April 9th, 2011 §

Hoje é dia quinze, né? Pelo menos eu acho que é. Acho que esqueci de como o tempo passa aqui na rua.
Sabe, não é como se os dias fossem iguais uns aos outros, do jeito que é pra todo mundo. Sabe quando o cara trabalha de segunda a sexta, todo dia do mesmo jeito, chega no trabalho de manhã cedo, rezando pro chefe não perceber que ele chegou atrasado, come no almoço c’os compadres no mesmo horário, naqueles botequinhos legais na esquina da firma, vai embora na mesma hora, pra pegar o trem lotado, fazer baldeação na Luz, chegar em Tucuruvi com muito esforço?
Sábado e domingo, bem, sábado e domingo são mais ou menos a mesma coisa, eu acho. Sábado é churrasco c’os amigos ou passeio no shopping. Domingo, casa da sogra, ou casa da mãe. Pelo menos é o que acho que as pessoas fazem normalmente. Tem o Jão aí que diz que é assim, ele vai pra casa da irmã todo fim de semana e é isso o que ele diz que acontece. Eu nunca fui lá, claro, mas é isso que o Jão diz que acontece.
Aqui na rua, o tempo não passa direito. Todo dia é tão diferente, todo dia é tão cheio de coisa pra fazer, diferente, que você nem repara direito. De dia, de noite, parece tudo a mesma coisa. Muda um pouco, eu acho. Muda a hora que a polícia passa aqui, muda um pouco o tanto de gente que passa por tal e tal lugar, mas nem tanto assim, sabe. Você acaba dormindo onde consegue achar um lugar pra dormir, mas isso é até tranqüilo porque sempre dá pra achar um lugar escondidinho onde ninguém pertuba você.
Você se acostuma, sabe. Vira parte da paisagem, eu acho. Tem hora qu’eu olho no olho de alguém e a pessoa meio que dá aquele pulo como se um poste de repente tivesse criado vida e falado com ela. Mas eu não ligo, não. Depois de tanto tempo, até isso pára de importar. Você vira mesmo parte da cidade, um lugar nenhum, uma pessoa nenhuma. Dá pra viver.
April 5th, 2011 §
Meu último texto aqui no blog foi sobre como compilar o LLVM no Mac OS X. Para os curiosos que me perguntaram o motivo disso, a resposta está aqui: Spell.
Leitores antigos do blog sabem que linguagens de programação são um dos meus interesses primários dentro do campo da computação. Desde que eu comecei a programar, eu sempre brinquei com a construção de linguagens, embora até então não tivesse tomado tempo para realmente tentar fazer um esforço ponta a ponta usando tecnologia mais recente.
Com o desenvolvimento do LLVM, as coisas ficaram bem mais simples para alguém que queira construir uma linguagem e produzir algo que realmente tenha alguma utilidade prática–seja esta simplesmente para aprender alguma coisa nova ou seja para construir algo que seja realmente passível de uso em circunstâncias de produção.
Eu me interessei pelo LLVM assim que li sobre o projeto, mas até então não tivera oportunidade de usar. Spell é o meu primeiro esforço na direção, combinando o que eu aprendi sobre o assunto nos últimos tempos com a vontade de experimentar com algum um pouco mais consitente no campo que não a criação de simples VMs.
Spell não é, de forma alguma, uma linguagem para produção. Antes, é um projeto para o meu aprendizado e o de quaisquer outros interessados em ver com uma linguagem pode funcionar. Eu usei alguns atalhos–como o Treetop para fazer a análise léxica e parte da análise sintática–mas o que está no repositório deve servir com uma referência simples ao que pode ser feito em uma linguagem.
Por exemplo, Spell implementa closures e o código demonstra os trade-offs que foram feitos para fazer isso possível. Outros caminhos estão lá que eu pretendo explorar no futuro, como mecanismos similares à Spineless Tagless G-Machine (.ps) e a geração de código para garbage collection através do próprio LLVM.
De resto, construições são bem-vindas. Havendo interesse interesse em aprender também, basta fazer um fork do repositório e implementar o que quiser. Há bastante coisa com que se fuça lá–afinal de contas, lanças magias é sempre algo divertido.
December 14th, 2010 §
Atualização: Obrigado a todos que me ajudaram divulgando esse texto e a todos com quem conversei nas semanas subseqüentes. Recebi excelentes propostas e conheci muita gente que está fazendo coisas impressionantes. E como todo fim tem um próximo começo, minha nova casa é a ThoughtWorks Brazil. Que venha a próxima iteração.
Depois de quase três anos de WebCo e Abril Digital, chegou a hora de me despedir dessa etapa da minha vida e partir em busca de experiências novas. Esse foi um tempo intenso e completo, mas, como diria um certo Oráculo, “tudo que tem um começo tem um fim.”
Sendo assim, estou imediatamente disponível para projetos e contratações–full-time preferencialmente, mas aberto também a propostas de outros tipos.
Meu objetivo é trabalhar em alguma empresa que acredite em pessoas como o motor e motivo central do desenvolvimento de software, que acredite concretamente no Manifesto Ágil e que exerça a arte de desenvolver. Posso contribuir seja fazendo parte de um time ou estando à frente de um.
Meus interesses primários são: Web, metodologias ágeis, linguagens dinâmicas, plataformas, e arquiteturas distribuídas em larga escala.
Se estiver interessado ou conhecer alguém que esteja, meu contato de e-mail e GTalk é ronaldoferraz at gmail dot com.
Um currículo resumido se encontra no Linked In.
