Balanço cultural de agosto

September 10th, 2008 § 8 comments § permalink

Agosto deu para ler um pouco mais e também para assistir mais filmes. No balanço, o resultado do mês foi:

  • 9 filmes
  • 7 livros
  • 2 contos e/ou noveletas

Comecei o mês lendo The Elegant Universe, por Brian Greene. Li uma edição um pouco mais antiga, mas ainda extremamente interessante como uma visão histórica do surgimento da teoria das cordas, começando com o surgimento da física moderna e terminando com as questões que atormentam os físicos teóricos atualmente. Para quem não tem conhecimento (ou tem pouco conhecimento) do que está acontecendo na física moderna, o livro é uma preciosidade. E mesmo para quem já tem um conhecimento razoável, a apresentação bem compreensiva que o autor faz do assunto releva novas facetas e novos assuntos para posterior leitura. Estou agora para ver o filme baseado do livro, que pelo que ouvi falar parece ser igualmente interessante e mais atualizado.

O segundo livro que li foi o controverso The God Delusion, de Richard Dawkins. Dawkins é famoso no meio científico por sua defesa fanática do evolucionismo e de sua repugnância a qualquer forma de religião. O livro, obviamente, é uma apresentação do pensamento de Dawkins sobre sua idéia da religião como forma de ilusão–ou delírio–considerando a possível improbabilidade da existência de Deus. Eu não vou entrar em detalhes sobre cada aspecto do livro–a controvérsia foi grande tanto a favor como contrário. Embora eu seja suspeito para falar, o livro me pareceu honesto o suficiente dentro da perspectiva do autor embora alguns problemas sejam evidentes: Dawkins não cita e não responde a qualquer dos pontos de vista alternativos mais modernos (por exemplo, ele se fixa em Aquinas quando a maioria dos teólogos modernos já responde melhor aos argumentos deste último); Dawkins falha também em levar em conta o nominalismo; e finalmente algumas generalizações são abrangentes demais para servirem como básica lógica.

O terceiro livro foi Rollback, de Robert J. Sawyer. O livro conta a estória de um casal já na sua oitava década de vida que se vê em uma situação inusitada: a esposa, Sarah, foi responsável, 40 anos antes, por decodificar a primeira transmissão alienígena recebida pelo SETI. Quando uma nova transmissão chega, um magnata oferece um tratamento revolucionário de rejuvenação para que Sarah possa decodificar e responder à nova mensagem. Ela concorda, com a condição de que seu marido receba o mesmo tratamento que custa alguns bilhões de dólares por pessoa. O tratamento funciona, mas somente para o marido e Sarah e Don, o marido, se vêem as voltas com o mistério da mensagem e com o novo relacionamento ditado pelas circunstâncias. Como nos outros livros de Saywer que li, é impossível não se sentir tocado pelos eventos que os personagens vivem e pelos temas que o autor desenvolve tão bem.

Depois foi a vez de Lazy of Mazes, de Karl Schroeder. O livro se passa no mesmo universo de Ventus, embora não seja uma prequel é uma space opera futurística/pós-Singularidade no melhor estilo possível. Como nos demais livros de Schroeder, a trama é complexa o suficiente para impossibilitar uma descrição simplificada, mas essencialmente é a estória de amigos que perdem tudo o que tem e precisam embarcar em uma jornada para tentar recuperar o que perderam, se envolvendo com um mundo muito maior do que imaginavam existir. Misture isso com um cenário trans-humanista e você tem possibilidades além do que se vê no dia-a-dia da ficção científica.

Na sequência, li The Ghost Brigades, de John Scalzi. Esse é o segundo livro da trilogia começada com Old Man’s War e continua com a tradição de uma boa space opera com a exceção de que as cenas de ação me parecerem um pouco forçadas e repetitivas. Scalzi cresceu como autor, colocando mais profundidade em seus personagens e a estória continua divertida e compulsivamente legível. De fato, tirando o pequeno problema com as cenas de ação, gostei tanto do livro quanto do primeiro.

O livro seguinte foi outro por John Scalzi, The Android’s Dream. O livro é a estória de uma crise diplomática galáctica entre a Terra e um de seus aliados e os participantes, muito a contragosto, nas confusões que se sucedem a partir daí. Para um livro que começa com uma longa piada sobre peido, o resto consegue ultrapassar a ironia inicial e se firmar com uma divertida comédia de ficção científica. Mais uma vez, tirando a fraqueza das cenas de ação, que me pareceram ainda mais forçadas que nos outros livros de Scalzi, a prosa é rápida e divertida. Vale a pena a leitura.

Fechei o mês nos livros com Matter, de Iain M. Banks. Esse é o oitavo livro de Banks em sua série The Culture. Como os demais livros da série–que podem ser lidos independentemente–a estória é absolutamente fascinante e a única coisa a reclamar é que o livro acaba. Banks conseguiu criar o que provavelmente é o universo mais fascinante da ficção científica e cada livro revela uma faceta nova, irônica, elegante e surpreendente do universo. Eu nunca escrevi muito sobre aqui, porque acho extremamente difícil capturar o brilhantismo de Banks na série mas recomendo incondicionalmente a leitura. O trabalho de Banks já foi descrito como intoxicante e a série é isso e mais um pouco.

Nos contos, duas belas estórias em Pol Pot’s Beautiful Daughter e Pi in the Sky (link no comentário).

