)
  • Contos: 12 (nenhum no ano anterior)
  • Quadrinhos: 2 (nenhum no ano anterior)
  • Teatro: 1 (não lembro no ano anterior)

Consegui ler o mesmo tanto de livros, o que é bom. Reduzi o número de filmes e séries, o que também é bom, considerando que a safra do ano passado não foi lá essas coisas.

Estou começando a ler alguns quadrinhos novamente, aproveitando que o pessoal da WebCo possui vários dos clássicos que fizeram época. Confesso que sou um péssimo conhecedor do assunto e nesse final de ano comecei a seguir algumas recomendações. Vamos ver o que dá no próximo ano.

Finalmente, vergonha completa em qualquer coisa que exija sair de casa. 😉 Nesse ano agora, espero conseguir ir mais ao teatro, ouvir mais orquestras e, em geral, fazer mais coisas do tipo.

Balanço cultural de dezembro

January 6th, 2009 § 0 comments § permalink

Dezembro foi um mês bem atípico para mim nas leituras. Depois dos primeiros quinze dias agitados, resolvi tirar férias pela primeira vez em quatro anos. O resultado foi o seguinte:

  • 3 livros
  • 35 episódios de séries

Comecei o mês com Halting State, de Charles Stross. Stross é um dos poucos autores que consegue escrever sobre futuros próximos de uma forma plausível. Seus livros são cheios de especulações tecnológicas e sociais que poderiam muito bem ser as notícias de amanhã e Halting State não é uma exceção.

Nesse livro, o ponto focal é o roubo de um banco–com o detalhe de que o banco é localizado em um jogo que é essencialmente uma versão futura do World of Warcraft. A partir disso, Stross pinta uma novela detetivesca em um mundo onde a convergência já aconteceu e realidade consensual é algo do dia-a-dia, explorando as implicações disso tanto para os relacionamentos entre as pessoas como para a diplomacia internacional.

Seguindo no mês, completei mais uma passo da minha educação cyberpunk lendo Snow Crash, de Neal Stephenson. Eu sei que é uma vergonha confessar, mas eu ainda não li muitos dos romances originais do movimento. Estou recuperando agora.

Snow Crash é um Stephenson clássico, com o mesmo humor, verve e capacidade de extrapolação exibida nos livros mais recentes do mestre do cyberpunk. Só mesmo Stephenson para chamar o seu personagem principal de Hiro Protagonist e torná-lo um samurai, hacker e entregador de pizza. Além disso, é impressionante como um livro de 1992 pode parecer completamente atual. Nada do que ele escreve sente datado.

A estória segue Hiro e seus vários associados enquanto ele tenta descobrir o mistério por trás de uma droga virtual chamada Snow Crash cujo alvo específico são os hackers e os mistérios por trás dos seus criadores e distribuidores. Leitura perfeita para geeks.

Finalmente, terminei o mês lendo Hyperion, por Dan Simmons. Do Simmons eu havia lido anteriormente Ilium e Olympus, sua duologia pós-humana reconstruindo a guerra de Tróia em um futuro distante e fiquei impressionado com sua mistura de pós-tecnologia e literatura (baseada primariamente em Shakespeare, Homero, Proust e Nabokov). Hyperion estava na fila há tempo por ter ganho o Hugo e segue o mesmo padrão, desta vez misturando The Cantebury Tales e John Keats.

Obviamente, por ser mais antigo, o livro demonstra um domínio menor das técnicas que tornaram o trabalho de Simmons famoso e o fato de que eu li os trabalhos posteriores primeiro implicou em notar algumas falhas que eu não teria notado de outra forma. Mesmo assim, gostei do livro o suficiente para prosseguir pelos outros três que seguem Hyperion e estou quase terminando o quarto e final.

Nas séries, só mesmo completando o que ainda não tinha visto das que eu acompanho nos corridos meses anteriores. Com a exceção de uma menção desonrosa para Heroes, que permanece uma porcaria completa, estou esperando somente os retornos do próximo ano.

