End of Year Blues

January 21st, 2010 § 2 comments § permalink

O céu está daquela cor outra vez. Cor de céu de fim de ano, um vermelho pálido como a cor das coisas que se vão. E não é de se admirar: dez anos já, dez anos desde o início de um milênio que prometia muito mas só trouxe mais do mesmo.

Você vê: neste ano, perdemos pouco mais perdemos o suficiente para enxergar que não há tanta coisa assim à nossa frente. Meu Deus, Brittany Murphy morreu domingo passado. Ela só tinha trinta dois anos–eu tenho trinta e um. E morreu também Michael Jackson. Eu não gostava de sua música. Eu tinha, sim, pena de sua conturbada e desperdiçada vida. Tão desperdiçada que seus olhos contavam, cantavam toda uma não-história para quem quisesse escutar. E nós o considerávamos imortal, mesmo assim.

Mas é fim de ano outra vez. Fim de um ano de muito pouco para lembrar além do massacrante mover dos nefastos mecanismos do dia-a-dia. Zeus do alto do Olimpo olhando para os pobres mortais, seus irmãos sorrindo diante do plano que traçaram para aqueles que nada conhecem. Maldito sejam os deuses.

E, sim, é fim de ano mais uma vez. Que finde em paz. Em jazz e em blues. Notas em uma guitarra fosca, quase desafinada. Blind Lemon Jefferson cantando “Backwater rising”, an end of year blues.

O princípio da caridade

October 20th, 2009 § 0 comments § permalink

Da Wikipedia, o Princípio da Caridade:

In philosophy and rhetoric, the principle of charity requires interpreting a speaker’s statements to be rational and, in the case of any argument, considering its best, strongest possible interpretation. In its narrowest sense, the goal of this methodological principle is to avoid attributing irrationality, logical fallacies or falsehoods to the others’ statements, when a coherent, rational interpretation of the statements is available.

Esse é um princípio pelo qual tenho tentado (ênfase em tentado) viver desde que me entendo por uma pessoa capaz de discurso em qualquer nível. Esse mesmo princípio é o que me motiva geralmente a fazer o papel de Advogado do Diabo mesmo quando a outra pessoa está defendo algo em que eu acredito usando argumentos falaciosos, seja por deliberação ou não–tentando, de qualquer forma, chegar em um ponto comum onde não há necessariamente concordância mas pelo menos entendimento.

Infelizmente–e eu sei que faço isso provavelmente mais vezes do que eu gostaria de admitir–nós sempre trazemos nossas asserções para a mesa e quase nunca estamos dispostos a aceitar isso.

Enfim, algo para tentar colocar mais em prática no dia-a-dia.

Navegando para Bizâncio

September 10th, 2009 § 1 comment § permalink

Há esses momentos em que o tempo parece tomar uma nova dimensão, diminuindo sua passagem até se suspender por um breve instante.

Você olha ao redor, a vida magnificada, grãos de poeira flutuando quase estáticos no ar e é fácil sentir todo o potencial esperando para ser colocado em ação–a diferença entre ter esperança e acreditar que qualquer coisa é plenamente realizável.

Momentos perfeitos.

É possível passar uma vida inteira e contemplar somente um deles–e ainda assim não seria uma vida desperdiçada.

Eu tenho um sonho…

June 25th, 2009 § 14 comments § permalink

Hoje foi um daqueles dias ótimos no trabalho. Apesar da chuva, o movimento não diminuiu e consegui vender nada mais, nada menos do que duzentos pratos de milho verde.

Eu gosto de dias de chuva, confesso. Por mais que seja inconveniente para o cliente–e sempre há a chance que eles desapareçam se as ruas ficarem alagadas e intransitáveis–eu sempre tive uma queda para a paisagem cinzenta e opaca dos dias frios e nublados dessa cidade.

E hoje, um dia que combinou chuva e boas vendas, merece uma comemoração extra.

Eu já estou nesse ponto há 20 anos. Não considero minha vida sofrida. Fico vendo aqueles executivos passarem apressados para cima e para baixo, homens e mulheres com aquele porte que indica poder, alheios ao mundo ao seu redor. Volta e meia, um deles sai mais tarde do trabalho, para aqui e comenta um pouco sobre o trabalho no escritório, sobre a pressão dos chefes, sobre as intrigas e políticas. Não quero isso para mim, é o que eu sempre penso.