Nos filmes, comecei com 1408, suspense baseado no trabalho de Stephen King sobre um quarto de hotel realmente mal-assombrado que elimina todas suas vítimas. Nunca li o conto que deu origem ao filme, mas como sempre a adaptação não chega a assustar ou a convencer.

The Mummy 3, repete o sucesso dos anteriores na bilheteria mas não a graça do primeiro filme. Dá para rir um pouco com as aventuras e desventuras de Brendan Fraser na pele do atrapalhado Rick O’Connel mas a substituição de Rachel Weisz, a face sem emoções de Jet Li e a estória não tão empogante deixam um filme que diverte um pouco mas não chega a convencer.

Surf’s Up, por outro lado, é absolutamente hilário e tocante, narrando a estória de um pingüim surfista em um estilo semi-documentário que lembra o melhor de Shrek e Monstros S/A. A estória é usual mas o modo como ela é contada e a excelente animação e diálogo tornam o filme memorável.

Depois disso assisti Blade Runner, the Final Cut que não difere tanto dos anteriores exceto pelo que o diretor agora considera a estória correta. Valeu mais por rever um enorme clássico do que por acrescentar alguma coisa de novo.

Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull conseguiu manter o mesmo ritmo dos demais filmes anteriores a tal ponto que não parece haver uma distância de 20 anos entre o mesmo e o filme anterior. Mudando um pouco da linha história ficcional para ficção científica, releva um lado novo de Jones e abre espaço para possíveis continuações com o queridinho de Hollywood Shia LaBeouf.

Finalmente, Wanted é uma divertida adaptação pipoca da graphic novel de mesmo nome. Eu confesso que adoro estórias sobre assassinos e o filme não desaponta nesse fator. A criação da Fraternidade é mais um motivo interessante na literatura/visual do gênero e vale a pena só por isso.

Os demais filmes, como sempre, não merecem nem a citação. Próximo mês, mais livros.

Balanço cultural de julho

August 22nd, 2008 § 1 comment § permalink

Julho foi um mês um pouco mais tranqüilo em termos de leitura e deu para manter a média dos meses anteriores. No balanço, o mês ficou assim:

  • 5 livros
  • 5 filmes

Nos livros, comecei o mês com uma releitura de Mordant’s Need, um série de fantasia em dois volumes por Stephen R. Donaldson que, como leitores regulares do blog sabem, é um dos meus autores favoritos. Esses são dois de meus livros de fantasia favoritos, não só pela maestria na escrita quando pela uso imaginativo de novas formas de mágica e pelas voltas e reviravoltas no que de outra forma seria uma estória comum. Lidando profundamente com o tema do que é realidade, também não é um livro que se preocupa somente com uma estória fantástica a ser contada mas também com reflexões sobre a natureza do que somos. Como qualquer coisa do Donaldson, mais do que recomendado.

O mês continuou com Flash, o primeiro livro por L. E. Modesitt que eu leio. O livro se passa em um futuro suficientemente distante para que o mundo tenha passado por várias transformações significativas—como o fim dos EUA e o nascimento de uma nova nação englobando toda a América do Norte, o surgimento e banimento de inteligências artificiais, e a chegada de uma economia de quase pós-escassez onde mega-corporações disputam o mercado através do uso cuidadoso de propagando ultra-localizada—e conta a estória de Jonat deVrai, um ex-militar que saiu dos Marines por não mais concordar com o uso de forças militares por parte de corporações em detrimento do povo e que agora vive com um consultor de prod-placement. Ao aceitar um contrato de consultoria pouco usual, deVrai se vê jogado no meio de uma conspiração e precisa usar suas antigas habilidades para se proteger e descobrir como sair da situação em que se encontra—contando com aliados interessantes. Boa estória que não chega a alcançar grande profundidade mas diverte mesmo assim.

Depois foi a vez de A Journey in Grace, por Richard Belcher. O livro é uma crônica ficcional da juventude de uma pastor narrando o período em que ele se defrontou e aceitou o Calvinimo como sua visão teológica. Em paralelo com essa descrição, o livro apresenta a vida do pastor como um contraponto aos excessos possíveis do Hipercalvisnismo e Arminianismo. Esse contraponto, eu confesso, foi bem mais interessante do que a parte teológica que, como na maioria dos livros sobre Calvinismo, sofre de pouca análise e de uma recorrência a argumentos circulares. Vale a pena como discussão, mas deixará leitores mais avançados pouco satisfeitos.

Para fechar o mês, li Darkness of the Light, por Peter David. Eu gosto muito dos livros de David e esse não desaponta, embora, sendo o primeiro de uma série, termina abrupto demais para ser competamente satisfatório. O livro se passa em uma Terra futura em que a humanidade foi derrotada por doze raças exiladas que são nada mais do que monstros lendários que teria sido banidos em várias “ondas” para a Terra tendo finalmente ganho a batalha em algum ponto futuro. O livro narra as estórias diversas de vários grupos em um momento em que a sorte da humanidade está para mudar. Interessante, mas preciso ver o próximo livro para ver se vale a pena continuar.

Nos filmes, esse foi o mês do delicioso WALL-E. Como o filme foi analisado à exaustão, eu só vou dizer que curti cada segundo do filme e me emocionei como milhares de outras pessoas com as aventuras e desventuras do pequeno robô. Definitivamente um que vai para a coleção permanente.