July 17th, 2008 §
Depois de vários meses de labuta intensa, a versão beta do Brasigo está no ar. Se você não está vendo o site nesse momento, é porque o DNS ainda não se propagou completamente. Mas não se preocupe, em pouco tempo você poderá ver o que arrumamos.
Na última semana, eu devo ter dormido menos do que quatro horas por dia na média, mas acho que valeu muito a pena. A despeito do trabalho pesado, estou bem satisfeito com o resultado. É claro que há muito chão, muito mesmo pela frente, e se você vir um bug pode buzinar à vontade.
Espero que vocês gostem do resultado. Mas se não, aceitamos críticas também. Principalmente se você detestou.
No mais, preciso dormir um pouco antes de voltar à ativa com força total. Nos vemos em breve.
July 17th, 2008 §
O dia está quase amanhecendo e ainda estou no trabalho com todo o pessoal do Brasigo ralando para chegar nos finalmentes. Ainda há um chãozinho pela frente, mas estamos quase lá.
O site está de volta graças ao Apocalypse que gentilmente me cedeu o espaço enquanto em procuro um novo servidor. Pela segunda vez desde que eu tenho um blog, eu acabo perdendo o site anterior temporariamente por causa de um provedor incompetente. Dessa vez foi o dedicado que decidiu queimar meu site logo depois do cartão de crédito expirar. Sem reservas, sem recuperação e com uma promessa de processo pela “dívida pendente”.
Mas, a vida–ou a falta dela–continua. Pronto para mais uma nesse espaço. Em breve recupero o que der para recuperar. Backups são feitos para isso, não é?
March 27th, 2008 §
Há momentos em que eu penso que programação deve ser a profissão com o maior índice de episódios de dissonância cognitiva por dia de trabalho. Só as classes de bugs e suas condições estranhas de existência já mostram esse tipo de paranóia relacionada a problemas inusitados.
De quando é quando é divertido, e de quando em quando você morre de ódio. Como quando você descobre que o bug é na verdade uma feature mencionada muito de passagem na documentação e sem a menor explicação porque é assim.
February 11th, 2008 §
Semana de pós-carnaval e um novo Pão de Cast para ajudar a curar a ressaca de tanto que os ouvintes vão berrar depois de nossas opiniões insanas. Agora de volta com o Luiz Rocha depois da saída honrosa do Luiz Pedra.
Os assuntos discutidos são:
Divirtam-se!
December 31st, 2007 §
Via Bruce Schneier, um artigo sombrio na Search Security sobre as mudanças que estão acontecendo no mundo dos malwares, incluindo um novo tipo de programa virtualmente imune a ataques externos.
O cenário é assustador e lembra muito o que Charles Stross e Peter Watts descrevem em seus livros sobre a evolução sistêmica de redes em uma ecologia em que o ponto primário não é propagar informação mas impedir que a mesma seja corrompida. Ironicamente, como sempre acontece nesses trabalhos, os autores colocam esses eventos em um futuro distante e o mundo real conspira para fazer as coisas acontecerem mais rápido.
O que impressiona é que a capacidade de adaptação desses programas está superando em muito a capacidade de resposta. Como o próprio artigo aponta implicitamente, muito tempo está sendo gasto em tentar reconhecer o que está acontecendo e pouco tempo em desenhar contramedidas. O mercado de programas anti-vírus está estagnado há anos e o necessário agora é escrever programas capazes de identificar tráfego suspeito e oferecer aos usuários formas práticas e acessíveis de bloquear isso. Educação sistematizada mais programas eficientes e localizados seriam muito melhores do que as atuais tentativas de ser tudo para todos.
December 15th, 2007 §
Para o pessoal que vive dando palestra e tem que falar termos em inglês e fica na dúvida sobre alguma mais espinhosa, uma dica é usar o site do Merriam-Webster que tem a pronúncia básica de praticamente todas as palavras listadas em sua versão online.
É bom para descobrir, por exemplo, que driven, written e hidden se falam com i mesmo– dr-i-ven, por exemplo, e não, dr-ai-ven.
Mesmo para termos comuns é bom dar uma conferida; na pior das hipóteses, vai salvar você de ver um ouvinte torcer a cara no meio da palestra.
August 27th, 2007 §
Via Bruno Torres, a notícia de que o Bloglines lançou um beta aberto de sua nova versão.
Dei uma corrida de olho e gostei do esforço que o pessoal colocou em maximizar a experiência do usuário e resolver os problemas mais gritantes que o Bloglines tinha, como a questão de marcar todos itens como lidos quando você clicava em um feed qualquer.
A página inicial agora é no estilo Netvibes, o que não me agrada muito. Mas existem outras opções de visualização, e pode ser que eles insiram algo no estilo river of news que o Google Reader usa atualmente e que eu acho muito mais interessante na hora de escanear o que você quer ler ou não.
O design também é novo, uma tentativa de simular os atuais no estilo “Web 2.0″. Melhora o antigo, mas precisa de algumas refinadas para ficar mais solto e flexível.
Obviamente, como é uma beta, ainda há muita coisa a ser corrigida mas é interessante ver que o Bloglines finalmente está acordando e vendo que existe vida além da sua interface ultrapassada.
A minha experiência continua a mesma: basicamente qualquer nova subscrição ao meu blog é feita por outra agregador que não o Bloglines. Eu também pretendo continuar no Google Reader porque sou mais conservador e, depois de me acostumar com as novas flexibilidades, prefiro manter algo que já é intuitivo.