Agora é só seguir para a fila do próximo ano. :)

Exterminaram Terminator

December 15th, 2008 § 7 comments § permalink

Eu confesso que realmente tinha gostado do começo de Terminator: The Sarah Connor Chronicles. A segunda temporada, entretanto, até onde vi agora, está falhando miseravelmente. A minha previsão de que a parte de viagens no tempo se tornaria mais problemática se concretizou e os roteiristas não sabem mais onde enfiar tantos novos exterminadores.

Viagem do tempo é sempre algo difícil de fazer. Com exceção de uns poucos filmes como De Volta para o Futuro e Os 12 Macacos, é mais fácil falhar do que contar uma estória coerente. A questão é que chega uma hora que a coisa toda se converte em uma enorme seqüência de deus ex machinas que torna tudo inteiramente despropositado.

No caso das crônicas, a Skynet envia exterminadores para o passado que seria mais fácil mover a guerra para os dias atuais e dominar tudo antes de que a coisa começasse. A estratégia de mandar um exterminador após o outro é insultante para inteligência dos fãs. Aliás, a coisa toda poderia se resolvida pela Skynet de uma vez por todas se removendo para o futuro e mandando ordens do futuro profundo. Avançar o suficiente no cone histórico para ser quase impossível desalojá-la sem acabar com o resto.

Enfim, a série parece estar fazendo um sucesso moderado e deve continuar por mais um tempo. Mas o futuro é o mesmo do Smallville que divergiu tanto do cronologia oficial que só pode ser considerada uma linha alternativa. É bom, mas é ruim ao mesmo tempo. Eu preferia ver algo mais coerente com o original.

Balanço cultural de novembro

December 11th, 2008 § 2 comments § permalink

Também com alguns dias de atraso–o novo BlogBlogs foi lançado ontem com sucesso–finalmente tive tempo de escrever o balanço cultural de novembro. Como o mês foi ainda mais movimentado do que outubro, o resultado foi bem pequeno:

  • 4 livros
  • 2 quadrinhos
  • 7 filmes

Nos livros comecei com uma releitura de Atlas Shrugged. Fazia tempo que eu estava querendo revisitar o épico trabalho de Ayn Rand que define sua filosofia objetivista–não por ser um adepto–mas pela força do trabalho. A estória do homem que decidiu parar o motor do mundo e assim o fez é um tour de force em pensamento claro e narrativa forte. Apesar de ser condenado por alguns como verboso e prolixo, eu gosto do modo com Rand apresenta os caracteres e transpõe sua filosofia para o enredo sem acabar em pedantismo. Com exceção do capítulo em que o personagem principal define a filosofia em um discurso, o resto do livro é belo e consegue despertar a mente do leitor para as questões propostas sem incomodar.

O segundo livro foi The Graveyard Book, o novo infanto-juvenil de Neil Gaiman. Leitores regulares conhecem minha admiração perene pelo trabalho de Gaiman e esse livro me deixou tão satisfeito como seus demais trabalhos. Embora Coraline, seu trabalho infanto-juvenil anterior não tenha me agradado tanto, essa releitura d’O Livro da Selva de Rudyard Kipling na estória de um garoto criado por fantasmas é uma delícia de leitura.

Na seqüência li Test-Driven Development by Example, de Kent Beck, um dos maiores evangelistas dessa metodologia. O livro é simples e direto ao ponto mas falha colossalmente em não terminar os exemplos começados. O resultado é a sensação de que os exemplos são artificiais demais. Isso termina passando uma imagem ruim da técnica e deixando o leitor insatisfeito. O livro poderia ter se beneficiado enormemente de mais algumas dezenas de páginas.