Seguindo, vi Beowful que achei muito fraco a despeito de todo o hype sobre a fotografia do mesmo. A estória diverge demais para agradar quem conhece a lenda e não chega a empolgar em qualquer momento.

Hancock, que vi na seqüência, começou muito bem e acabou muito mal. O filme poderia ter sido perfeito sem toda a confusão romântica feita para agradar o público “médio”. Teria, eu tenho certeza, sido antológico. Mas, optou-se pela saída mais fácil e embora o filme agrade pela subversão do papel do herói, a segunda metade deixa um gosto amargo na boca.

O último destaque do mês foi Kung Fu Panda que também valeu cada segundo. Uma estória muito divertida, rica em referências e com sacadas geniais para o fim do filme.

No próximo mês, muitos filmes e poucos livros.

Balanço cultural de junho

July 23rd, 2008 § 5 comments § permalink

Com o meltdown do servidor, não consegui colocar o balanço cultural desse mês na data usual. Com um pouco de atraso, segue o que consegui fazer no mês de junho:

  • 6 livros
  • 5 noveletas e contos
  • 5 filmes

Nos livros, comecei o mês com uma releitura de The Years of Rice and Salt, um romance de história alternativa do meu sempre-preferido Kim Stanley Robinson. O livro é um experimento sobre a idéia de que a Peste Negra eliminou não 75% mas 99% da população européia resultando na ascensão das culturas islâmica e chinesa. O livro é contado com uma ênfase bem forte no budismo que resulta também em um interessante artifício literário que norteia a narrativa. Essa segunda leitura não deixou nada a dever à primeira, mesmo sabendo dos desdobramentos da estória principalmente pelo modo como Robinson escreve, uma forma imediatista e transcendente que é bem única aos seus textos.

O segundo livro foi Spook Country, de William Gibson. Gibson é considerado, com razão, um dos pais do movimento cyberpunk e tem uma tradição de presciência em seus livros. Spook Country é um livro que se passa nos dias “modernos” (sendo também uma seqüência de Pattern Recognition) e segue temas similares. É um livro muito bom na análise desses temas atuais, mas não se compara aos livros mais recentes de hard fiction. Mesmo assim vale a leitura pelo estilo e força da narrativa de Gibson.

Seguindo, foi a vez The Good Guy, de Dean Koontz. Esse é o primeiro livro que eu leio desse autor e gostei bastante da velocidade e simplicidade da trama. A estória, um suspense básico de identidade trocada e perseguição por um assassino é uma leitura agradável que, embora não tenha grande surpresas no final, consegue manter o leitor bem interessado.

O próximo livro foi The Myths of Innovation, por Scott Berkun. O livro é uma análise de dez mitos por trás do processo de inovação com lições de como evitar os possíveis problemas que esses mitos podem trazer. Alguns desses mitos incluem: o mito do inventor solitário, o mito de que toda inovação é benéfica, o mito de que as pessoas querem inovação e assim por diante. Uma boa leitura para qualquer pessoa em um campo criativo.

Depois disso, li a novelização da mini-série que iniciar Battlestar Galactica, por Jeffrey A. Carver. Minha experiência com novelizações anteriores era boa o suficiente para começar a leitura—de fato, a novelização de Quarteto Fantástico é melhor do que o próprio filme. Infelizmente, essa novelização é uma cópia exata de mini-série sem qualquer exploração de assuntos que poderiam ser melhor explorados em um livro onde há espaço para isso.

Fechei o mês nos livros com Four and Twenty Blackbirds, um bom terror por Cherie Priest que conta a estória de uma orfã com um passado cheio de mistérios e que vê fantasmas que ninguém mais pode ver. Priest consegue contar uma estória tradicional com um humor não-tradicional e o resultado é um livro bem satisfatório com uma excelente resolução.

Nos contos, destaque para Stars Seen Through Stone, de Lucius Shepard—uma excelente mistura de semi-sobrenatural, música e um cenário reminescente de mistérios detetivescos; e The House Beyond Your Sky, de Benjamin Rosenbaum, um conto pós-Singularidade com várias surpresas e conceitos inusitados.

Nos filmes, destaque especial para Be Kind, Rewind, excelente comédia com Jack Black e Mos Def. Explicar qualquer aspecto do filme necessariamente implicaria em relevar mais do que o devido, de modo que eu recomendo uma locação imediata. O diretor é o mesmo de Eternal Sunshine of the Spotless Mind, o que já dá uma idéia da qualidade de roteiro e execução.

Os outros destaques foram para Razor, um filme baseado em Battlestar Galactica que se passa entre alguns episódios e apresenta certos eventos que foram deixados de lado pela série principal. Bem interessante, mas não tão esclarecedor como esperado. Street Kings, com Keanu Reeves na pele de um policial atormentado que realiza justiça de acordo com seu próprio código particular, é muito bom com exceção da atuação de Forest Whitaker que parece um cópia de sua atuação em outros filmes.

No resto, 10.000 BC e Smokin’ Aces não merecem nem o trabalho de buscar os links apropriados.

Balanço cultural de maio

June 6th, 2008 § 2 comments § permalink

Maio continuou movimentado e não li tanto quando gostaria. Apesar de já estar há três meses em São Paulo, ainda continuam as acomodações tanto na vida pessoal quando na profissional e maio também foi preenchido com coisas a resolver nessas duas áreas.

