2078

January 26th, 2010 § 7 comments § permalink

Hoje é 13 de junho de 2078. Quase esqueci do dia em particular, mas já se vão cem anos desde que meu avô paterno nasceu. Faz um certo tempo desde que ele morreu e ainda eu sinto muita saudade dele. Sempre vou sentir.

Meu avô paterno era um otimista tecnológico nato. Para alguém que considerava ficção científica seu gênero favorito de leitura isso não é de se espantar. Ele ainda viveu para ver muitos dos sonhos da ficção científica realizado e tenho certeza de que teria adorado as mudanças que ainda estão acontecendo.

Meu avô não era um cara que gostava de ficar contando histórias sobre o passado sentado com os netos. Ele gostava de contar histórias sobre o futuro, sobre o que já existia e sobre o que aquilo poderia virar. Eu me lembro de ficar horas sentado no chão da sala enquanto ele falava sobre autores e mais autores, séries e filmes de ficção e como aquilo que esperamos é ao mesmo tempo tão pouco e tão excessivo.

Um das coisas em que meu avô não acreditava era na Singularidade Tecnológica–o momento em que a tecnologia se expandiria além do que a humanidade como um todo fosse capaz de entender e manipular. Não porque era um homem religioso–ele era–mas porque acreditava que alguma coisa aconteceria antes que permitiria ao próprio homem o controle próprio da tecnologia em qualquer escala necessária. Em outras palavras, a tecnologia cresceria junto com a próprio humanidade. Até o momento, isso é o que parece estar acontecendo. Eu ainda não me decidi sobre a Singularidade, mas gosto da visão do meu avô.

Se ele estivesse aqui, ele provavelmente entenderia a maioria da tecnologia que é usada no dia-a-dia, mesmo que o uso pleno do que vem natualmente para nós lhe escapasse. Tecnologia, afinal de contas, é uma habilidade adquirida e cada geração enfrenta seus problemas de adaptação. Não duvido nada que um filho ou um neto poderão escrever a mesma coisa de mim um dia.

É claro que toda tecnologia tem seu preço e isso continua válido. Ainda estamos bem longe de uma solução para o clima, por exemplo, mesmo com toda a parafernália de seqüestro de carbono que já foi desenvolvida. As tempestades e disfunções climáticas ainda estão piorando e eu fico pensando nas obras de Kim Stanley Robinson e Peter Hamilton. De onde estamos hoje para a corrente do Golfo parar ou algo com as tempestades armada se tornarem reais não é uma distância muito grande. Acho que vamos conseguir escapar do pior, mas vai ser pouco.

Por outro lado, com ambientes consensuais de trabalho, dois grandes problemas já se foram e seus resultados já estão se fazendo notar. O trânsito agora existe quase que exclusivamente por conta de lazer e de mão de obra que precisa de local. Mas o efeito de bilhões de pessoas que não precisam mais ir para o trabalho todo o dia pode dobrar alguns balanços em nosso favor. Depois que provaram que P=NP, não foi muito difícil desenvolver um sistema automatizado emergente para cuidar de tudo. A mesma coisa para a quantidade enorme de prédios que existiam somente para servirem de um ponto comum de trabalho. Seria difícil para a maioria das pessoas nascidas há cem anos atrás imaginar isso, é claro.

Se meu avô estivesse aqui, talvez a mudança que mais lhe teria interessado seria convergência final de dispositivos. Ele não viveu para ver o fim do celular, televisão, rádio, computadores, notebooks, tablets, coisas que eram tão comuns quando ele estava no auge de sua carreira mas provavelmente teria se sentido relativamente confortável com um implante inscape e com os primeiros protótipos de HUDs. Tudo sobre o que um de seus autores favoritos, Charles Stross, falava e escrevia nos idos dos anos 20.

É, eu sinto falta de meu avô. Gostaria que ele estivesse aqui para compartilhar as próximas grandes mudanças. Mas não importa: eu sei que a imaginação foi suficiente. Espero que a minha seja também.