Finalmente, li The Name of the Wind, o primeiro de um trilogia de Patrick Rothfuss. Atualmente é muito raro que eu leia um livro que é parte de uma série antes que a mesma esteja fechada. Entretanto o livro recebeu tantos elogios de autores que eu considero muito bons que não resisti e comprei. Não me arrependi. A estória é fascinante e eu devorei o livro. Só para dar o gosto, um pequeno trecho do mesmo (o site do livro contem todo um capítulo):

I have stolen princesses back from sleeping barrow kings. I burned down the town of Trebon. I have spent the night with Felurian and left with both my sanity and my life. I was expelled from the University at a younger age than most people are allowed in. I tread paths by moonlight that others fear to speak of during day. I have talked to Gods, loved women, and written songs that make the minstrels weep.

You may have heard of me.

Nas estórias em quadrinhos, li o primeiro volume das Crônicas de Sandman, também por Neil Gaiman (roteiro, é claro). O primeiro volume compreende as primeiras oito estórias publicadas sobre o Senhor dos Sonhos, todas fascinantes. Como fã de Neil Gaiman eu sou suspeito para falar, mas como sempre ele consegue produzir uma mistura mitológica que é absolutamente impossível não se impressionar com a pura força da estória e a quantidade de referências que Gaiman consegue por em tão poucas páginas. Já estou com os próximos volumes para finalmente corrigir esse problema na minha educação “quadrinística”. :)

Nos filmes, o mês foi razoavelmente melhor que o anterior.

Comecei o mês com Michael Clayton. George Clooney está muito no papel de um advogado envolvido em negócios escusos tentando salvar sua pele e sua família e Tilda Swinton é sempre consistente em seus papéis.

Em um mesmo fim de semana vi There Will Be Blood e No Country for Old Man. É absolutamente assustador o que alguns atores bons conseguem fazer. No primeiro, Daniel Day-Lewis mais uma vez se prova um dos atores mais poderosos de sua geração e no segundo Javier Bardem fornece uma atuação magnífica que me prendeu do começo ao fim. Fica difícil decidir qual dos dois está melhor em seus respectivos papéis e, definitivamente, ambos mereceram todos os prêmios que ganharam.

Quantum of Solace foi bem inferior ao filme anterior na franquia Bondiana mas consegue divertir. Eagle Eye também é divertido mas depende de um furo enorme do enredo para fazer sentido.

Os demais, como sempre, nem valem o comentário. :)

Balanço cultural de outubro

December 6th, 2008 § 1 comment § permalink

Com mais de um mês e meio de atraso–falta de tempo com o lançamento próximo do BlogBlogs e viagens diversas–consegui escrever sobre os livros e filmes vistos em outubro. O resultado do mês foi:

  • 7 livros
  • 10 filmes

Nos livros, o primeiro que li no mês foi Emissaries from the Dead, de Adam-Troy Castro. Eu já tinha lido alguns contos do autor, todos excelentes–inclusive, seu conto The Tangled Strings of the Marionettes é um mais belos e nostálgicos que eu já li–e ao encontrar o livro na Livraria Cultura resolvi comprar. O livro se passa em um futuro onde a humanidade é uma de milhares de raças que habitam a galáxia e não uma das particularmente melhor posicionadas. Quando um assassinato acontece em uma missão diplomática humana em uma colônia artificial criada por uma AI, uma diplomata humana deve investigar a situação sem implicar os criadores da colônia. O resultado é uma novela detetivesca bem decente que peca apenas em seus momentos finais ao tentar condensar muita informação em infodumps que acabam não sendo tão interessante. Mesmo assim, se houver uma continuação, está na minha lista.

Seguindo, li Equal Rites, de Terry Pratchett. É um dos livros mais antigos do mundo Discworld e com a cômica premissa de uma confusão em torno de passagem de poder entre magos que resulta na primeira mulher nessa posição em toda história do Discworld. Como todos livros do Pratchett, o humor é bem sarcástico e mórbido. E como nos primeiros livros do Pratchett, o final é bem fraco, fechando a história mas sem tanto impacto.

O próximo livro foi Agile Software Development with Scrum, de Ken Schwaber e Mike Beedle. O livro foi um dos primeiros a popularizarem o Scrum com uma metodologia/filosofia/processo aceitável de forma geral. O livro consegue um bom balanço de didática e evidência anedótica e explica bem os conceitos por trás do processo. Para quem não tem conhecimento algum ou está começando, é uma boa leitura introdutória.

