Fanatismo

March 8th, 2008 § 11 comments § permalink

Eu não canso de me surpreender com o fanatismo das pessoas. Deve ser o otimismo.

Os mesmos desenvolvedores que criticam os apaixonados pela Microsoft são os mesmos que se curvam ao altar da Apple. Os mesmos que criticam o código aberto pela falta de suporte aparente não se preocupam em limitar o seu mundo a um único fornecedor.

E o mais engraçado são as justificativas para isso. As pessoas realmente não aprendem. Há momentos em que eu penso que o novo fundamentalismo é tecnológico.

Kosovo

February 17th, 2008 § 0 comments § permalink

Kosovo declarou sua independência pela segunda vez e eu espero que o novo país continua a existir agora–especialmente considerando que a Rússia já começou a se mobilizar para atrapalhar as coisas na ONU. Para uma região tão problemática, a independência seria muito bem-vinda, embora, é claro, sempre exista a chance de que um governo corrupto se levante e destrua qualquer chance de que a população possa se tornar realmente um grupo coeso.

Pode me chamar de ingênuo, mas eu acho que unidades políticas enormes são um modelo que deveria ser abolido, mesmo nos casos em que existe uma grande autonomia. Existem até casos de sucesso, mas são tão raros que não vale a pena se fiar pelo mesmos. Não acho coincidência que muitos dos países mais estáveis sejam também os menores e com a população mais coesa. Isso não quer dizer que eu acredito em divisão étnica, mas que como forma de governo essas unidades próximas se aproveitam de características comuns que favorecem um balanço melhor.

Só espero que nesse caso, a situação toda não se torne um novo banho de sangue como aconteceu durante a guerra.

Elegendo eleitores

February 5th, 2008 § 0 comments § permalink

Hoje é a Super Terça-Feira nos Estados Unidos, o dia em que o maior número de estados americanos seleciona os delegados que votarão na indicação dos candidatos de seus partidos. Entre os países ditos democráticos, os Estados Unidos provavelmente possuem o mais estranho sistema indireto de eleição onde, apesar de existir voto individual, a eleição é realmente para eleger os eleitores.

Eu estou acompanhando com curiosidade as eleições desse ano mais por causa dos candidatos democratas do que por qualquer outra coisa. Vai ser interessante testar a disposição americana agora em escolher entre um negro e uma mulher para o candidato democrata e depois testar isso contra o candidato republicano.

Para quem também está interessado, o blog O Biscoito Fino e a Massa vai cobrir ao vivo os eventos de hoje.

Natureza humana

January 29th, 2008 § 0 comments § permalink

Eu tenho acompanhado com interesse o desenvolvimento das primárias democratas nos Estados Unidos. A situação única de um candidato negro e uma candidata já são o suficiente para garantir uma quantidade enorme de fatos e desenvolvimento curiosos. Desde as declaração de que Barack Obama não é negro o suficiente aos excessos de campanha de Hillary Clinton por seu marido eu-quero-ser-presidente-de-novo, é uma oportunidade única de ver o estranho processo americano de eleição onde você vota mas não escolhe.

Eu estou acompanhando os acontecimentos parte pelos meios usuais e parte por blogs que sempre fornecem visões bem pessoais e locais dos eventos. Agora, com a Super Tuesday chegando, os comentários estão cada vez mais interessantes.

O que resta saber mesmo é que vai ganhar: o preconceito ainda existente ou a inveja masculina de não querer se sujeitar a um comandante-em-chefe do “sexo frágil”. E eu querendo que a Hillary fosse uma Florentina Kane.

DataPortability Workgroup e Microsoft

January 23rd, 2008 § 2 comments § permalink

Em mais uma surpresa relacionada ao DataPortability Workgroup, o Read/Write Web está reportando que agora foi a vez da Microsoft se juntar ao grupo. Nada formal ainda, mas um anúncio deve sair logo.

A adesão da Microsoft é a última em uma cadeia de pesos pesados que incluiu Google e Facebook inicialmente, seguiu com SixApart, LinkedIn e Flickr, e finalizando com um interesse geral no assunto.

Como o pessoal do Read/Write Web aponta, não dá para deixar de ficar curioso com o que a Microsoft pretende com sua entrada na iniciativa, considerando que a empresa é sinônimo de lock-in e práticas anti-competitivas.