Fiz faculdade também. Acabei nesse lugar por força do destino, mas não acho que tenha sido lesado pelos deuses ou algo assim. Consegui criar e sustentar uma família, meus filhos estão todos crescidos e bem. E eu, bem, eu continuo aqui. Nos momentos de pouco movimento, leio meus livros, me inteiro do mundo, converso com os clientes, fico sabendo de tudo: dores e amores, conquistas e perdas, beleza e feiúra expostas na cidade.

É impressionante como as coisas são. Um dias desses, um violonista famoso decidiu tocar aqui por perto. Um experimento. Seis peças de Bach por quarenta e cinco minutos. Perdi a conta de quantas pessoas passaram sem prestar atenção. Eu, embevecido, via o mundo andar ao redor, alheio ao som majestoso saindo daquelas cordas, e abanava minha cabeça. De que adianta essa vida toda corrida se você não tem tempo para parar por alguns minutos e contemplar o maior de todos os mestres?

Isso me lembra dos dias em que eu tenho alguns pesadelos estranhos. Há dias–raros, graças a Deus–em que eu acho que sou um programador em uma dessas firmas grandes, fábricas de software como meu filho costuma dizer quando conta do seu trabalho, e fico o dia todo em uma baia apertada, no meio do barulho, tentando fazer um trabalho que nunca acaba. Acordo suando frio.

Ainda bem que estou aqui, vendo a chuva cair, e me preparando para mais uma boa noite de sono. Amanhã tem mais. Se o sol sair, o dia pode ser melhor ainda para as vendas. Já tenho o livro preparado para os momentos preguiçosos. Só sinto falta mesmo da patroa. O resto está muito bem.


Agradecimentos ao TaQ e Manoel Netto pela inspiração.

Joie de Vivre

June 4th, 2009 § 6 comments § permalink

Alguns anos atrás, trabalhei por alguns meses em uma empresa pequena–quatro funcionários na época–fazendo aplicações corporativas em PHP. Eu estava cansado de programar em ASP e queria espairecer um pouco em outras arenas.

Infelizmente, a alegria durou pouco. Por várias razões–falta de planejamento, dificuldade em conseguir recursos, falta de pessoal qualificado, etc–a empresa não vingou. Na época, meio do primeiro governo Lula, isso não era tão fora do comum mas faltou também uma pitada de sensatez de todo mundo para lidar com a situação. O meu tempo lá não foi de todo perdido. Rendeu boas estórias e duas amizades queridas que ainda preservo mesmo com a distância.

Por outro lado, foi a única vez em que pedi demissão em ira. Ira por planos que não chegavam a lugar nenhum. Ira por promessas não cumpridas. Ira por várias outras razões que na época pareciam bem válidas. Parti para outra, mas carregando aquele peso comigo de assunto não resolvido.

Demorou muito tempo para perceber que, na verdade, a minha ira não derivava dos problemas que eu percebia na empresa. Ao contrário, vinha de um sentimento de que faltava joie de vivre no ambiente de trabalho.

E joie de vivre –em uma tradução direta e meia-boca, alegria de viver–era algo que eu sentia mais falta no intercâmbio com meus pares de desenvolvimento do que em relação à própria empresa. Como em outras empresas que trabalhei desde então, a sensação de que os desenvolvedores ao meu lado não experimentavam isso era a parte mais terrível de qualquer situação. Eu, que sempre tive um pé no mundo livre, em projetos paralelos, conseguia derivar isso mesmo na ausência de outros fatores.

Não é de se estranhar, por exemplo, que o grande selling point do Rails tenha sido o fato de que ele devolvia ao programador a alegria de desenvolver. O Rails não se tornou um dos frameworks mais bem-sucedidos de todos os tempos por causa de suas proezas técnicas. Ruby mais Rails se tornaram um combinação imbatível em trazer joie de vivre aos desenvolvedores.

Não há nada que compre joie de vivre . É algo que só você pode conseguir e somente em certas circunstâncias. Não dá para construir nem criar, exceto por prover [condições apropriadas para que ele aconteça][1]. E como eu queria que outros pudessem experimentar isso também. Pena que quase nunca seja o caso nos ambientes que temos.