Continuando, li Doomsday Book, de Connie Willis. O livro ganhou tanto o Hugo quanto o Nebula em sua publicação e a autora é bem conhecida por trabalhos fortes e contemplativos. A estória do livro é sobre uma estudante de História que consegue autorização para viajar ao ano de 1320 para estudar localmente os hábitos da Idade Média. Infelizmente, uma crise ligando o passado e o futuro interfere e ela se vê lançada em uma época muito pior tendo que lidar com situações inesperadas e dolorosas. O livro é belo em suas descrições e enredo mas acaba sendo um tanto ou quanto previsível. O final, em particular, pode ser visto de longe. Mesmo assim, vale a leitura pela força narrativa.

O livro seguinte foi A Fila sem Fim dos Demônios Descontentes, de Bruna Beber. Eu sou super-suspeito para falar já que a Bruna é colega de trabalho e me deu o livro de presente, mas eu realmente gostei da poesia da garota. A Bruna é carioca tresloucada e extremamente competente no que tange à escrita e isso se reflete claramente em seus poemas. :-) De pequenos e doces arranjos a poemas fortes e contundentes, ela consegue uma série de textos memoráveis que valem leituras repetidas.

Quase fechando o mês, foi a vez de The Enterprise and Scrum, também do Ken Schwaber. O livro é quase uma revisão do Agile Software Development with Scrum com aplicações para empresas de porte maior. O livro falha razoavelmente ao tentar cobrir muito material em pouco espaço que faz do mesmo quase uma coleção de apêndices. Vale correr o olho, mas não acrescenta muito ao corpo de material existente.

Finalmente, terminei o mês com The Black Swan, de Nassim Nicholas Taleb. O livro foi aclamado como um dos melhores do ano pela sua suposta explicação de eventos improváveis, mas confesso que, se a explicação está lá, ela está misturada e perdida em meio a centenas de divagações e digressões em que o autor mistura pseudo-ciência, fatos de sua vida e uma atitude de superioridade que com certeza agrada a fãs de verbosidade e explicações “rebuscadas”. O livro tem alguns méritos em quebrar algumas concepções, mas é pouco mais do que uma compilação do que outros autores vem falando há vários anos sob um verniz de modernidade e erudição. Boring, boring, boring.

Nos filmes, foi um mês bem fraco. Tirando o belo The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford e interessante 3:10 to Yuma, os demais quase não valem o comentário. Desses dois, o primeiro consegue demonstrar muito bem a ambigüidade por trás dos fatos conhecidos sobre a relação entre Jesse James e Robert Ford e o segundo consegue resgatar muito bem o espírito real do primeiros filmes e livros de faroeste.

The Invasion, em contrapartida, consegue ser mais um caro e fracassado remake de um bom filme. Há diretores que realmente acreditam que uns poucos sustos e atores famosos são suficientes para convencer uma platéia de que um filme tem estória. Hitman é um fiasco de execução que nem a bela Olga Kurylenko consegue salvar (inclusive, parece que o diretório de Quantum of Solace pensou a mesma coisa que o diretor de Hitman). Finalmente, P.S. I Love You poderia ter sido um belo filme sobre morte e recuperação mas se transforma em um drama barato e choroso.

Os demais filmes realmente dispensam comentários.

Balanço cultural de setembro

October 17th, 2008 § 0 comments § permalink

Como o mês foi bem movimentado, acabou que não deu tempo de escrever sobre o que andei lendo e assistindo nos últimos tempos. O resultado de setembro foi:

  • 8 livros
  • 12 filmes
  • 12 episódios de séries

Nos livros, comecei o mês com Linked, do Albert-László Barabási. O livro é essencialmente uma narrativa da história em torno da pesquisa sobre redes e o que essa pesquisa significa para as várias áreas de conhecimento humano. Barabási é famoso pela sua participação em vários dos trabalhos seminais sobre o assunto e oferece uma visão simples e ao mesmo tempo ampla sobre o assunto em um livro que leigos podem aproveitar inteiramente. Aliás, é um excelente livro para ilustrar alguns aspectos da recente crise econômica para quem deseja entender um pouco mais sobre a fragilidade de redes.