Postando no WordPress via E71

June 13th, 2009 § 3 comments § permalink

Uma das coisas complicadas em dispositivos móveis é escrever em um blog usando os mesmos. Sempre procurei e nunca fiquei satisfeito até encontrar uma combinação quase que imbatível no E71 mais WordMobi, uma aplicação para o WordPress na plataforma S60.

Usando a característica de texto preditivo do E71 e a facilidade de edição que o WordMobi oferece, é possível compor textos quase com a mesma flexibilidade de escrever em um computador. É possível até mesmo subir imagens e vídeos.

Obviamente, nem tudo é perfeito já que falta ao E71 um navegador que permita copiar e colar links e textos de uma maneira mais geral–um fator extremamente limitante na plataforma já há um bom tempo. Mas, para as necessidades casuais, já resolve bastante.

Um detalhe tecnológico legal é que o WordMobi é escrito em Python para o S60. Dá seus problemas de quando em quando mas mostra que já é possível fazer muita coisa com o Python em celulares.

A pobreza das conexões

April 22nd, 2009 § 17 comments § permalink

Quando eu li Peopleware pela primeira vez, um dos tópicos que mais me chamou a atenção foi o conceito de flow. Esse conceito, advindo em grande parte do trabalho do psicólogo húngaro Mihály Csíkszentmihályi, descreve o estado em que uma pessoa está inteiramente comprometida com a realidade da execução de uma tarefa, seja qual ela for. Flow, em outras palavras, é a imersão completa em uma atividade ao ponto em que a pessoa chega a perder a consciência de que está fazendo algo até que o trabalho esteja completo–ou o estado seja interrompido.

No contexto de Peopleware–e, de fato, do campo da computação/programação em si–flow é algo bem conhecido. Programadores rotineiramente experimentam isso como parte do seu dia-a-dia. Existem argumentos de que não há como existir trabalho produtivo sem flow e livros inteiros dedicados ao tópico de redução de interrupções no ambiente de trabalho para aumentar o tempo em que programadores passam nesse estado. Obviamente, o trabalho de Csíkszentmihályi se aplica a qualquer campo em que criatividade e expressividade sejam parte da equação e existe literatura correspondente para tal.

Eu estava conversando com um gerente recém-promovido cujas preocupações são aumentar a produtividade de sua desmotivada equipe. Uma das atividades que sugeri a ele–retirada diretamente de Peopleware e cujo objetivo é sensibilizar a direção de uma empresa para a necessidade de flow–foi medir o quanto de trabalho um de seus programadores conseguia realizar em um dia e o quanto de interrupções ele sofria. O resulto foi revelador: trinta minutos de trabalho útil para mais de seis horas de interrupções (entre as quais, a importante atividade de atender a porta da empresa, perto da qual o programador em questão está sentado).

E claro, uma das propostas da empresa para aumentar a produtividade dos funcionários é remover o acesso a instant messaging e redes sociais. Como é comum nesses casos, o escape que o funcionário possui da, de outra forma, entediante realidade de seu trabalho, é fomentar suas conexões. Obviamente, como Peopleware discute muito bem, a remoção de tais privilégios terá um único efeito: aumentar o turn-over experimentado pela empresa.

O que me leva a pensar na ironia de uma questão fundamental que aflige a raça humana. Eu não quero filosofar banalidade aqui, mas uma das perguntas fundamentais que permeiam a nossa vida–junto com as tradicionais “quem sou?”, “de onde vim?” e “para onde vou?”–é como escapar da mediocridade que insiste em se insinuar por tudo o que fazemos.

Confrontados com seus dez ou quinze anos de carreira ou com o gênio unidirecional de Albert Einstein e Garry Kasparov, ou, pior ainda, com as realizações de polímatas como Leonardo Da Vinci e John von Neumann, são poucos os que admitem (publicamente, pelo menos) o pavor da mediocridade que assombra os horizontes futuros de suas vidas.

Novamente, a ironia disso tudo está nas substituições precárias que fazemos. Algumas vezes acertamos, mas como o motivo permanece incorreto, a continuidade do que acreditamos ser mediocridade é garantida.