[1]: http://logbr.reflectivesurface.com/2009/04/22/a-pobreza-das-conexoes/

A pobreza das conexões

April 22nd, 2009 § 17 comments § permalink

Quando eu li Peopleware pela primeira vez, um dos tópicos que mais me chamou a atenção foi o conceito de flow. Esse conceito, advindo em grande parte do trabalho do psicólogo húngaro Mihály Csíkszentmihályi, descreve o estado em que uma pessoa está inteiramente comprometida com a realidade da execução de uma tarefa, seja qual ela for. Flow, em outras palavras, é a imersão completa em uma atividade ao ponto em que a pessoa chega a perder a consciência de que está fazendo algo até que o trabalho esteja completo–ou o estado seja interrompido.

No contexto de Peopleware–e, de fato, do campo da computação/programação em si–flow é algo bem conhecido. Programadores rotineiramente experimentam isso como parte do seu dia-a-dia. Existem argumentos de que não há como existir trabalho produtivo sem flow e livros inteiros dedicados ao tópico de redução de interrupções no ambiente de trabalho para aumentar o tempo em que programadores passam nesse estado. Obviamente, o trabalho de Csíkszentmihályi se aplica a qualquer campo em que criatividade e expressividade sejam parte da equação e existe literatura correspondente para tal.

Eu estava conversando com um gerente recém-promovido cujas preocupações são aumentar a produtividade de sua desmotivada equipe. Uma das atividades que sugeri a ele–retirada diretamente de Peopleware e cujo objetivo é sensibilizar a direção de uma empresa para a necessidade de flow–foi medir o quanto de trabalho um de seus programadores conseguia realizar em um dia e o quanto de interrupções ele sofria. O resulto foi revelador: trinta minutos de trabalho útil para mais de seis horas de interrupções (entre as quais, a importante atividade de atender a porta da empresa, perto da qual o programador em questão está sentado).

E claro, uma das propostas da empresa para aumentar a produtividade dos funcionários é remover o acesso a instant messaging e redes sociais. Como é comum nesses casos, o escape que o funcionário possui da, de outra forma, entediante realidade de seu trabalho, é fomentar suas conexões. Obviamente, como Peopleware discute muito bem, a remoção de tais privilégios terá um único efeito: aumentar o turn-over experimentado pela empresa.

O que me leva a pensar na ironia de uma questão fundamental que aflige a raça humana. Eu não quero filosofar banalidade aqui, mas uma das perguntas fundamentais que permeiam a nossa vida–junto com as tradicionais “quem sou?”, “de onde vim?” e “para onde vou?”–é como escapar da mediocridade que insiste em se insinuar por tudo o que fazemos.

Confrontados com seus dez ou quinze anos de carreira ou com o gênio unidirecional de Albert Einstein e Garry Kasparov, ou, pior ainda, com as realizações de polímatas como Leonardo Da Vinci e John von Neumann, são poucos os que admitem (publicamente, pelo menos) o pavor da mediocridade que assombra os horizontes futuros de suas vidas.

Novamente, a ironia disso tudo está nas substituições precárias que fazemos. Algumas vezes acertamos, mas como o motivo permanece incorreto, a continuidade do que acreditamos ser mediocridade é garantida.

Conversando com um amigo recentemente, falávamos sobre as aulas de Arte (com A maiúsculo) que ele recebe de um conceituado artista brasileiro. Em nossa conversa, a tema central era o real significado de criar Arte e se qualquer pessoa pode atingir esse ideal. Existem milhares de guitarras abandonadas em quartos escuros, esperando a mão que poderá transformá-las em algo transcendente–não para outros, já que é impossível realmente conhecermos o Outrem–mas pela beleza do próprio eu, trazendo à tona o real significado da Arte. Tudo o que se requer dessa mão é dedicação, transformando o tempo que de outra forma seria perdido; um entendimento, enfim, de quais são os demônios a serem combatidos. São os demônios, não a mediocridade, que deveriam nos assombrar.

O que nos leva de volta ao flow e as parcas e infundadas tentativas de produzi-lo através da remoção de artefatos que em outras circunstâncias seriam vistos como incentivos. Mas, o são realmente?