Seguindo, foi a vez de The Last Colony, o terceiro volume na trilogia Old Man’s War de John Scalzi. Esse é o volume mais fraco da série, sem tanta caracterização e com uma linha narrativa um pouco convoluta mas ainda é divertido o suficiente para valer a pena completar a trilogia. Nesse livro, John Perry e sua agora esposa Jane Sagan voltam para liderar uma colônia nova a pedida da União Colonial e acabam se envolvendo em um conflito de proporções enormes que pode ameaçar a própria espécie humana.

Depois disso, foi vez de Infoquake, por David Louis Edelman. Esse é o primeiro volume em um trilogia chamada Jump 225 e é um começo bem promissor. Edelman cria um futuro onde humanos utilizam tecnologia rotineiramente para atualizar seus corpos e os programas para isso são comercializados em um ecossistema econômico dinâmico, extremamente volátil e perigoso. O livro acompanha a trajetória de um jovem empresário que deseja subir ao topo desse mundo e se envolve com uma nova tecnologia chamada MultiReal que promete revolucionar complemamente o mercado. Natch, o protagonista, é manipulador e inescrupuloso, e ainda assim, simpático, o que tornar a narrativa bem interessante.

O quarto livro do mês foi Brasyl, por Ian McDonald. McDonald passou três meses no Brasil pesquisando para o livro e a estória se passar em torno de três possíveis versões do Brasil: uma no século 18, seguindo um agente jesuíta nas selvas amazônicas; uma em 2006, seguindo uma produtora de reality shows no Rio de Janeiro; e uma em 2032, seguindo um jovem empresário em São Paulo. As três estórias se juntam em uma misteriosa tecnologia que permite a movimentação por entre os múltiplos possíveis mundos. McDonald fez o seu trabalho e mostra um razoável conhecimento geográfico do Brasil, conseguindo inserir isso na trama, mas, como qualquer autor estrangeiro tentando fazer a mesma coisa, falha miseravelmente em várias áreas culturais. O livro é ao mesmo tempo intrigante e frustante nesse aspecto. Vale a leitura, mas o leitor deve se preparar para várias concepções erradas sobre o Brasil.

Seguindo, reli Ender’s Game, o livro mais famoso de Orson Scott Card. Fazia tempo que eu não revia a estória de Andrew Wiggins e sua preparação para lutar contra os buggers, uma espécie alienígena que ameaça a Terra. O livro é considerado um dos maiores clássicos de SF tanto pela caracterização feita por Card quando pelas surpresas e a nova leitura foi tão interessante quanto as anteriores. A surpresa final da primeira leitura foi substituída pela compreensão das sutilezas que Card acrescenta à narrativa e isso prova a força original do livro. Vale a leitura repetida.

Depois disso, li o diminuto Whatever You Think, Think the Opposite, por Paul Arden. O livro se apresenta com uma série de conselhos para o sucesso mas acaba sendo um monte de clichés sobre como supostamente viver sua vida de maneira diferente e como oposto do usual é o ideal. Bobinho e nada inspiracional.

O penúltimo livro do mês foi The Lions of Al-Rassan, por Gavriel Guy Kay. O livro se passa no mesmo mundo de The Last Light of the Sun, que eu havia lido anteriormente e é igualmente evocativo e doce-amargo. Kay consegue mostrar um mundo inteiramente real e povoado por pessoas que você quase consegue acreditar terem existido como figuras históricas. Neste livro, a inspiração vem dos Mouros, no fim de sua época de dominiação árabe sobre a península ibérica, e a subseqüente Reconquista. A estória segue a vida de dois homens cujos destinos os colocam primeiro em favor um do outro e depois contra o outro a serviço de seus respectivos monarcas e povos. No meio disso, o destino das mulheres que amam, filhos e aliados tornam a estória inteiramente crível e marcante. Kay é certamente um dos melhores autores de ficção histórica atualmente e esse livro prova sua força mais uma vez.