Conversando com um amigo recentemente, falávamos sobre as aulas de Arte (com A maiúsculo) que ele recebe de um conceituado artista brasileiro. Em nossa conversa, a tema central era o real significado de criar Arte e se qualquer pessoa pode atingir esse ideal. Existem milhares de guitarras abandonadas em quartos escuros, esperando a mão que poderá transformá-las em algo transcendente–não para outros, já que é impossível realmente conhecermos o Outrem–mas pela beleza do próprio eu, trazendo à tona o real significado da Arte. Tudo o que se requer dessa mão é dedicação, transformando o tempo que de outra forma seria perdido; um entendimento, enfim, de quais são os demônios a serem combatidos. São os demônios, não a mediocridade, que deveriam nos assombrar.

O que nos leva de volta ao flow e as parcas e infundadas tentativas de produzi-lo através da remoção de artefatos que em outras circunstâncias seriam vistos como incentivos. Mas, o são realmente?

Eu não consigo deixar de pensar em como a manutenção de conexões extrínsecas é um pobre substituto para o tipo de reflexão e prática associados com Arte e Realização (aqui, no sentido filosófico/matemático de atualizar, tornar real, reificar).

Malcolm Gladwell, em seu mais recente trabalho, popularizou a conhecida regra das dez mil horas como sendo o tempo necessário para que alguém se torne proficiente em uma atividade. Gladwell foi criticado pela simplificação, mas quando a asserção é vista no contexto do trabalho de Csíkszentmihályi, ela começa a fazer mais sentido. Flow requer investimento de tempo, e se flow é um pressuposto para trabalho produtivo e permanente, se segue que a manutenção de conexões efêmeras é algo que está na contramão da realização.

Presença, um tópico permanente nas múltiplas ferramentas de conexão das quais a vida moderna parece depender, tem implicações sutis para o flow. Conectividade, vista sobre esse prisma, é uma forma de pobreza porque gera um fluxo constante de interrupções que eliminam completamente a possibilidade da realização de algo de valor concreto. O conectado, em troca da efêmera e duvidosa sensação de intimidade e pretensa consciência do seu ambiente, perde a capacidade de cultivar jardins privados e afastados da Web cujo valor remete ao discutido acima sobre Arte.

Celulares que vibram a cada segundo indicando uma nova mensagem de uma rede social composta essencialmente por estranhos de contato passageiro, o ícone de uma ferramenta de acesso ao Twitter que pisca incessantemente lembrando que alguém acabou de dizer alguma coisa absolutamente sem valor imediato (e muito provavelmente sem valor futuro também), a lista de atualizações de um Orkut ou Facebook desfiando minúcias irrelevantes da vida de outras, vão se compondo, dedos se coçando, porque eu preciso de mais e mais pontos de contato, opondo-se ao virtuosismo representado pelo flow.

Eu não quero somente uma faceta da vida. Eu não quero a mediocridade destilada em pequenas quantidades. Eu quero o imediatismo de uma derrota brilhante no xadrez sofrida para um amigo com o qual compartilho dezenas de horas de conversas entre jogos, estratégia definida em anos e não somente as trocas rápidas e fugidias dentro de uma aplicação Facebook. Eu quero as discussões intensas sobre linguagens de programação esotéricas cunhadas em um des/entendimento mútuo e não somente opiniões (mal) explicadas em cento e quarenta caracteres ou menos. Eu quero o entendimento da transcendência que você vê no jazz e eu vejo no blues, refinada por notas dedilhadas aqui e ali, pelo retorno de uma sessão tocante entre mestres de outrora e do presente, e não por um endereço Web, uma experiência por proxy.

E, acima de tudo, eu quero o tempo necessário para os demônios que me assombram.

Convergência, redes sociais, realidade aumentada e gaming spaces

December 16th, 2008 § 0 comments § permalink

Eu sempre acreditei que a convergência tecnológica não se daria na Web e sim no celular. Quanto mais o tempo passa, mais estou certo disso. Quanto mais cedo as empresas se convencerem disso–e pode ter certeza de que a Apple está olhando dez anos à frente nisso, ergo o iPhone–mais elas estarão próximas de seus usuários.

Das minhas últimas leituras sobre redes sociais, um assunto que meio que passa desapercebido da literatura é a convergência que está sendo realizada em torno de gaming spaces.