Eu não consigo deixar de pensar em como a manutenção de conexões extrínsecas é um pobre substituto para o tipo de reflexão e prática associados com Arte e Realização (aqui, no sentido filosófico/matemático de atualizar, tornar real, reificar).

Malcolm Gladwell, em seu mais recente trabalho, popularizou a conhecida regra das dez mil horas como sendo o tempo necessário para que alguém se torne proficiente em uma atividade. Gladwell foi criticado pela simplificação, mas quando a asserção é vista no contexto do trabalho de Csíkszentmihályi, ela começa a fazer mais sentido. Flow requer investimento de tempo, e se flow é um pressuposto para trabalho produtivo e permanente, se segue que a manutenção de conexões efêmeras é algo que está na contramão da realização.

Presença, um tópico permanente nas múltiplas ferramentas de conexão das quais a vida moderna parece depender, tem implicações sutis para o flow. Conectividade, vista sobre esse prisma, é uma forma de pobreza porque gera um fluxo constante de interrupções que eliminam completamente a possibilidade da realização de algo de valor concreto. O conectado, em troca da efêmera e duvidosa sensação de intimidade e pretensa consciência do seu ambiente, perde a capacidade de cultivar jardins privados e afastados da Web cujo valor remete ao discutido acima sobre Arte.

Celulares que vibram a cada segundo indicando uma nova mensagem de uma rede social composta essencialmente por estranhos de contato passageiro, o ícone de uma ferramenta de acesso ao Twitter que pisca incessantemente lembrando que alguém acabou de dizer alguma coisa absolutamente sem valor imediato (e muito provavelmente sem valor futuro também), a lista de atualizações de um Orkut ou Facebook desfiando minúcias irrelevantes da vida de outras, vão se compondo, dedos se coçando, porque eu preciso de mais e mais pontos de contato, opondo-se ao virtuosismo representado pelo flow.

Eu não quero somente uma faceta da vida. Eu não quero a mediocridade destilada em pequenas quantidades. Eu quero o imediatismo de uma derrota brilhante no xadrez sofrida para um amigo com o qual compartilho dezenas de horas de conversas entre jogos, estratégia definida em anos e não somente as trocas rápidas e fugidias dentro de uma aplicação Facebook. Eu quero as discussões intensas sobre linguagens de programação esotéricas cunhadas em um des/entendimento mútuo e não somente opiniões (mal) explicadas em cento e quarenta caracteres ou menos. Eu quero o entendimento da transcendência que você vê no jazz e eu vejo no blues, refinada por notas dedilhadas aqui e ali, pelo retorno de uma sessão tocante entre mestres de outrora e do presente, e não por um endereço Web, uma experiência por proxy.

E, acima de tudo, eu quero o tempo necessário para os demônios que me assombram.

Convergência, redes sociais, realidade aumentada e gaming spaces

December 16th, 2008 § 0 comments § permalink

Eu sempre acreditei que a convergência tecnológica não se daria na Web e sim no celular. Quanto mais o tempo passa, mais estou certo disso. Quanto mais cedo as empresas se convencerem disso–e pode ter certeza de que a Apple está olhando dez anos à frente nisso, ergo o iPhone–mais elas estarão próximas de seus usuários.

Das minhas últimas leituras sobre redes sociais, um assunto que meio que passa desapercebido da literatura é a convergência que está sendo realizada em torno de gaming spaces.

No Brasil–e mesmo nos Estados Unidos e Europa–a falta de jogos de realidade consensual mais ativos como uma atividade regular mascara isso mas basta olhar para a Ásia e ver que mais uma vez estamos atrasados no assunto. No Japão, jogos envolvendo geo-localização e realidade aumentada são um dos setores mais ativos da indústria móvel. Na China, a moeda virtual do QQ, a maior plataforma móvel local, é tão forte que não só é aceita em lojas comuns como incomodou o governo ao ponto de regulamentação ser necessárias.

Declarar que o ser humano é social é óbvio. Perceber a interseção disso com o espaço de jogos em que existimos não é tão fácil. Nossas carreiras são literalmente arquiteturadas ao redor de jogos que possuem implicações reais e imediatas. Transpor isso para um World of Warcraft é só uma maneira secundária de visualizar a questão–igualmente válida e igualmente importante.