Para fechar o mês, li The Difference Engine, uma colaboração entre William Gibson e Bruce Sterling que reconstrói a época vitoriana da Inglaterra em um mundo em que Babbage conseguiu desenvolver seu computador mecânica e a Revolução Digital aconteceu ao mesmo tempo que a Industrial. O livro é mais uma apanhado de estórias que se passam durante essa época, ilustrando diversos aspectos da sociedade, do que um todo coerente. Como muitos outros leitores, eu senti que esse aspecto tirou qualquer graça do que poderia ter sido um fascinante exemplo de steampunk.

Nos filmes, comecei o mês com American Gangster. Denzel Washington, como de costume, está soberbo em sua interpretação de Frank Lucas, um rei da heroína dos anos 70 em Manhattan, e Russell Crowe também não está tão ruim. Não chega aos pés de Dia de Treinamento, mas vale a pena.

Hellboy 2, o filme seguinte, decepcionou um pouco. Enquanto o primeiro era cheio de humor, bem acabado e com uma estória que fazia sentido em todos aspectos, o segundo pareceu uma desculpa para mostrar efeitos especiais. A estória é quase inexistente, a interpretação de alguns atores bem forçada e os efeitos visuais dão a sensação de que o filme se chama O Labirinto do Fauno. A única coisa razoável foi a representação dos “elfos” do filme.

The Happening foi mais uma prova de que M. Night Shyamalan deveria se dedicar a fabulas e esquecer filmes de suspense. Ele só consegue suspense corretamente quando tenta fazer outra coisa. O filme é grotesco na falta de mistério e nas tentativas patéticas de dar sustos no espectador.

O filme seguinte foi Shoot ‘Em Up que é uma comédia de ação com Clive Owen, que no filme é um pistoleiro que resgata um bebê de ser morto por “homens de preto” e tem que proteger o pimpolho com a ajuda de um prostituta e sua infalível mira. Cine pipoca de primeira qualidade para ser visto sem preocupação com a verosimilhança de qualquer coisa.

The Kingdom é um tentativa de mostrar que terrorismo gera terrorismo e que tudo pode ser visto de ângulos diferentes e explicado assim, mas também falha em porque tenta ser tudo ao mesmo tempo, um filme de ação com uma mensagem filosófica que acaba não dando em nada.

21, baseado na história do grupo de contadores de cartas do MIT é razoavelmente interessante, mas não chega a ser tão bom quanto as críticas levaram a crer. O tema é legal, mas acreditar que o tipo de ação representada no filme poderia enganar a segurança de um cassino por mais do vinte segundos é pedir demais. Tudo bem que o filme precisa de amenizar as coisas para a audiência, mas o resultado foi bem exagerado e tira um pouco da graça do filme.

O último destaque do mês foi Tin Man, uma deliciosa reinvenção de O Mágico de Oz com um tom de ficção cientifíca e steampunk. Os demais filmes, infelizmente, foram uma perda de tempo.

A experiência NetMovies

September 24th, 2008 § 101 comments § permalink

Hoje congelei minha assinatura do NetMovies depois de quase três meses de uso. O serviço é tolerável, mas não estava valendo tanto a pena nem no modo mais básico.

No interesse da clareza, devo dizer que recebi um código de acesso para experimentar o serviço por dois meses gratuitamente como parte de uma iniciativa dirigida a blogueiros. Entretanto, por causa da minha mudança para São Paulo e subseqüente peregrinação pelo mundo dos flats até encontrar um local definitivo, acabei não usando o código. Portanto, paguei os três meses nos quais utilizei o serviço.