No Brasil–e mesmo nos Estados Unidos e Europa–a falta de jogos de realidade consensual mais ativos como uma atividade regular mascara isso mas basta olhar para a Ásia e ver que mais uma vez estamos atrasados no assunto. No Japão, jogos envolvendo geo-localização e realidade aumentada são um dos setores mais ativos da indústria móvel. Na China, a moeda virtual do QQ, a maior plataforma móvel local, é tão forte que não só é aceita em lojas comuns como incomodou o governo ao ponto de regulamentação ser necessárias.

Declarar que o ser humano é social é óbvio. Perceber a interseção disso com o espaço de jogos em que existimos não é tão fácil. Nossas carreiras são literalmente arquiteturadas ao redor de jogos que possuem implicações reais e imediatas. Transpor isso para um World of Warcraft é só uma maneira secundária de visualizar a questão–igualmente válida e igualmente importante.

É claro, existe uma grande dependência em torno de grandes transformações necessárias para uma materialização de alguns cenários. Primeiro, sem feedback háptico é mais difícil transpor a barreira para a parte aumentada da realidade–e um tanto ou quanto menos satisfatório. Segundo, um ambiente seguro, criptografado e distribuído por padrão é necessário. Terceiro, alguns jardins fechados precisam ser abertos pelos menos parcialmente.

Os dois primeiros pontos acima podem ser resolvidos com mais alguns anos de avanço tecnológico. O último vai depender de um tipo de reengenharia humana em escala global que pode demorar mais tempo para acontecer. Já começou mas pode tomar décadas ainda no pior caso.

De qualquer forma, o ponto inicial permanece: convergência móvel é um fato agora e vão sair na frente as empresas que aproveitarem isso.

Algumas considerações sobre TDD e BDD

October 27th, 2008 § 13 comments § permalink

Parece haver muita confusão sobre a diferença entre TDD e BDD na comunidade Rails. A criação de vários frameworks competidores (RSpec, Shoulda, Expectations, etc) parece não ter ajudado muito já que cada proponente torce um pouco a visão dada por cada um deles.

A grande divisão

O problema é que a maioria das pessoas que pratica uma variante ou outra nunca leu a literatura sobre o assunto e por causa disso há uma falta de formalização sobre o assunto. Muito do que se vê escrito hoje tanto sobre TDD ou BDD é escrito da forma que aquela pessoa em particular pratica o assunto e não como o conceito foi sendo desenvolvido ao longo das anos.

Tome, por exemplo, TDD como popuralizado originalmente por Kent Beck no contexto de Extreme Programming. Existe uma granularidade envolvida no crescimento do código que pode ser descrita como orgânica.

Design ou Development?

Uma das coisas que sempre me ajudou a enxergar o modo apropriado de construir uma aplicação a partir de testes foi pensar no D final de TDD ou BDD não como desenvolvimento, mas como design.

Voltando ao tema de granularidade, se você fizer uma experimento e acompanhar dezenas de pessoas que “praticam” TDD ou BDD, o mais provável é que você perceba que os testes estão sendo escritos como uma forma de cobrir o código e não como uma forma de pensar no código em si. Um teste é escrito que demonstra um certo caso de uso da classe ou método em questão e o código para aquele trecho é então escrito.

É muito comum, dentro da prática descrita acima, que vários testes seja escritos em seqüência e o código da classe ou método inteiro seja depois implementado. Voltando ao modo como Kent Beck explicou o processo originalmente, nada por estar mais longe da realidade.

De fato, nos seus exemplos concretos sobre o assunto, Kent Beck compara o uso de TDD ao uso de uma lista de tarefas para a construção de código, o que força o desenvolvedor a pensar em detalhes sobre a arquitetura que está criando. Volta aqui o sentido de design e não de desenvolvimento puro.

Chega-se então ao ponto de que cada teste é pensado como uma forma de evoluir a arquitetura do código e pensar em como aquela classe ou método existe dentro do contexto mais generalizado da aplicação. Não é surpreendente que quando isso é feito, coberturas de 100% são factíveis, métodos ou funções não possuem mais do que algumas poucas linhas fazendo exatamente e o que deve fazer e não mais e uma delegação efetiva de responsabilidades acontece.