O resultado do mês foi o seguinte:

  • 4 livros
  • 5 noveletas e contos
  • 3 filmes
  • 15 episódios de séries
  • 1 peça de teatro

Nos livros, comecei o mês com Razão e Sensibilidade, de Jane Austen. A despeito de um certo estigma romântico sobre os livros, os livros de Austen são muito bem elaborados, repletos de uma análise social do ambiente e sistema de classes da época, do efeito disso sobre os personagens, e de um humor sarcástico que fazem dos seus livros excelentes leituras. Esse era um que eu ainda não tinha lido e me diverti bastante.

Depois disso foi a vez de The Disunited States of America, de Harry Turtledove. O livro é parte de uma série chamada Crosstime Traffic, que lida com viagens a mundos paralelos, mas pode ser lido independentemente. Li porque foi um dos livros que veio como parte da promoção da Tor, mas foi muito direcionado a jovens para valer tanto a pena. É uma escolha muito boa para quem quer ler para os filhos–não sei se tem tradução em português, entretanto–mas não apela tanto para adultos pelo estilo mais forçado.

Continuei o mês com The Lord of the Isles, primeiro de nove de uma série de David Drake, e também não me empolguei muito. Pode ser que os livros posteriores ficam melhores, mas esse me pareceu um clone excessivo de The Wheel of Time, com muitos dos elementos estando lá mais para trazer leitores desta outra do que pela estória em si.

Finalmente, terminei o mês nos livros lendo Minority Report, uma coletânea de contos de Philip K. Dick lançado no Brasil na esteira do filme. Os contos são excelentes, como sempre, e incluem alguns dos seus mais famosos que deram origem a filmes como Vingador de Futuro e Impostor. Recomendo para fãs do mestre e para qualquer um interessado em contos mais pesados de ficção científica.

Falando em contos, aproveitei para ler alguns dos contos e noveletas que eu tinha acumulado em minha conta na Fictionwise, a maioria dos quais obtive nas promoções relacionados ao Hugo e Nebula. Comecei com A Billion Eves, um belo conto de Robert Reeds sobre um universo em que os seres humanos de espalharam em milhares de universos similares seguindo uma estrutura rígida de casamentos e religião. Depois foi a vez de The Merchant and the Alchemist’s Gate, de Ted Chiang. Chiang é um escritor excepcional, único por suas estórias curtas entre os escritores modernos, e esse conto não decepciona: um misto de Mil e Uma Noites, viagens do tempo, dor e redenção, é outra belíssima estória. Depois disso, foi a vez de Fountain of Age, da consagrada Nancy Kress. O conto, sobre uma cura para a mortalidade e o relacionamento da mesma com o narrador da estória, é outro carregado de dor e buscas. Mais um que vale a pena ler. Eight Episodes, o seguinte, também de Robert Reed, foi bastante divertido. Por fim, Echo, por Elizabeth Hand, não me impressionou muito. Sendo mais no estilo de uma mood piece, não me cativou o suficiente para que eu gostasse das possíveis nuances.

Nos filmes, nada de mais. National Secret: Book of Secrets é divertido, mas repete demais a fórmula do primeiro para ser tão interessante e memorável como o outro. Untraceable poderia ser muito bom, mas cai nas variantes conhecidas de uma agente do FBI e uma nêmesis psicopata que nem a idéia de um site de tortura baseado em acessos podem salvar. A pregação anti-pirataria ridícula tira o resto do filme para qualquer espectador um pouco mais ligado nas questões.

Nas séries, o usual: terminei de ver as temporadas de House, Grey’s Anatomy, Lost e Smallville e agora estou somente esperando pelo final de Battlestar Galactica. Os episódios de Smallville tenderam ao ridículo, com diálogo pobre e estórias sem nexo; Grey’s Anatomy se livrou de sua aura depressiva e teve mais episódios divertidos, com um final legal; Lost surpreendeu e os episódios finais foram cheios de revelações e supresas; e, finalmente, House se superou em dois episódios finais brilhantes antecedidos por episódios muito bons. Battlestar Galactica foi a grande decepção com episódios centrados demais na busca pelos cinco cylons remanescentes e pouco da intriga, política e sociedade que fizeram da série o sucesso que é.

E para finalizar o mês, minha longamente prometida ida ao teatro. Para o próximo mês, espero mais livros e mais teatro.

Balanço cultural de abril

May 1st, 2008 § 1 comment § permalink

Se março eu li pouco por causa da mudança, em abril eu li menos ainda por causa da movimentação no trabalho. Eu estava convencido de que chegaria ao final do mês sem terminar nada de significativo. O primeiro livro que consegui terminar de ler foi no dia 20 e isso graças a uma boa espera no aeroporto e a subseqüente viagem.

De qualquer forma, o resultado do mês foi o seguinte:

  • 4 livros
  • 5 filmes
  • 14 episódios de séries

O primeiro livro do mês foi The Mythical Man-Month, o trabalho seminal de Frederick Brooks. Publicado pela primeira vez em 1975, e revisado para seu aniversário de vinte anos, o livro permanece absolutamente atual e–mesmo as partes em que ele parece datado por causa da referência a tecnologias e práticas obsoletas contém material fascinante e absolutamente essencial para a compreensão do mundo em programadores operam. O livro, sobre o qual espero escrever mais futuramente, é uma coleção de ensaios que foi revisada e expandida em sua última edição. Dos ensaios, os dois mais famosos são o que dá nome ao livro e No Silver Bullet. Eu fiquei especialmente fascinado pelos pararelos entre Scrum e o livro.