É claro, existe uma grande dependência em torno de grandes transformações necessárias para uma materialização de alguns cenários. Primeiro, sem feedback háptico é mais difícil transpor a barreira para a parte aumentada da realidade–e um tanto ou quanto menos satisfatório. Segundo, um ambiente seguro, criptografado e distribuído por padrão é necessário. Terceiro, alguns jardins fechados precisam ser abertos pelos menos parcialmente.

Os dois primeiros pontos acima podem ser resolvidos com mais alguns anos de avanço tecnológico. O último vai depender de um tipo de reengenharia humana em escala global que pode demorar mais tempo para acontecer. Já começou mas pode tomar décadas ainda no pior caso.

De qualquer forma, o ponto inicial permanece: convergência móvel é um fato agora e vão sair na frente as empresas que aproveitarem isso.

O presente do presente

May 6th, 2008 § 4 comments § permalink

Há pouco mais de um mês e meio cheguei em São Paulo para o início de uma aventura. Foi uma mudança em todos os sentidos: de uma cidade grande para uma cidade enorme; de um mercado corporativo, fechado para um mercado genérico, aberto; de uma empresa pequena para uma empresa cujos alvos são muito maiores e mais amplos.

Ainda não concluí o processo de mudança, mas esse está sendo sem dúvida um dos períodos mais empolgantes da minha carreira. Trabalhar no Brasigo tem sido uma experiência fascinante em múltiplos níveis. Fazia tempo que a pergunta “e eu ainda sou pago para fazer isso?” não me ocorria.

Voltar a trabalhar em equipe foi uma das coisas que só percebi como tinha sentido falta até estar no meio da galera. Contribuir para um produto e aprender zilhões de coisas novas–não só profissionalmente, mas pessoalmente–é algo que só um ambiente muito bom pode proporcionar. Poder trabalhar e se divertir, em um local bacana de passar as horas de trabalho é algo que não tem preço. Tem o fato que a equipe não vê a hora em que vou soltar uma palavrão, mas isso é algo em que vai ter que rolar um desapontamento básico. :-)

Mas também, como não fica empolgado: Rails, Wii, Scrum, conversas cabeça no meio do trabalho, BDD, arquitetura de produtos legais, hard-core programming, experimentos malucos, chefe desencanado, e até mesmo a cidade que não para e onde sempre tem alguma coisa interessante para fazer.

Bem, deu para perceber que eu estou gostando da mudança, mesmo com as confusões de arrumar local para morar e trazer a família. E, para não perder a oportunidade, estamos procurando mais gente para a equipe. Gente boa é sempre bem-vinda. :-)

Um mês de São Paulo

April 23rd, 2008 § 8 comments § permalink

Um mês na metrópole:

  • Vinte e cinco dias com alergia
  • Chuva ou garoa virtualmente todos os dias
  • Duas vezes em engarrafamentos de mais de uma hora e meia
  • Uma única viagem de trem
  • Nenhuma viagem de metrô ainda
  • Nenhuma participação no #NoB
  • Nenhuma ida a um shopping
  • Uma única ida ao centro da cidade
  • Um terremoto! (boa lembrança do Luiz)

Conclusão: eu ainda estou fingindo que estou em Belo Horizonte, exceto pela alergia.

Alturas

April 16th, 2008 § 0 comments § permalink

Hoje foi um dia daqueles em que tudo dá certo mas você fica com a sensação de que tudo deu errado de tão cansativo foi fazer tudo o que se precisava fazer. Manhã correndo atrás de documentos e providências, tarde correndo para o aeroporto para o vôo e resolvendo alguns pepinos que foram aparecendo. As peças vão se encaixando e pelo menos a sensação de que se está movendo é bem-vinda nesse momento.

Entrei no avião mais morto do que vivo. Na hora da decolagem, turbulência próxima do solo, relâmpagos na noite escura. Mas o avião vai subindo e de repente você está acima das nuvens, olhando para um céu onde o dia ainda não se pôs de todo. O burburinho da conversa no avião se torna um ruído remoto, subjugado pelo som dos motores. E finalmente há um pouco de paz.

Há dias em que as coisas parecem erradas, mas em um momento desses é difícil não se sentir tocado pelo divino.

Where Am I?

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