TDD versus BDD

Chega-se então ao ponto central da conversa? Qual é a diferença principal entre TDD e BDD? No ponto mais básico da cadeia, a resposta é: nenhuma.

Tanto TDD quando BDD são formas de se pensar em testes partindo de premissas ligeiramente diferentes mas chegando ao mesmo resultado prático. Sendo feitas de maneira apropriada, o resultado final dentro das necessidades acima (cobertura, delegação, arquitetura) é o mesmo e a conversação que deve acontecer no desenvolvimento ocorre naturalmente.

Apesar disso, há uma diferença histórica que está evoluindo com o tempo e que, em última instância, está se convertendo no foco de debate entre os dois campos. Essa diferença foi inicialmente expressa por Dan North (responsável pelo desenvolvimento do RBehave, que mais tarde se tornaria a base do Story Runner do RSpec) e depois elaborada por David Chelimsky.

Esse posicionamento coloca BDD não como uma oposição direta a TDD em termos práticas, mas como uma corrente filosófica que engloba TDD e expande o discurso para incluir elementos que vão além do metodológico e já começam a cair no processual.

Um exemplo claro disso é a ascensão de frameworks orientados a estórias (testes de aceitação de usuários) como o Cucumber. Esses esforços representam a graduação de BDD não somente com uma forma de fazer testes mas como um processo de pensar e executar testes ao longo de toda a gama de necessidades de uma aplicação (de unitários e visuais).

Essa conversa é a parte mais importante do BDD e, no caso do Rails e Ruby, o RSpec representa apenas uma faceta de tudo o que vem sendo pensado pela comunidade. Eventualmente, como Chelimsky coloca, TDD será um parte de algo maior que será chamado de BDD.

Finalizando

A confusão experimentada atualmente é mais resultado da conversação acima do que da diferença real entre os frameworks. Ainda citando Chelimsky, quando BDD era somente sobre testes unitários, não havia diferença nenhum entre TDD e BDD. Ambos eram e são sobre a melhor forma de testar uma aplicação e nada mais do que isso.

Para dar um exemplo, atualmente eu tenho preferido a combinação Test/Unit + Shoulda + RR ao invés do meu usual RSpec. Gosto da leveza dos anteriores em relação ao último quando os testes se tornam mais envolvidos. Mas isso representa apenas dores de crescimento do RSpec. É bem possível que quando este último estiver mais estabilizado, lidando mais com a magia negra que ele precisa para sua sintaxe, eu mude novamente de prática.

De uma forma geral, então, escolha o frameworks que melhor lhe convier. Desde que a forma como você faz testes esteja correta, o resultado final estará correto também.

Rails Summit ’08

October 17th, 2008 § 0 comments § permalink

Como mais de quinhentos outros Railers do Brasil, participei ontem e ante-ontem do Rails Summit ’08. Foram dois dias intensos de bastante palestras e conversas no corredores e salões do Anhembi, e, como a maioria dos participantes, fiquei bem satisfeito com a experiência.

Esse foi o primeiro evento brasileiro de Rails de larga escala, contando com a participação de palestrantes da comunidade Rails internacional e para uma primeira edição ficou bem além das expectativas que qualquer um poderia ter tido. A organização foi impecável, tanto no que prometeu fazer quanto no que teve que resolver quando algumas coisas não saíram como previsto e o resultado final foi um evento de qualidade que nada ficou a dever a conferência do mesmo porte que já são realizadas para outras comunidades.

Outros blogueiros já falaram bastante sobre as palestras e acontecimentos e não vou me estender mais sobre o assunto. Para um outro apanhado geral, o livestreaming do evento que preparamos aqui na WebCo também mostra tudo que o pessoal andou falando e ainda está falando sobre o Rails Summit.

Finalizando, um mega-parabéns ao Akita pelo esforço demonstrado antes e durante o evento na promoção da comunidade aqui no Brasil.