Há também o fato que o OpenID é uma parte essencial do esforço de portabilidade, uma aceitação real por parte da Microsoft implicaria em pelo menos um suporte paralelo ao mesmo em sua estrutura Passport. Transformar cada idetidade Passport em uma identidade equivalente OpenID seria algo extremamente vantajoso para a conscientização e suporte geral de uma enorme fatia da população Web.

De qualquer forma, o momento em favor da adoção de padrões portáveis abertos está aumentando e mesmo que a Microsoft esteja se juntando ao barco somente para não perder o PR agregado, isso não implica que benefícios colaterais virão desse suporte. É claro que sempre há a possibilidade de que ela introduza algum “padrão” incompatível–o que não seria grande surpresa, inclusive–mas esperamos que a presença dos outros pesos da indústria tenha um fator mitigador em qualquer tentativa da empresa de gerar alguma vantagem para si subvertendo os esforços atuais.

Mais empresas se juntam ao DataPortability Workgroup

January 10th, 2008 § 0 comments § permalink

Dois dias atrás, Google e Facebook chacoalharam o mercado ao anunciarem a sua decisão de se juntarem ao DataPortability Workgroup. Com o mesmo entusiasmo do dia–e em um tom de quase descrença–o Read/Write Web está reportando que mais três grandes players estão assumindo representação na iniciativa: Flickr, SixApart e LinkedIn. E excelente representação, por sinal: as pessoas envolvidas não são meros funcionários mas indivíduos com histórico de atuação nas áreas de interesse do grupo.

É óbvio que a influência dos dois gigantes está se espalhando e eu não duvido que várias outras empresas anunciarão participações similares nos próximos dias e meses. O que começou como algo basicamente formado por pessoas preocupadas com os rumos da indústria pode se tornar uma força dominante na implementação de padrões de portabilidade durante os próximos anos.

O mais importante na história toda é que todos os padrões apoiados pelo grupo são abertos e, juntos, representam uma enorme tendência contra o tipo de atitude disseminada pela Microsoft ao tentar cooptar produtos naturalmente livres em implementações proprietárias. Considerando que aplicações Web hoje são primordiais, padrões abertos e flexíveis obviamente tornam iniciativas fechadas consideravelmente mais difíceis.

O ano promete. Com o OpenID ganhando espaço e com anúncios quase que diários de possíveis implementações em larga escala, os próximos meses podem acabar se tornando marcos na história da Internet.

Facebook e Google apoiando o DataPortability Workgroup

January 8th, 2008 § 0 comments § permalink

O blog Read/Write Web está reportando–com um considerável entusiasmo–que tanto o Google quanto o Facebook se juntaram ao DataPortability Workgroup. Eu não encontrei a notícia no site do próprio Workgroup mas vindo do Read/Write Web é algo com uma boa probabilidade de estar correto. É curioso, inclusive, ver isso logo depois da controvérsia em relação à remoção da conta de Robert Scoble por parte do Facebook (1, 2).

Esse grupo, que eu já mencionei aqui antes, está trabalhando em iniciativas para permitir o reuso e transferência de dados transparentemente de site para site. Há uma enorme quantidade de desafios tecnológicos para vencer até que isso seja algo natural na Web e a presença das duas maiores companhias sociais da atualidade é algo que vai dar um novo grau de legitimidade ao projeto–especialmente considerando as pessoas que que representaram cada uma das companhias.

Com um dos documentos gerados pelo grupo (ainda bem na fase inicial) mostra, um dos objetivos primários é reutilizar tecnologia e formatos existentes e procurar integrar ao máximo antes de procurar novas alternativas tecnológicas para o que não estiver funcionando. Essa é uma boa estratégia porque representa maior facilidade na adoção.

Com a entrada do Google e Facebook, o eventual surgimento de uma API generalizada por representar uma transformação em basicamente todas as aplicações que estão surgindo e se popularizando no momento, sem contar a eventual integração de dados ao longo de empresas e seus clientes. É uma visão grandiosa e, claro, efetivamente centrada na capacidade de gerenciar as questões de privacidade por trás da movimentação dos dados.

Mas, como o artigo do Read/Write Web diz, pode representar também mágica para o desenvolvimento da Web. É o que esperamos.

Choque Futuro

January 8th, 2008 § 0 comments § permalink

Eu vivo falando em choque futuro aqui no blog e meio dei conta de nunca ter explicado o termo apropriadamente, embora de quando em quando alguém me pergunte o que eu quero dizer conhecido.