De qualquer forma, esse é um livro que absolutamente todo programador (e de fato, toda e qualquer pessoa envolvida no meio de desenvolvimento) deveria ler. É um raro prazer encontrar um texto que permanece válido em todos os seus pontos essenciais depois de tanto tempo e conter tantos aspectos práticos para o dia-a-dia de desenvolvimento.

Na mesma linha, li em seguida The Long Tail, de Chris Anderson. O livro é uma expansão do seu famoso artigo na Wired e contém análises mais profundas do que o artigo oferecia. A essência do livro é que o mercado segue uma linha de distribuição em que a maioria das vendas são feitas no início da curva por razões de escassez, mas que existe toda uma cauda na curva (daí o título do livro/ensaio) que pode ser convertida em um enorme potencial de vendas e distribuição. O livro é uma fascinante exploração das razões e potencial de utilização da cauda longa e oferece muito mais do que uma simples expansão do artigo. Embora Anderson se limite a uns poucos mercados por razões de espaço, as explorações que o leitor pode fazer por conta própria são muitas. Esse é outro assunto que eu quero explorar aqui no futuro e estou especialmente interessado nas aplicações da cauda longa não para mercados mas no desenvolvimento de aplicativos e serviços em si.

Depois disso, Interface, por Neal Stephenson e George Jewsbury, que é um thriller político de primeira categoria. Embora seja de 1994 e ligeiramente datado em alguns aspectos, é ultrajante a capacidade que Stephenson tem de prever o futuro. Chega a ser estranha a forma como algumas partes do livro parecem refletir a realidade de 2008, não só nos Estados Unidos mas para o resto do mundo. Essencialmente, o livro é a estória de uma coalizão sombria que tenta manipular um candidato a presidente dos EUA implantando um chip em seu cérebro. A estória se converte em uma crítica seca e perspicaz do modelo político dos EUA, dos meandros do mecanismo de eleição e publicidade, e do próprio papel que as pessoas devem ter no mesmo. Vale cada palavra.

Para fechar o mês, li Sun of Suns de Karl Schroeder. Eu já tinha lido e gostado bastante de seu Postsingular e também gostei desse que é o primeiro livro em sua trilogia chamada Virga. O livro é sobre Virga e seus habitantes, um mundo sem gravidade, que na verdade é uma balão com cinco mil milhas de diâmetro orbitando uma estrela distante onde os habitantes desenvolveram uma cultura particular de cidades bizarras que são rodas gigantes gerando um pouco de gravidade e sóis artificiais sem os quais o “inverno” tomaria conta de tudo. Nesse ambiente, política, pirataria, e amor de misturam em um conto de vingança e–pelo menos parcialmente–rendenção. O final foi aberto demais, mas considerando que o livro é o primeiro de três, faz sentido. Bom o suficiente para me incentivar a ler os próximos livros pelo menos.

Nos filmes, destaque para Atonement, com Keira Knightley e James McAvoy, em uma bela estória sobre pequenos erros que se convertem em enormes problemas e que assombram pessoas até o último dia de suas vidas, Bela narração, bela fotografia e seqüências memoráveis.

Assisti também Cloverfield que me pareceu mais um exercício em futilidade. Ao contrário das resenhas sobre filme de terror/suspense da década, eu vi só um monte de correrias, e uma tentativa de esconder um monstro nada impressionante por trás de uma teia de diálogos vazios e superficiais.

Iron Man, se não foi profundo, foi pelos menos divertido o suficiente para valer a entrada. Robert Downey Jr. está mundo bem no papel de Tony Stark, conseguindo fazer o papel de herói e de playboy ao mesmo tempo sem perder o passo. Não conheço tanto da mitologia do personagem, mas a representação dele ao longo do filme foi muitoboa e completou muito bem as cenas de ação. Os outros atores também estão muito bem.

Nas séries, gostei bastante de Terminator: The Sarah Connor Chronicles. Vi todos os episódios já produzidos e acho que a série pode se converter em um bom adendo aos filmes desde que não caia em um círculo de estória. Mais detalhes na resenha que escrevi. As demais séries continuam como de usual.

Próximo mês, espero não chegar aqui e dizer que não li ou vi nada. :-)

Terminator: The Sarah Connor Chronicles

April 24th, 2008 § 6 comments § permalink

Terminei de ver os nove episódios da primeira temporada de Terminator: The Sarah Connor Chronicles. Muito boa a volta a um dos mais interessantes universos pós-apocalípticos dos últimos tempos, embora, é claro, com as dificuldades de manutenção da consistência interna em relação aos filmes.

Os efeitos especiais são bem decentes; o diálogo, embora não particularmente inspirado, consegue dar a sensação de opressão que os filmes passam; e os episódios seguem uma boa progressão que termina a temporada de maneira bem razoável. Eu gostei especialmente da forma como Sarah Connor é retratada, um misto de profeta e mãe super-protetora que parece inconsciente da dualidade que provoca no filho. Isso tudo bate bem com o mythos da série.

Eu me pergunto, entretanto, se a série consegue sobreviver ao mesmo formato de fuga-exterminador encontra o grupo-exterminador é exterminado-grupo fica em paz-outro perigo aparece-ciclo recomeça. Pelos ratingss dos últimos episódios, o público também parece concordar que é necessário mudar um pouco.