A experiência NetMovies

September 24th, 2008 § 101 comments § permalink

Hoje congelei minha assinatura do NetMovies depois de quase três meses de uso. O serviço é tolerável, mas não estava valendo tanto a pena nem no modo mais básico.

No interesse da clareza, devo dizer que recebi um código de acesso para experimentar o serviço por dois meses gratuitamente como parte de uma iniciativa dirigida a blogueiros. Entretanto, por causa da minha mudança para São Paulo e subseqüente peregrinação pelo mundo dos flats até encontrar um local definitivo, acabei não usando o código. Portanto, paguei os três meses nos quais utilizei o serviço.

A NetMovies, salvo engano, é o único é um serviço brasileiro que aluga filmes por assinatura, permitindo que a pessoa faça a decisão de quando quer assistir o filme e quando quer devolver. Esse é um ponto extremamente positivo para o serviço, principalmente no mundo moderno das locadoras que dificilmente deixam que você fique com o mesmo filme por mais do que um ou dois dias–em alguns casos, não importando nem a quantidade de filmes que você leva. O serviço é modelado na NetFlix, obviamente, e chega perto do que o serviço americano fornece mas ainda falta muita coisa para chegar a um serviço completo.

Um segundo ponto positivo é a disponibilidade de títulos mais antigos, raros de se encontrar em locadoras de bairro. Isso, aliado a uma boa disponibilidade de séries de televisão, tornam o serviço bem atrativo a cinéfilos de carteirinha, que gostam de variar o que vêem.

Finalmente, um outro ponto positivo é a cobertura, que bate qualquer outro serviço parecido na área. Além de estar disponível em várias cidades, a cobertura dentro das próprias cidades é bem significativa.

Dito, isso, vários motivos me levaram a abandonar a NetMovies e voltar para a locadora do quarteirão ao lado.

O primeiro é que por sorte ou coincidência, eu sempre morei em locais onde a locadora era bem servida. Tanto em Belo Horizonte como aqui em São Paulo, a locadora mais perto de casa mantém um estoque consideravelmente maior do que as concorrentes, o que torna a decisão mais fácil. Apesar do que a NetMovies anuncia, o processo de selecionar e receber o próximo filme não é tão ágil quando parece. Como o próximo filme pode chegar em qualquer horário do dia e você precisa pedir a troca até quatro horas da tarde para que ele chegue no próximo dia disponível, o mais comum é que dois dias sejam perdidos mesmo se você viu o filme do mesmo dia.

Para dar um desconto, esse é um balanço delicado entre quem vê mais filmes e quem não precisa de tantos. Mas é algo que acaba frustrando quem acredita que o serviço pode realmente fornecer vinte dois filmes em um mês no plano básico. Pode até funcionar, mas isso geralmente implica pedir o próximo filme antes que você tenha visto o anterior.

O segundo ponto que me incomodou foi a falta de disponibilidade de filmes mais recentes. Qualquer filme lançado nos últimos três meses aparentemente possui tão poucas cópias que está sempre na espera longa. Eventualmente o filme aparece, mas demora tanto que a sensação de satisfação é diminuída consideravelmente.

Isso leva ao terceiro ponto que é a impossibilidade de visualizar a sua posição na fila de espera. O máximo que aparece é se a espera é curta, média ou longa. Os termos não são qualificados e é impossível saber quando você vai receber o filme. O ideal seria mostrar o seu posicionamento na fila e garantir que você nunca suba posições. Não sei como o algoritmo funciona–pode ser que isso já aconteça–mas a visualização seria fundamental para dar a sensação de avanço.

O quarto ponto foi a questão de mudanças abruptas nos filmes enviados. Algumas vezes, dois filmes com disponibilidade imediata estavam em uma certa ordem mas a mesma não foi cumprida. Isso entra no ponto anterior de falta de visualização adequada da fila: o provável é que para o primeiro filme eu estava em segundo lugar ou coisa assim e sem ver essa posição a impressão é que houve uma mudança.

Um quinto ponto é a inexistência de pró-rata na mudança de planos. Se você pede uma mudança, ela é efetuada imediatamente com cobrança completa do novo valor sem considerar o dia do mês em que se está. Isso é algo ridiculamente simples de resolver mas que desanima qualquer pessoa querendo experimentar um plano maior.