Choque futuro é um termo introduzido por Alvin Toffler no seu livro homônimo de 1970. Como a entrada na Wikipedia descreve, o termo descreve o efeito psicológico causado pela percepção de um excesso de mudanças em um período muito curto de tempo.

Um exemplo muito usado é a introdução de certos artefatos tecnológicos, com a Internet, a pessoas mais velhas com pouca ou nenhuma experiência tecnológica. O resultado é que essas pessoas ficam desorientadas e confusas sobre as implicações e usos daquela tecnologia. Embora esse efeito entre gerações seja mais pronunciado, e ocorra principalmente em época de enorme transição–como na Revolução Industrial ou durante a globalização–qualquer pessoa pode experimentar essa sensação.

Recentemente, o termo vem sendo associado com a Singularidade Tecnológica, já que a mesma, caso acontecesse, provocaria um choque futuro indiscriminado na população mundial. Obviamente, este é um cenário muito hipotético mas que também vem sendo bem explorado por escritores de ficção científica como Charles Stross.

Stross, em seus últimos livros tem explorado assuntos que chegam a causar no leitor a sensação de o mundo pode mudar radicalmente em poucos anos e que é basicamente impossível se preparar para isso. Na maioria dos livros dele, a geração anterior é substituída rapidamente em experiência tecnológico pela nova que cresceu com os novos desenvolvimentos. Embora isso seja parcialmente verdadeiro hoje, Stross leva isso às suas conseqüências máximas. Assuntos como backups de consciência, filtros de identidade, economias de pós-escassez são temas comuns em seus trabalhos.

Mas não precisamos ir muito longe. Para usar um exemplo dado pelo próprio Stross em um de seus artigos sobre o assunto, a transformação tecnológica que está chegando representa mudanças rápidas de conceitos como privacidade ou identidade. No artigo ele cita o crescimento da capacidade de armazenamento que deve atingir a portabilidade de 10 terabytes em menos que duas décadas. Essa portabilidade daria a qualquer pessoa a oportunidade de registrar cada segundo de sua vida para referência posterior, incluindo os momentos em que ela passa dormindo. A memória perfeita e permanente resultante disso, com um sistema rápido de pesquisa, traria uma mudança radical nos relacionamentos–esquecer é algo que fazemos bem e que possui um enorme papel em nossas relações sociais. O resto do artigo de Stross trata de vários outros tópicos similares e é uma excelente leitura para que gosta de especulações bem informadas sobre o futuro.

Para resumir, então, choque futuro é quando a mudança lhe deixa com a sensação de que você não tem capacidade de lidar com ela. Algo interessante quando se lê ficção, mas não quando é experimentada na vida real.

Facebook: o campo de provas da Web

January 3rd, 2008 § 2 comments § permalink

Pela segunda vez em pouco mais do que dois meses, o Facebook se vê com uma situação nas mãos que é, essencialmente, impossível de controlar. Considerando o tamanho, a influência e o tipo de usuários do Facebook, isso é excelente para o futuro das aplicações Web em geral.

Da primeira vez, foi a controvérsia sobre o Facebook Beacon, a aplicação de anúncios dentro do Facebook que usava informações obtidas em outros sites participantes e o próprio grafo social do usuário para maximizar a contextualização dos anúncios. O problema era que um usuário não podia optar por não usar o produto e informações privadas acabam sendo passadas para amigos relacionados ao perfil do usuário. O resultado foi uma tempestade de protestos que acabou levando a mudanças significativas no modo como o produto funciona.

A controvérsia de hoje é a remoção da conta de Robert Scoble por violar os Termos de Uso site. Scoble estava usando um script para recolher informações do seu perfil já que o Facebook não permite qualquer forma de exportação de dados e foi banido por isso. A controvérsia já começou sobre o assunto e no momento há uma tempestade em formação no Techmeme. Scoble é um power-user do Facebook e um A-lister cuja opinião conta muito para os usuários mais avançados que, em última instância, foram determinantes durante o problema do Facebook Beacon.