Obviamente, há a questão de tentar parar a Skynet e todos os paradoxos temporais associados com isso que vão se tornando mais importantes à medida que a série avança. Mas mesma essa parte da estória pode se tornar problemática dentro do contexto acima.

Vamos ver o que a segunda temporada trará. Interessante também vai ser o relacionamento da série com os possíveis futuros filmes que estão sendo encaminhados. Eu gosto muito da franquia e gostaria de ver o universo se tornar mais elaborado mas esse tipo de série é o que mais arrisca cair na mesmice. Espero que dure pelo menos algumas temporadas de estórias interessantes.

Balanço cultural de março

April 2nd, 2008 § 1 comment § permalink

Março foi o mês da minha mudança para São Paulo e o último terço do mês foi praticamente sem leituras, o que reduziu bastante a minha média mensal. Apesar disso, deu para ler bastante coisa interessante e assistir a alguns filmes.

O resultado mensal ficou assim:

  • 5 livros
  • 4 filmes
  • 10 episódios de séries

Abri o mês lendo Raibowns End, do Vernor Vinge. Vinge é um autor fascinante e influente tanto no âmbito da ficção científica como no da ciência da computação com suas idéias sobre inteligência artificial e a singularidade tecnológica. Não é por acaso que seus livros regularmente ganham os prêmios maiores na área. Seus A Fire Upon the Deep e A Deepness in the Sky são obras primas do gênero e livros que o leitor não esquece facilmente. Rainbows End, seu último, é uma exploração incrível de um possível futuro próximo e um pré-testamento às transformações que estão acontecendo no momento em nossa sociedade. Mais detalhes sobre o que eu achei do livro podem ser encontrados em minha resenha.

Depois desse foi a vez do Free Culture, do Lawrence Lessig. Excelente também, por sua análise profunda e sem reservas sobre o campo de propriedade intelectual e cultura. Não vou me estender mais nos detalhes porque também fiz uma resenha sobre ele na época em que li onde dou mais detalhes sobre os temas e o que achei.

Na seqüência li The Algebraist, do Iain M. Banks. Ele é um autor do qual gosto bastante por sua série The Culture, mas não gostei muito desse título. Não por não pertencer à série–ele continua sendo um escritor muito bom–mas pelo excesso de world-building em detrimento da trama principal. Para quem prefere, o livro vai ser muito bom porque apresenta uma galáxia de personagens interessante, mas eu realmente achei muito lento e um pouco perdido em relação aos outros que eu tinha lido.

O mês continuou com Farthing, de Jo Walton. Esse é um mistério detetivesco que se passa em uma Inglaterra alternativa em paz com o Terceiro Reich, paz essa obtida logo após o início da guerra e onde os Estados Unidos nunca entraram em combate. O livro se passa oito anos depois e envolve o grupo de pessoas que negociou a paz. Novamente, fiz uma resenha sobre o livro, do qual gostei bastante, e também não vou me alongar aqui sobre os detalhes.

Fechei o mês com Crystal Rain, livro de estréia do Tobias Buckell. É divertido, uma boa space opera, mas que falhou em me empolgar com outros do gênero.

Nos filmes, assisti The Ark of Truth, um dos dois filmes que vão completar os arcos de enredo que ficaram faltando de Stargate SG-1. Foi mais um episódio de duas horas que realmente resolveu um dos arcos de maneira rápida e sem firulas. Divertido, mas nada de especial.

Depois disso vi Disturbia (Paranóia), mais um desses filmes sobre o serial killer da casa ao lado. Também divertido, mas sem maiores surpresas.

Continuei com Layer Cake, com o Daniel Craig na pelo de um traficante que planeja se aposentar mas quando está para sair se vê envolvido em uma cômica trama de encontros e desencontros. Deu para rir um pouco e o final foi bem coerente com o tom do filme.

Fechei o mês revendo Children of Men, que continuou muito bom e interessante na segunda passagem. O tom sombrio e triste do filme e o tom logo após o encerramento, quando os créditos começam a rolar, sem completam de uma maneira muito agradável e que tornam o filme bem memorável.

Em abril provavelmente a média baixa se manterá com todas as mudanças que estou acontecendo. Tanto é que até o momento não consegui ler mais do que cinco páginas dos dois livros que estou lendo. Só espero que maio dê mais folga.

O tom operático

March 22nd, 2008 § 2 comments § permalink

Uma coisa que eu gosto em filmes é o uso de música que aparentemente está fora do contexto da cena para criar uma espécie de sensação operática em relação à mesma. Isso é difícil de explicar sem poder mostrar, mas alguns exemplos podem ajudar.

Alguém se lembra do filme Navio Fantasma e do momento em que a personagem de Emily Browning, a garotinha fantasma, mostra à personagem de Julianna Margulies o que realmente aconteceu. A cena é basicamente a única coisa que presta do filme, descrevendo os eventos com um acompanhamento musical perfeito e alguns pequenos momentos em que a cena se congela rapidamente para seguir adiante quase que imediatamente–eu não sei o termo técnico para isso. O efeito é conduzir o o espectador quase como um cantor de ópera consegue congelar o tempo e fazer com que as pessoas assistindo se sintam dentro da cena.

Outros dois exemplos são Extermínio e Extermínio 2. No primeiro, quando o personagem de Cillian Murphy invade o complexo em que alguns militares se esconderam para salvar suas companheiras. A movimentação do personagem, as paradas que ele faz ao longo do caminho que são refletidas na música e todo o contexto formam algo impressionante. No segundo filme, é o mesmo, com o personagem de Robert Carlyle correndo e deixando sua esposa para trás.