Finalmente, o site não funciona bem no Safari. Funciona, mas com alguns acidentes de percurso que dão a impressão de que algo está errado na manipulação Ajax, o que, conseqüentemente, gera uma experiência ruim de navegação.

No geral, a NetMovies é um serviço que eu gostaria de manter assinado. Mas a quantidade de problemas supera a quantidade de vantagens e prefiro esperar por eventuais mudanças. Na esperança que ocorram, eu congelei a minha assinatura. Espero ter oportunidade de revivê-la em algum ponto.

Webpanel Jukebox, resumo

March 31st, 2008 § 0 comments § permalink

Hoje participe do Webpanel do Jukebox Blog, como havia anunciado semana passada. Fui a convite do Fugita e gostei bastante da discussão e anúncios que foram feitos durante o evento. Presencialmente havia pelo menos 50 pessoas e a parte online, transmitida ao vivo, chegou a registrar 75 participantes, sem contar as várias pessoas que estava seguindo pelo Twitter e outras que estavam seguindo pelo Yahoo! Live.

O evento começou com o Jorge Steffens, CEO da Datasul–o prime mover do evento–falando sobre a evolução da área de desenvolvimento nos últimos anos. Para ele, a evolução foi rápida e significativa, ao ponto de termos software como commodity hoje, mas sem mudanças significativas no processo que o tornem mais acessível ao usuário. No contexto do que o blog dele mencione, essa falta de ergonomia (que é equilíbrio entre usabilidade, acessibilidade, performance e outros requisitos similares) é algo que falta da comunidade. Essa parte da conversa me lembrou muito o papo recente sobre simplicidade em desenvolvimento.

Depois disso foi vez de Alvacir Schulze, gerente de tecnologia da Datasul, falar sobre os desafios do desenvolvimento colaborativo de software. A palavra chave foi “focabilidade”, que se encaixa na questão se ergonomia especificando um foco que deve ser mantido no desenvolvimento do software para gerar uma interface que seja significativa para o usuário. Uma lembrança interessante foi a aplicação da regra de Paretto a interfaces (Google Mail sendo um exemplo dado), para gerar algo que seja prontamente usável tanto para iniciantes como usuários mais experientes.

Na seqüência, o Glauco Scheffel, arquiteto de tecnologia da Datasul, falou sobre o projeto aberto da empresa. A Datasul, que é, por admissão própria, uma empresa fechada, está no processo de reconhecimento do valor do software livre. Isso vem de dois entendimentos: o primeiro, em relação ao uso de patentes e o perigo que as mesmas representam para a inovação; segundo, em relação ao valor ideológico e comercial do software livre. Essa último reconhecimento é interessante porque, mesmo que a empresa queira, sim, um retorno de investimento em seu uso do software livre, há um entendimento de que um retorno é necessário para garantir a inovação. A idéia é construir deliberadamente para reusar e liberar. Ou, given enough eyeballs all bugs are shallow. Essa parte terminou com uma demonstração da Comunidade Open Source da Datasul.

A partir daí o evento continuou com uma mesa de debates do qual participaram o próprio Jorge, o Edney “Interney” Souza, o Severino Benner da Benner, o Mauro Perez da IDC Brasil e o Guilherme Jardim da Winart. A discussão foi focada basicamente na resposta de perguntas feitas pelos participantes tanto presenciais como online.

Um dos momentos engraçados nessa discussão foi quando o moderador, Antonio Carlos Rego Gil da Brasscom, pediu ao Edney dicas de monetização para o blog de sua filha. O Edney, graças a Deus, desviou-se habilimente da conversa. O Gil, que aparenta seus 65 anos, apesar de alguns apartes um tanto ou quanto deslocados sobre o poder de competição e criatividade do Brasil, provou entender bastante do assunto, falando sobre user generated content, convergência no celular e vários outros assuntos que eu tenho explorado bastante nos últimos anos.