A NetMovies, salvo engano, é o único é um serviço brasileiro que aluga filmes por assinatura, permitindo que a pessoa faça a decisão de quando quer assistir o filme e quando quer devolver. Esse é um ponto extremamente positivo para o serviço, principalmente no mundo moderno das locadoras que dificilmente deixam que você fique com o mesmo filme por mais do que um ou dois dias–em alguns casos, não importando nem a quantidade de filmes que você leva. O serviço é modelado na NetFlix, obviamente, e chega perto do que o serviço americano fornece mas ainda falta muita coisa para chegar a um serviço completo.

Um segundo ponto positivo é a disponibilidade de títulos mais antigos, raros de se encontrar em locadoras de bairro. Isso, aliado a uma boa disponibilidade de séries de televisão, tornam o serviço bem atrativo a cinéfilos de carteirinha, que gostam de variar o que vêem.

Finalmente, um outro ponto positivo é a cobertura, que bate qualquer outro serviço parecido na área. Além de estar disponível em várias cidades, a cobertura dentro das próprias cidades é bem significativa.

Dito, isso, vários motivos me levaram a abandonar a NetMovies e voltar para a locadora do quarteirão ao lado.

O primeiro é que por sorte ou coincidência, eu sempre morei em locais onde a locadora era bem servida. Tanto em Belo Horizonte como aqui em São Paulo, a locadora mais perto de casa mantém um estoque consideravelmente maior do que as concorrentes, o que torna a decisão mais fácil. Apesar do que a NetMovies anuncia, o processo de selecionar e receber o próximo filme não é tão ágil quando parece. Como o próximo filme pode chegar em qualquer horário do dia e você precisa pedir a troca até quatro horas da tarde para que ele chegue no próximo dia disponível, o mais comum é que dois dias sejam perdidos mesmo se você viu o filme do mesmo dia.

Para dar um desconto, esse é um balanço delicado entre quem vê mais filmes e quem não precisa de tantos. Mas é algo que acaba frustrando quem acredita que o serviço pode realmente fornecer vinte dois filmes em um mês no plano básico. Pode até funcionar, mas isso geralmente implica pedir o próximo filme antes que você tenha visto o anterior.

O segundo ponto que me incomodou foi a falta de disponibilidade de filmes mais recentes. Qualquer filme lançado nos últimos três meses aparentemente possui tão poucas cópias que está sempre na espera longa. Eventualmente o filme aparece, mas demora tanto que a sensação de satisfação é diminuída consideravelmente.

Isso leva ao terceiro ponto que é a impossibilidade de visualizar a sua posição na fila de espera. O máximo que aparece é se a espera é curta, média ou longa. Os termos não são qualificados e é impossível saber quando você vai receber o filme. O ideal seria mostrar o seu posicionamento na fila e garantir que você nunca suba posições. Não sei como o algoritmo funciona–pode ser que isso já aconteça–mas a visualização seria fundamental para dar a sensação de avanço.

O quarto ponto foi a questão de mudanças abruptas nos filmes enviados. Algumas vezes, dois filmes com disponibilidade imediata estavam em uma certa ordem mas a mesma não foi cumprida. Isso entra no ponto anterior de falta de visualização adequada da fila: o provável é que para o primeiro filme eu estava em segundo lugar ou coisa assim e sem ver essa posição a impressão é que houve uma mudança.

Um quinto ponto é a inexistência de pró-rata na mudança de planos. Se você pede uma mudança, ela é efetuada imediatamente com cobrança completa do novo valor sem considerar o dia do mês em que se está. Isso é algo ridiculamente simples de resolver mas que desanima qualquer pessoa querendo experimentar um plano maior.

Finalmente, o site não funciona bem no Safari. Funciona, mas com alguns acidentes de percurso que dão a impressão de que algo está errado na manipulação Ajax, o que, conseqüentemente, gera uma experiência ruim de navegação.

No geral, a NetMovies é um serviço que eu gostaria de manter assinado. Mas a quantidade de problemas supera a quantidade de vantagens e prefiro esperar por eventuais mudanças. Na esperança que ocorram, eu congelei a minha assinatura. Espero ter oportunidade de revivê-la em algum ponto.

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