O que eu acho interessante e significativo sobre a situação é que o Facebook está se provando um excelente local para testar o que os usuários permitirão ou não em termos de seus dados e privacidade na Web. O Facebook já gerou uma resposta forte dos outros envolvidos na forma do Open Social por causa da sua atitude de jardim murado. Com o cancelamento da conta do Scoble, o Facebook acabou providenciando o maior argumento possível para a portabilidade de dados sem que os críticos precisassem de fazer qualquer esforço.

Embora seja fácil entender porque o Facebook deseja prender seus usuários, esse tipo de padrão está com os dias mais do que contados e é bem possível que o banimento do Scoble seja o evento que forçará o Facebook a admitir isso. Uma boa possibilidade é que eles mesmos criem um padrão de portabilidade que possa ser incorporado ao Open Social, revertendo o enorme problema de relações públicas que tem em mãos no momento.

Esse tipo de prova público do que os usuários vão tolerar é fundamental para o surgimento de novas políticas de trabalhar com dados de terceiros e serve também como um bom aviso para quem está colocando as suas fichas em serviços fechados que não permitem uma remoção de dados rápida mesmo depois de restrições válidas às contas em questão. Ainda é cedo para ver o impacto completo do problema atual nesse tipo de política, é claro, mas os próximos dias e meses serão interessantes.

Freakonomics

December 23rd, 2007 § 6 comments § permalink

Um tanto ou quanto atrasado, finalmente consegui ler Freakonomics. Embora seja uma leitura rápida, eu enrolei um pouco para poder ler com um pouco mais de calma do que os meses passados estavam permitindo.

O livro, escrito em conjunto por Steven D. Levitt, um economista, e Stephen J. Dubner, um jornalista, reflete, quase que em sua totalidade, as teorias expressas pelo primeiro autor, descritas de uma maneira mais familiar ao público pelo segundo autor. Da mesma forma que The Tipping Point, por Malcolm Gladwell, já resenhado aqui, o livro ganhou notoriedade entre a intelligentsia por suas opiniões e explicações pouco convencionais para fenômenos que tem intrigado a comunidade científica por décadas, como o que está por trás da corrupção, o motivo do declínio do crime nos EUA durante a década de noventa, e assuntos relacionados.

Particularmente, embora o livro tenha sido uma leitura agradável, o tratamento de Levitt e Dubner dos temas citados me pareceu bem superficial e faltando a análise pelo menos um pouco mais profunda oferecida, por exemplo, por Gladwell em seus dois livros mais conhecidos.

No cerne de Freakomonics estão quatro idéias principais:

  • Experts usam seu conhecimento em vantagem própria;
  • Incentivos são a base de toda economia moderna;
  • A sabedoria convencional muitas vezes está errada; e
  • Pequenos acontecimentos podem ter conseqüências profundas.

Das quatro idéias acima, nenhuma delas é reveladora ou, pelo menos, nova. De fato, a menos que uma pessoa não tenha gasto alguns minutos para refletir como o mundo realmente funciona, essas quatro idéias são auto-evidentes e gastar um livro inteiro para demonstrá-las é, no mínimo, pouco produtivo.

O ponto onde o livro ganha é realmente nos casos apresentadas pelos autores para demonstrar as idéias acima. Usando comparações sagazes–por exemplo, o que professores do ensino médio tem em comum como lutadores de sumo–um caso específico para cada um dos pontos oferecidos é formado mostrando como a interpretação trivial é, geralmente, incorreta.

O que não impede, é claro, que controvérsias existam nas interpretações dadas. De fato, e não sem ironia, embora o próprio Gladwell tenha escrito um blurb elogioso para o livro, a teoria que ele apresenta em The Tipping Point para queda da criminalidade em New York é diretamente contradita por Levitt. O assunto gerou, inclusive, bastante discussões após o lançamento de Freakonomics, com uma conversa entre os autores via seus respectivos blogs (1, 2, 3). Sem surpresa alguma, os autores concordaram em discordar.

Embora eu ainda recomende a leitura de Freakonomics, com base na estimulação intelectual que o mesmo pode prover, eu confesso estar decepcionado em face das resenhas lidas anteriormente que o consideravam brilhante e inovador. Principalmente após a leitura de The Tipping Point, que explora mais a fundo as questões, é difícil entender o status de Freakonomics. Se o livro tivesse o dobro de conteúdo e análise, talvez eu tivesse terminado o mesmo com uma conclusão diferente. No momento, entretanto, eu tenho que dizer que não vi tanto de surpresa do que Levitt e Dubner escreveram.

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