Um ponto baixo foi a participação de alguém da Microsoft–não peguei o nome–falando sobre a necessidade de um “deviner”, um profissional versátil em programação e design ao mesmo. Essa utopia irrealizável reflete o recente foco da Microsoft em coisas como o Silverlight e o Expression Engine, mas não tem qualquer valor real em termos de futuro possível de desenvolvimento. Como eu comentei durante o micro-blogging pelo Twitter, eu acredito em profissionais versados, mas essa versatilidade do “deviner” não é só utópica e rara, mas desnecessária em qualquer contexto atual. Eu acho que não estou sozinho na idéia porque o Edney apontou a necessidade do que ele chamou de “devuser”, um desenvolvedor que entenda o usuário e uma professora de ergonomia participante pela Internet também reforçou o ponto de ser versado em contrapartida a versátil.

As demais perguntas pode ser vistas no meu Twitter já que seriam extensas para tratamento aqui. No geral, o evento foi bem interessante e se alguns temas foram batidos–por virem de uma empresa que está dando seus primeiros passos em um mundo pelo qual muitas outras já transitam–o ânimo e a conversa gerada são mais valiosos do que qualquer repetição do tema. Gostei bastante e espero participar de outros similares.

Jukebox Webpanel

March 28th, 2008 § 0 comments § permalink

Segunda-feira próxima vou estar, a convite do Fugita, no evento Jukebox Webpanel. O evento é uma discussão sobre desenvolvimento orientado à ergonomia, um tema que já vem sendo desenvolvido pelo Jorge Steffens–CEO da Datasul–em seu blog.

Esse é um tema interessante, no qual tenho bastante interesse e vou aproveitar a oportunidade para ver o que outros estão pensando e fazendo sobre o assunto.

Para que não pode estar presente, o evento será transmitido pela Web.

Concurso e Conceitos de Programação

March 9th, 2008 § 7 comments § permalink

Segundo os logs de acesso deste blog, o dia de hoje representou o momento em que o mesmo ultrapassou os mil leitores conhecidos nos diversos feeds disponíveis. Eu não sei se acredito nas estatísticas ou não, mas vou supor por um momento que sejam verdadeiras e aproveitar para brincar um pouco.

Concurso

A primeira brincadeira é um concurso. Leitores freqüentes sabem que este ano eu estou pensando bastante sobre a questão de paradigmas de programação–especialmente no que tange ao desenvolvimento Web. O objetivo do concurso é simples: escreva um texto sobre esse assunto. Você pode:

  • Descrever algo que está pensando sobre o assunto
  • Introduzir algo que aprendeu e que modificou sua forma de pensar sobre desenvolvimento Web
  • Explicar as falhas do seu framework favorito e como você as corrigiria
  • Etc

De fato, qualquer coisa nesse linha vale. O prêmio vai para o texto que eu pessoalmente considerar mais interessante sobre o assunto. Para participar, basta enviar um e-mail como a URL do texto ou criar um trackback ou pingback para este texto.

E falando no prêmio: eu tenho uma cópia–nova, intocada–do Code Complete, segunda edição, do Steve McConnell, considerado um melhores livros sobre boas práticas em desenvolvimento. Não é autografado, mas é um livro muito bom e acho que cabe bem em qualquer biblioteca de programação.

Conceitos de Programação

A segunda brincadeira é tentar continuar a série Conceitos de Programação através de textos de convidados. Se você tem interesse em escrever um texto no estilo dos que eu estava fazendo–e eu espero poder contribuir novamente a partir da semana que vem–entre em contato comigo no email mtblog [arroba] reflectivesurface [ponto] com.

O único requisito é que o texto seja similar aos que já foram feitos (balanço de material explicativo e código de exemplo). Obviamente, eu me reservo o direito de adequar o texto ao estilo do Superfície Reflexiva, mas isso não significa mudar o conteúdo do mesmo. Quando muito, inserir alguns sub-títulos, reformatar código para se encaixar na coluna de texto e coisas similares.

Espalhem

Agora é hora de testar se existem leitores mesmo. :-) Quem sentir vontade, espalhe a notícia do concurso e quem sabe podemos criar um diálogo interessante sobre o tema e presentear alguém.

Where Am I?

You are currently browsing the Tecnologia category at Superfície Reflexiva.