Esse tipo de uso da música e ação é algo relativamente raro em filmes e nem sempre o todo é memorável. Algumas vezes, com no caso de Extermínio, o efeito completa o filme e o torna, se não uma obra prima, pelo menos um representante muito bom do gênero.

Alguém se lembra de outro exemplo?

Balanço cultural de fevereiro

March 2nd, 2008 § 0 comments § permalink

Fevereiro continuou movimentado e tanto leituras quanto filmes caíram um pouco. Eu planejava sair mais, ir no cinema e teatro, mas a ironia de que minha mãe passou pelo mesmo problema e tirou a bagatela de trinta pedras da vesícula contou contra o tempo nas últimas semanas.

O resultado do mês ficou em:

  • 7 livros
  • 4 filmes
  • 8 episódios de séries

Nos livros, abri o mês com The Last Light of the Sun, do Guy Gavriel Key. Eu já estava para ler algum livro dele há pelo menos dois anos por recomendações de terceiros e gostei demais do modo dele de escrever. Como escrevi na rápido comentário do link anterior, o livro é evocativo e poético. Eu sempre gostei de ficção histórica alternativa e o livro de Key combina os melhores aspectos desse gênero.

Depois desse foi a vez, de Ancient Shores de Jack McDevitt. McDevitt é provavelmente um dos melhores escritos de ficção científica rápida e leve e seu livro não desaponta. A estória da descoberta de um artefato alienígena em um campo e as implicações do mesmo para a humanidade são um tema batido mas McDevitt consegue manter o passo e terminar de maneira interessante, lidando mais com os efeitos sobre as pessoas do que se preocupando com a tecnologia em si.

Na seqüência, foi a ver de Dead Lines, do Greg Bear. A mistura de suspense e horror funciona muito bem e o final é quase que perfeito. Eu gosto muito do jeito que Bear escreve e a estória de um celular que funciona em uma freqüência que não deveria funcionar e abre as portas para a entrada de algo que não deveria entrar no mundo também é um tema que foi usado sem sucesso por muitos escritores e filmes. Stephen King tentou algo parecido em Cell e o resultado foi medíocre. Onde King falha, Bear tem sucesso. Obviamente, Cell vai virar filme.

O livro posterior foi Mistborn, de Brandon Sanderson. Como escrevi na resenha, gostei bastante e espero conseguir ler os próximos livros ainda esse ano. Sanderson é o escritor que foi escolhido para terminar a série The Wheel of Time e acho que ele não vai ter problemas.

Continuando, foi a vez de The Pragmatic Programmer, dos conhecidos Andy Hunt e Dave Thomas. Como também escrevi na resenha, esse foi infinitamente melhor do que Software Craftsmanship e é um livro que vale a pena ter em uma coleção de programação. Mesmo programadores já velhos de carreira podem se beneficiar de uma leitura ocasional do mesmo para lembrar o que realmente importa.

Old Man’s War, o livro seguinte, ganhou fama de tanta promoção por parte do seu autor, John Scalzi. É uma space opera na melhor tradição do gênero e consegue introduzir uma vivacidade moderna no mesmo. Em suma, sobrevive ao hype provocado pelo próprio autor.

Fechei o mês com Axis, do Robert Charles Wilson. Esse foi o único desapontamento do mês, considerando que eu gostei demais de Spin–que, inclusive, ganhou um Hugo. Esse livro pareceu mais uma forma de capitalizar no sucesso do anterior e preparar para um próximo. Quase sem estória, passo lento e nada de interessante no final além de uma pequena revelação sobre o livro anterior.

Quanto aos filmes, pouco coisa. Assisti por acaso Stuck on Your (Ligado em Você), que foi mais divertido do que eu pensei inicialmente.

Depois disso, revi 2001 e vi 2010 que nunca tinha visto. 2001 continua excelente, mesmo estando já tão datado e acho que essa foi a primeira vez que eu vi uma versão não editada para televisão, o que melhorou a experiência. 2010 é descartável como os demais livros da série.

Finalmente, assisti Mulholland Dr. (Cidade dos Sonhos), do David Lynch. Lynch é tão impactante e visceral que eu só consigo assistir um filme dele a cada cinco anos. Eu estava para assistir esse desde 2002 e só vi esse mês. Estória muito boa–e pesada, é claro–e eu fico com a explicação normal embora existe uma família inteira de teorias sobre o mesmo.

Com a volta de algumas séries, acabei vendo alguns episódios de Smallville e House mas nada que mereça comentário.

Voltamos no próximo mês.

Balanço cultural de janeiro

February 2nd, 2008 § 5 comments § permalink

Embora esse tenha sido um mês de várias entregas e implantações, janeiro começou razoavelmente bem e deu para separar um bom tempo para manter um ritmo consistente de leitura e ver alguns filmes nas altas horas da madrugada.

O resultado do mês ficou em:

  • 8 livros
  • 9 filmes

Nos livros, comecei o mês com The World is Flat, de Thomas Friedman. Li o que depois descobri ser a primeira edição, sem as atualizações que ele acrescentou nos meses seguintes, mas foi uma boa experiência. O livro é basicamente uma discussão sobre o efeito que a tecnologia está tendo no mundo, ao achatar os mercados e remover as fronteiras virtuais entre países, ao mesmo tempo em que as pessoas se tornam capazes de efetuar mais coisas por si mesmas. O livro poderia ser descrito com uma história da Revolução Digital e uma análise do que a mesma representa para o futuro, principalmente no que tange às mudanças ainda necessárias para efetivá-la por completo. Para explicar isso, Friedman vai do muro de Berlim ao Sete de Setembro, passando por explorações das conseqüências da globalização e do código aberto. Leitura bem interessante.

Depois disso, foi a vez de Replay, por Ken Grimdwood. O livro é fascinante e descreve a estória de Jeff Winston que, ao sofrer um ataque do coração aos quarenta e três anos, acorda vinte e cinco anos no passado com todas as memórias intactas. Depois de se recuperar e aceitar sua condição, ele procede revivendo os anos até que o mesmo acontece. Mais uma vez, todas suas memórias são preservadas e ele descobre a doçura e a maldição de corrigir os seus erros e criar novos. Muito bom.

Prosseguindo, li os dois livros da série Jumper, de Stephen Gould. Com o filme chegando, eu quis conhecer um pouco mais do universo do mesmo e gostei muito do que li. Pelo trailer deu para ver que não há nenhuma relação entre os dois mas esse parece ser um dos casos em que ambos são interessante em si. É claro que vai depender do filme mas eu acho muito difícil que ele não seja suficientemente bom para valer o ingresso. Só a ação já vai valer a pena.

Na seqüência li Postsingular, de Rudy Rucker. Além de estar disponível gratuitamente, o livro é incrível. Uma exploração fantástica de um mundo em que a Singularidade Tecnológica aconteceu não uma, mas duas vezes. Personagens interessantes, uma estória consistente e tecnologias fascinantes que formam um todo muito coerente e divertido.

Depois disso foi a vez de Blink, de Malcolm Gladwell, já resenhado aqui. Gostei, mas não tanto como o outro do mesmo autor.

Continuando, li Space, de James Michener, sobre o qual também comentei anteriormente. O livro continuou muito bom, mesmo depois de treze anos e conseguiu ser ainda mais atual. Muito do que Michener falar sobre o abandono ao espaço foi exatamente o que aconteceu e ainda vem acontecendo. Estória legal, com personagens críveis.

Fechando o mês, li Pattern Recognition, de William Gibson. Já está um pouco datado, por causa da abundância de referências às tecnologias, marcas e processos de quando foi escrito mas é razoavelmente interessante. O começo é lendo, com pouco acontece enquanto Gibson tece o mundo de Cayce Pollard, especialista em reconhecimento de padrões–dom que ela emprega em descobrir marcas que vão colar no mercado–e seu interesse por uma espécie de clips artísticos anônimos que estão sendo distribuídos na Web e analisados exaustivamente por uma comunidade que se formou ao redor dos mesmos. Cayce é contratada para descobrir quem está por trás dos filmes e a partir daí o livro se desenvolve. O clímax é um pouco corrido mas não é desapontador.

Nos filmes, o mês também teve alguns méritos. Comecei com A Bússola de Ouro, baseado na série de Philip Pullman. O filme fugiu de muitas das questões do livro e abreviou a estória mas foi o suficiente para divertir.

O próximo filme, Aliens vs Predator &ndash Requiem foi pura diversão. Eu confesso que sou um fã das séries respectivas mas só assisto a combinação porque gosto de ver o pau quebrando entre os dois mostrengos. Só não gostei da pauleira final que sofreu com pouca iluminação.

Depois disso foi a vez de Mr. Brook, um excelente suspense com Kevin Costner e William Hurt. O primeiro, no papel de um serial killer frio e calculista cujo último assassinato acaba sendo visto por um fotógrafo que agora quer participar das matanças. Estória fascinante e atuação absurdamente boa.

Os dois próximos filmes foram comédias bobinhas, I Now Pronounce You Chuck & Larry e License to Wed que mal valeram as horas empregadas. Eu gosto de Adam Sandler, mas o filme foi estereotipado demais. O segundo só assisti porque a mulher queria ver e nem Robin Williams salvou o roteiro sem originalidade nenhuma.

Being John Malkovich foi o próximo em uma deliciosa e psicodélica estória de um homem que acha um portal que permite a quem o atravesse ficar por quinze minutos na mente de John Malkovich. O roteiro é de Charlie Kaufman que já nos presenteou com várias outras obras brilhantes. Aas atuações brilhantes de John Cusack, Catherine Keener e do próprio Malkovich rendem duas horas de puro prazer visual em filme que foi indicado a três Oscar e recebeu quarenta e cinco prêmios.

Next e Night at the Museum possuem bons temas e uma realização bem fraca. O primeiro rouba completamente no final, privando o espectador de uma conclusão satisfatória e o segundo é basicamente uma oportunidade para Ben Stiller repetir suas atuações fracas.

Pelo menos o mês fechou com o divertido Wild Hogs com Tim Allen, William Macy, Tim Allen e John Travolta no papel de homens de meia idade frustrados que decidem pegar suas motos, vestir novamente as camisas da gangue que formavam quando jovens e atravessar o país em uma viagem para recuperar o tom de sua vidas. Não é nenhum primor filosófico mas é leve e tocante o suficiente para agradar.

No próximo mês eu juro que vou aproveitar as promoções no teatro e fazer mais do que ler e assistir filmes.

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